Saquei o vazio da 28ª Bienal de São Paulo

Por Ruy Neto, via Cultura UoD

Estive hoje no dia 23 de outubro no pavilhão da Bienal de Artes do Ibirapuera, que no próximo sábado, dia 26, abre abriu as portas para a 28ª edição do evento. Embora restem restassem apenas dois dias para o início, muita coisa não estava pronta e fiquei um pouco frustrado porque esperava ver uma espécie de avant-premiére da mostra. Bom, de qualquer forma pude ter a experiência do único espaço acabado – na verdade, que sempre esteve pronto – o do segundo andar que permanecerá totalmente vazio. Ao dar uma volta pelo espaço, depois da coletiva de imprensa, pude entender, de fato, do que se trata a idéia do vazio que mediará as atividades do térreo e da maioria das obras e instalações que ficarão no terceiro andar. O espaço, por si só, diz muita coisa para quem se dispõe senti-lo. Podem pensar que é viagem, mas está lá. As janelas altas, com grandes vidros, permitem que a luz entre e forme sombras fantásticas das árvores do parque no chão da sala. “Ele não é vazio como uma sala fechada. A característica da arquitetura permite que o parque entre no edifício. Há uma essência que o público em geral nunca viu”, disse Ana Paula [Cohen, curadora]. De fato o diferencial para muita gente que se propor a tal será o da experiência. Ivo Mesquita [curador] ainda pensa na proposta como um convite à reflexão, como um espaço feito para que possibilite aos artistas e, ao público com essa verve, criar algo novo, afirmando que é do vazio e do silêncio que se cria e emerge a arte. “Hoje vivemos num mundo de excessos. Excessos de imagens, excessos de sons, é uma forma de ver isso como um espaço de enfrentamento”. Distante de todas as polêmicas em torno deste vazio, as imagens poéticas dos curadores existem, têm justificativas, são necessárias, e são as que ficam para quem quiser vê-las.

Comentário desta updater: Ainda não fui e já gostei. Confesso que, mesmo com toda a controvérsia gerada (ou por causa dela também?), a proposta do vazio me pegou desde o início. Perfeita conceitualmente, corajosa e provocadora de idéias, como tem de ser a Bienal. Se muitas pedras serão atiradas (várias até já foram), é do jogo, não?! Ah, um servicinho básico: a Bienal abriu ontem, 26 de outubro, e vai até 6 de dezembro (terça a domingo, 10h-22h). A entrada é gratuita e filas são esperadas. E tem 42 artistas de 22 países para ver também, caso o vazio incomode muito.