As grandes corporações destruíram o mundo, mas são a melhor chance de reconstruí-lo.
Quando jovem, eu era um rebelde. Promovia debates, realizava festas ativistas e me vender ao sistema sempre esteve fora de cogitação. Em algum momento da minha história isso ficou para trás. Talvez uma flexibilidade moral que vem com a maturidade ou simplesmente a conclusão que as coisas são de um certo jeito. Hoje sou publicitário.
Sendo parte essencial de um sistema que eu lutava contra, cheguei a uma conclusão prática que justifica o titulo desse post: É hora da publicidade devolver ao mundo tudo aquilo que ela pegou emprestado todos esses anos.
Algumas questões ainda me assombram e, com certeza, ecoam também na cabeça de alguns de vocês. Até onde você iria? Você que não fuma faria propaganda de cigarro? Você que é tucano faria publicidade para o PT? Você vegetariano faria anúncios para um frigorífico? Ou, talvez , as perguntas certas seriam: quanto eles teriam que pagar? Qual o seu preço?
A publicidade é um dos mercados mais poderosos do mundo. É uma das poucas profissões não públicas que tem um potencial transformador tão grande. Principalmente no Brasil. Slogans publicitários são citados como velhos ditados: o efeito Tostines, assim uma Brastemp, Mil e uma utilidades são usados para exemplificar fatos do nosso dia-a-dia.
Além desse poder mobilizador, estamos vivendo uma situação muito peculiar na publicidade. Na caçada dos views perdidos só a informação, o anúncio no sentido literal, não basta. Temos que realizar algo concreto, oferecer algo mais, seja uma experiência de entretenimento, um serviço ou algo real que provoque o desejo.
Se de um lado temos grandes empresas gastando milhões em campanhas que tentam oferecer algo para as pessoas. Temos de outro, instituições sem fins lucrativos que geram o boca-a-boca tão desejado, sem dinheiro e com muito suor. E para piorar os profissionais são obrigados a dobrar suas horas de trabalho para criar cases premiáveis. Porque isso tudo não pode ser parte de uma coisa só? Por que a Evian não poderia ter feito o case do “Black boy wanting water”? Por que a Apple não poderia ter feito o “Save as WWF, save a tree”? Por que a Samsung não poderia ter feito o “Black Pixel Project”?
As pessoas lembram muito mais o que uma marca faz do que algo que ela disse. Por que isso não pode ser a favor da nossa sociedade? Por que precisamos esperar a máquina corrupta do estado se mexer se podemos gerar awareness ao resolver problemas reais? Temos nas mãos briefings milionários de corporações poderosas, vamos usá-los para o bem de todos nós. Em uma guerrilha onde o inimigo é o desperdício de idéias, que Marx me perdoe, mas… publicitários do mundo, uni-vos!!!
Black boy wanting water
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=Q_e6RO5NTqQ[/youtube]
save as WWF, save a tree
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=MzY4SGgEB7g[/youtube]
Black pixel Project
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=QE_XAo9IHug[/youtube]


