A encruzilhada da vez

debatemaxi.pngFaz uns meses lendo o livro A Terra é Plana de Thomas Friedman me ocorreu a quantidade de oportunidades que o Brasil perdeu quando o pêndulo do mundo balançou em direção ao BRIC. Na época, lembro de ter pensado que, por covardia de nossos empresários, por falta de informação, por decisões políticas equivocadas, deixamos que outros países largassem na nossa frente.
Fade out. Fade in.
Estamos vivendo um novo momento parecido com este pelo qual passamos anos atrás. Ou pior. Se realmente se consolidar, a crise trará mudanças ainda mais sérias nos próximos meses.
É a hora, portanto, de tomar decisões que não tragam arrependimentos (coisa tão comum aqui no país do futuro).
Fade out. Fade in.
Quinze dias atrás, dois dos mais bem sucedidos publicitários brasileiros tiveram um debate, uma discussão pública, num evento de marketing. Dias depois, uma carta de um deles escapou dos limites de sua agência e reaqueceu os mexiricos. Por alguns dias, esse foi o assunto da vez em qualquer grupo de publicitários. Afinal, estamos acostumados com discussões “chapa branca” nesses eventos. Discussões onde todo mundo concorda com todo mundo e o que se tira de prático é muito pouco.
Não foi o caso.
A discussão esquentou e muita gente prefere [fo]focar nas agressões pessoais do que naquilo que realmente interessa.
Escrevo, dias depois, (com a ilusão de que a poeira baixou um pouco) porque acho que não deveríamos perder esta oportunidade de tomar uma posição e defender qual caminho acreditamos que devemos seguir num momento tão delicado.
Você pode achar que este é um post sobre o mercado publicitário. Mas não é.
Este é um debate que vai além dos limites da nossa categoria.
A eventual crise financeira mundial nos coloca numa encruzilhada.
E este é o momento ideal para se decidir para onde ir, se para norte ou para o sul. Se para o Rio ou para a Bahia.
Para quem não está familiarizado com a tal discussão, aqui vai um resumo: a hora é de economizar recursos, capitalizar-se para o impacto, enxugar as estruturas ou é hora de investir no produto criativo e estimular nossos clientes a fazerem o mesmo?
É isso que está em discussão, em última análise.
E não tenho dúvida de que o segundo caminho é o correto.
É mais arriscado do ponto de vista comercial, pode ser.
Mas (e os leitores mais afoitos vão me bater) não existe crise ainda.
E se preparar para ela, neste caso é precipitar a sua chegada.
Então é isso. Tome sua posição nos comments.
Eu fico por aqui: kudos para Fabio Fernandes, presidente da FNazca, que nos lembrou que a terra está sendo aplainada mais uma vez e que só com coragem a gente vai, finalmente, prosperar.