Casamento Real, o que isso realmente significa?

Já digo logo que a cerimônia do casamento real não me interessa muito. Mas também não condeno os bilhões de pessoas que devem estar vidrados em frente à TV enquanto escrevo esses três posts (*). Tudo que sei do vestido da princesa, dos protocolos da cerimônia e de todos esses tipos de detalhes foi pelo que li na timeline do Twitter. Até brinquei que parecia o Mito da Caverna de Platão.

O meu real interesse é justamente pelo fascínio que esse evento provoca nas pessoas. Afinal, o que significa um casamento real em pleno 2011? Enquanto alguns povos do Oriente Médio tentam derrubar seus monarcas o mundo “civilizado e democrático” se encanta por um ritual que vem de tempos muito remotos. Alguém que chegasse na Terra agora não entenderia nada.

No vídeo abaixo um professor de história da Universidade de Emory dá um rápido panorama histórico e político do significado dos casamentos reais. Dura só 2 minutos e meio e tem uma batelada de informações interessantes.

É interessante notar como as coisas mudaram mas continuam essencialmente iguais ao longo do tempo. Antes a importância do casamento real estava na possibilidade da família governante gerar herdeiros e assim se perpetuar no poder. As histórias de casais reais que não conseguem gerar filhos varões, ou mesmo filhas, são contadas até hoje. Em resumo, a mulher que se casava com o rei (ou futuro rei) tinha como principal objetivo a procriação.

Agora o casamento de Kate e William continua sendo uma ferramenta essencial para a manutenção daquela família no trono inglês. Mas duvido que uma possível infertilidade será vista como uma tragédia. Técnicas de fertilização assistida vieram para ficar. E aí até palpito que, se a monarquia não acabar antes, haverá algum rei ou príncipe que tenha a idéia de adotar crianças. Isso seria visto como uma ação muito nobre pelos defensores do politicamente correto.

Mas então, por que a cerimônia continua sendo importante? Respondo em uma palavra: mídia. Com o downsizing de poderes efetivos da família real inglesa as únicas histórias que justificam ser replicadas são as familiares. O problema é que, no íntimo, essa família deve ser como a minha ou a sua, ou seja, cheia de virtudes, esquisitices e escândalos. Nesse cenário uma festa de casamento é ótimo para gerar um PR positivo de vez em quando.

Antigamente o casamento real tinha um caráter totalmente político, com famílias combinando casamentos conforme interesses maiores que o amor. Agora é perfeitamente possível que um príncipe se apaixone por uma plebéia e escolha ficar com ela. Mas será que não há política nisso também? Em uma realidade em que transparência e igualdade são valores cada vez mais demandados essa é a história de amor que as pessoas querem assistir. Ouso dizer que seria bastante estranho se em pleno 2011 William escolhesse uma esposa de origem nobre para casar. Fora a fábula da ascensão social. As histórias de reis e rainhas perderam espaço para a da Cinderela.

Aí vão três referências para quem quiser entender mais sobre a monarquia inglesa do passado distante, passado recente e hoje.

The Tudors, série produzida pela HBO. É baseada na história real, mas alguns fatos históricos foram modificados para que a trama ficasse mais coesa. Mostra basicamente o reinado de Henrique VIII no século XVI.

O Discurso do Rei, ganhador do Oscar desse ano. Pode discordar do prêmio, mas é um filme acima da média e mostra um drama mais recente da monarquia inglesa, a gagueira do rei Jorge VI.

E, por último na ordem cronológica, A Rainha, filme recente sobre a crise na família real pós-falecimento da ex-princesa pop Lady Di.

o vídeo do post veio daqui

(*) Esse post faz parte de um experimento. Escrevi 3 posts sobre o mesmo assunto, mas com pontos de vista diferentes. Simultâneos, e cada um publicado em um blog diferente. Os outros posts foram linkados ao longo desse texto, procure. ;-)