Meu milésimo post
Na manhã de 25 de março de 1922, o Santarém soltou as amarras do porto de Santos para sua longa viagem. Durante 25 dias, tripulantes e passageiros estariam isolados das notícias do continente. O objetivo era chegar em Nova Iorque, mais exatamente na ilha Ellis, o porto de entrada de boa parte dos imigrantes que tinham o sonho de ganhar a América. E o Santarém estava repleto deles. A viagem, para os critérios de hoje, foi terrível. A última latitude sul, cruzada por volta de 5 de abril, marcava também a transição para o inverno. No começo, ninguém notou nenhuma diferença, ainda sob o escaldante sol do Caribe. Mas com o tempo, o frio começou a obrigar que todos se recolhessem às suas cabines. Dia 19 de abril, o Santarém chegou ao seu destino. Entre os que desceram ali estava meu avô, com 20 anos de idade. Esse era o primeiro dia dos treze anos que ele viveria em Nova Iorque. Naquele 19 de abril, ele tinha 90 dólares no bolso e sabia apenas que um tal de Walter T. Diack, da Associação Cristã de Moços, iria recebê-lo por uma ou duas noites. E o que isso tem a ver com este post? Meu avô sempre foi muito curioso. Sempre me estimulou a ser curioso. Outro dia entrei no site da Ellis Island e encontrei a imagem que ilustra este post. O Manifesto do Santarém, de 19 de abril de 1922, com o nome do meu avô e boa parte das informações deste texto.
É por isso que eu gosto de escrever no UoD. Porque o UoD me obriga a ser curioso e procurar.
E é bom viver num tempo em que tudo que você procurar, vai encontrar.
Um beijo a todos.
Obrigado aos que leram parte destes mil posts.
Obrigado aos que comentaram.
Obrigado ao Wagner e ao Walter pelo espaço.


