Sobre TEDx, vinhos e espumantes

Quando eu fui convidado para o TEDxValedosVinhedos, que aconteceu em 1 de outubro, para representar o Update or Die como veículo de “imprensa”, logo me perguntei: será mesmo que o mundo precisa de mais um TEDx?

Sou fã de carteirinha do TED há muito tempo, desde quando alguém me enviou o vídeo de alguma palestra incrível. A partir daí foi paixão à primeira vista, a ponto de passar madrugadas inteiras vendo o que o site tinha a me oferecer, palestra após palestra, sem filtro para assuntos. Me senti um pouco como que voltando para a escola, mas com a vantagem de poder frequentar só as aulas legais.

Quando eles abriram a plataforma para organizadores independentes que quisessem reproduzir o formato em outros lugares minha cabeça explodiu. Fiquei contando os dias até que surgisse a primeira iniciativa brasileira, e aí chegou o TEDxSãoPaulo. Minha inscrição para ir ao evento foi aprovada eu comemorei como se tivesse passado no vestibular. Finalmente veria algum TED de perto, legal! E a experiência foi muito boa mesmo.

Logo depois foram pipocando outros TEDx aqui e ali, e de uma hora para outra o evento tinha virado febre dentro de um determinado público (publicitários, designers, empreendedores, ativistas etc.). A parte boa desse tipo de movimento é que a informação se democratiza. A parte ruim é que fatalmente perde-se a qualidade. Cheguei a ir em outros TEDx e comecei a ver mais palestras que me davam sono do que me despertavam. Fora o lobby de palestrantes duvidosos que frequentam eventos do mercado e agora estavam contaminando o sonho do Chris Anderson.

Os TEDx estavam se tornando eventos de “ver e ser visto” e, por essas e outras, cogitei não ir até a serra gaúcha, e deixar de tomar os vinhos e espumantes da região. Mas como eu estava precisando desligar a cabeça de São Paulo, acabei topando…

…e tive uma das surpresas mais agradáveis de 2011!

Se eu pudesse dar uma dica, só uma, para organizadores de TEDx, ela seria: não escolham os palestrantes pela fama, mas sim pela história que eles tem para contar. Vou usar o Jô Soares como paralelo. Quando ele entrevista um figurão da Globo geralmente é um saco. Já quando é alguém desconhecido, mas com um ponto de vista original sobre a vida, quase sempre é bom.

Enfim, parece que os organizadores do TEDxValedosVinhedos ouviram minhas preces e fizeram um evento exatamente assim! Quando vi a lista de palestrantes só conhecia um, e mesmo assim essa foi sua primeira vez no TED. E não é assim que deveria ser? O TED é uma plataforma sobre o extraordinário, e não sobre a mesmice.

Tive o prazer de ouvir gente como Marsal Branco, coordenador do curso de Tecnologia em Jogos Digitais de uma universidade local, que traçou um paralelo entre gamification e o próprio processo de aprendizado dos alunos. Ele é um profissional que foge daquele velho ditado “casa de ferreiro, espeto de pau”.

Depois veio gente como Bruno Barreto, um programador de 20 anos que criou o SACSP e é ativista pela transparência de dados do governo. Com 10 anos a menos o cara já fez muito mais pela sociedade do que eu. É um soco no estômago.

Bob Wollheim, o único que eu conhecia da lista, deu uma visão bastante pessoal sobre as diferenças entre as gerações X, Y e Z. Sopa de letrinhas à parte, foi uma grande palestra sobre a necessidade de abrir espaço para quem está vindo aí.

Outro destaque foi Jesus Delgado, venezuelano radicado na Bahia que dedicou sua vida à educação ambiental, fazendo no TEDx um discurso bastante apaixonado sobre as disparidades absurdas que a nossa sociedade enfrenta quando o assunto equilíbrio entre o Homem e a natureza.

E, por fim, o grande destaque da noite, Nathalie Trutmann, uma simpática guatemalteca radicada em São Paulo que aproximou a FIAP, onde é Diretora de Inovação, da Singularity University, instituição ligada à NASA. O curioso é que esse grande feito profissional passou quase batido frente à sua fascinante história de vida, tão cheia de inquietudes que, em determinada época, ela pegava um ônibus cuja viagem demorava 20h só para ouvir um som que a tranquilizava: o das rodas na estrada. E assim que chegava no destino pegava outro ônibus para voltar.

A grande lição desse TEDx foi uma frase dita em uma das palestras: a vida é mais divertida e interessante quando a gente escolhe o caminho mais difícil. Inclusive o caminho de seguir fiel ao propósito da plataforma TED. Parabéns a todos os organizadores!

Ficou curioso? Quando saírem os vídeos eu vou publicando por aqui…

post inspirado por outros posts: aqui e aqui.