Slow food, slow blogging &…. slow news
Dan Gilmor, do Mediactive, centro dos Estados Unidos que visa democratizar a mídia, expôs a impressionante sequência de erros noticiosos no caso do major muçulmano que matou 13 pessoas a tiros na base militar de Fort Hood, Texas, Estados Unidos. Disseram que o atirador estava morto e não estava. Que havia dois cúmplices e não havia. E muitas barbaridades mais, no que foi chamada de uma “orgia midiática” de rumores, especulações e notícias falsas (e também de histeria dos blogs de direita) –se a gente investigasse bem, será que não encontrava o mesmo festival de asneiras aqui na cobertura, por exemplo, do apagão de anteontem? Gilmor quis mostrar como ele consome a mídia com cautela e parcimônia e assim, imagino, estava propondo que lhe seguissem o modelo. Para ficar em um exemplo, Gilmor classifica todas as notícias em primeira mão (breaking news) na categoria “fofocas” e se proíbe de tirar conclusões precipitadas sobre elas.
Isso ainda não é exatamente a “slow news” do título deste post, ou um “slow journalism” como o intencionado por colegas que Gilmor cita no texto dele, mas, sem dúvida, é um “slow reading” primitivo que me parece bastante sábio para qualquer leitor, em especial nos dias de hoje: ler mais devagar e, assim, desacelerar o feedback a uma notícia é o mínimo a fazer para se distanciar e ganhar perspectiva. O fato é que esse novo ciclo de notícias 24 horas precisa de ajustes, como diz Gilmor. (O que me convence, cada vez mais, que o mata-mata anunciado para a mídia tradicional e lerda é um “tiquinho” exagerado.)


