O Brasil vai envelhecer de virada. E aí?
(Via Blog da HSM)
Imagine só a cena: você tem um sobrinho que precisa de um leito de UTI, e pode bancar hospital particular mesmo, mas não tem leito, porque está tudo ocupado com pessoas com mais de 60 anos. O que vai acontecer? Você vai pensar (ou dizer em voz alta, dependendo do seu autocontrole): “Meu sobrinho tem a vida inteira pela frente, esse velho já viveu a dele!” É o que basta. Está dado o sinal de uma guerra civil emergindo, no caso, guerra intergeracional. Infelizmente há um risco muito grande de que isso aconteça no Brasil nos próximos 17 anos.
Os números projetados assustam mesmo: em 17 anos, o Brasil deve dobrar a proporção de idosos –de 9% para 18% da população total. Em 2025, serão 32 milhões maiores de 60 anos e, em 2050, 70 milhões. Para comparar, os idosos da França dobraram de 7% para 14% do total em 115 anos, e a França já era um país rico – que continuou rico. Ou seja, a França teve tempo e recursos para implantar políticas específicas de enfrentamento do problema. (E ainda assim morreram 15 mil velhinhos lá naquela onda de calor uns anos atrás porque não abriam a janela.)
Nós, que estamos acostumados a ser um país jovem, vamos “envelhecer de virada” e, sem um planejamento bem feito, vão acabar desviando recursos dos programas de saúde da mulher, da criança e do trabalhador para tratar dos idosos. A tensão social decorrente dessa disputa pode ser gravíssima. Quem faz o alerta numa entrevista à HSM Management é o Alexandre Kalache, médico gerontologista carioca que chefiou o Programa de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) por muito tempo e foi professor de Oxford, e hoje é conselheiro do presidente da New York Academy of Medicine, além de embaixador global da organização não governamental HelpAge.
Alguém aposta nesse planejamento no Brasil? O assunto nem em pauta está… (nem vou mencionar reforma da previdência – oops, escapou.)
Fato é que essa virada etária vai influir muito no consumo, na produção, nas relações de trabalho, no marketing e na estratégia das empresas, porque tende a transformar a sociedade de modo geral. Mesmo que o governo não pense, melhor a gente pensar nisso, tanto como oportunidade quanto como ameaça.


