“Trabalhar duro é superestimado”

Meu pai sempre dizia: quem trabalha demais não tem tempo de ganhar dinheiro. Hoje a Caterina Fake, moça da foto e dona das aspas do título, falou algo parecido mas diferente: O importante não é trabalhar duro; é trabalhar na coisa certa. Em um texto escrito especialmente para o Business Insider, ela explicou a pegadinha: “Em geral, as pessoas trabalham duro na coisa errada”. E o porquê disso ela reservou para o último parágrafo: sem tempo para observar o que acontece no mundo e identificar padrões nos fatos (sem o ócio criativo do Domenico de Masi?) não se consegue chegar nem perto de determinar o que é a coisa certa. (E voltamos ao meu pai. Tempo.)

Vale a pena ler o artigo na íntegra, mas adianto dois pontos. A Caterina desacredita a máxima “Talento é 1% inspiração e 99% transpiração”, atribuindo-a ao Thomas Edison (eu sempre achei que era do Picasso) e esclarecendo que o inventor da lâmpada e fundador da General Electric fundamentalmente trabalhava nas coisas certas. Inclui também uma parte autobiográfica em que relata, arrependida, fases em que ela e o atual sócio trabalhavam 14-18 horas por dia, a maioria das quais de puro “freaking out“. Significa “surtar” em bom português e, no dicionário dela, é definido especificamente como: temer o fracasso, preocupar-se desnecessariamente, sentir pânico, trabalhar à toa (sem objetivo), pensar mais em levantar dinheiro do que em desenvolver produtos, ficar só olhando os concorrentes, criar funcionalidades em excesso (para o produto) etc.

Quem é essa Caterina? De fake não tem nada. É uma das fundadoras do Flickr (que vendeu em 2005 para o Yahoo) e também do Hunch (que daqui a pouco deve vender também, não?). Ou seja, a moça sabe ganhar dinheiro. E trabalhar duro é para os fracos. (Voltamos ao meu pai novamente. Por que eu não o ouvi?)