Se você fizesse o currículo, o que ensinaria?
Cópia descarada. O Britannica Blog iniciará uma série de posts com a proposta do título acima, especificamente para a high school deles, que tem 4 anos, equivalente ao nosso ensino médio, de 3 anos. Achei super legal e trouxe a ideia para cá.
O Robert McHenry, do Britannica Blog, ex-editor-chefe da Enciclopédia Britannica, reclama no post inicial dele que as escolas de hoje passam muito tempo tratando de processo e investem pouco no conteúdo. Engraçado, porque parece ser o oposto daqui, onde a gente vê a balança pesando mais para o conteúdo do que para o processo nas escolas privadas (nas públicas, tem um construtivismo meio improvisado vigorando, ok). Talvez a “processualização” ainda não tenha se esgotado no Brasil, enquanto, na Inglaterra, já deu o que tinha que dar. Ou talvez seja porque o RobertMcHenry é o próprio Mr. Conteúdo –editor-chefe da Britannica, afinal.
De qualquer modo, não me deixem só. Contribuam, com comentários e outros posts. Por exemplo, tem escola em que se aprende bordado, homens inclusive. Quem é a favor? Tem escola que dá aula de skate. Levantem a mão os que queriam isso para si ou para os filhos. Vamos, digam! O que vocês gostariam de ver ensinado nas escolas?
Joguei depois do jump meu currículo, com quase todas as disciplinas na linha de fazer os alunos criarem, superando a passividade. Minha contribuição para o brainstorming.
1) Leitura (nome mais simpático para interpretação de texto). Só textos legais na lista. Ficção, biografias, best-sellers, letra de música, o que fizesse pensar e desse prazer ao mesmo tempo. Valeria usar suportes de cinema, fotografia etc.
2) Redação criativa. Na verdadem eu aboliria português e, em seu lugar, poria as aulas de leitura acima e redação criativa.
3) Música. Com viés criativo também – alunos compondo e fazendo arranjos.
4) Teatro. Com viés criativo idem. Dramaturgos na classe.
5) Lógica/Debates. Trabalhar com ordens de grandeza entraria aqui, suponho. Acho super importante.
6) Laboratório. Física, química, biologia e matemática seriam todas reunidas sob o selo laboratório. Para aprender fazendo e entendendo, não decorando. O viés criativo, nesse caso, são os projetos. Como as feiras de ciências que vemos em filme americano.
7) Dança e expressão corporal. Tão importante quanto educação física, bom para mostrar que também somos corpo, não só cabeça (mas não só corpo, diga-se!), e com viés de criar coreografias etc.
Filosofia.
E, além de serem disciplinas em si, música, teatro, debates e redação criativa invadiriam todas as outras disciplinas como método de ensino. Imaginem aulas de história em que os alunos fazem uma encenação de algum acontecimento histórico importante, aulas de filosofia na forma de debate, aulas de geografia misturadas com música.
Como não sou educadora, tenho dúvidas se isso que propus ficaria melhor no ensino fundamental. Será? Mas a criação, que está na raiz de praticamente tudo que esbocei, me parece mais adequada na adolescência “late teen”, não na “tween”. De qualquer maneira, meu currículo pressupõe a desobrigação de guardar o conhecimento inteiro no nosso HD, como já defenderam os updaters Raquel Costa e Jorge Carvalho.


