Hospital cria ponto de ônibus falso para pacientes com Alzheimer’s

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Ponto de ônibus

Um daqueles cases que só reforçam minha fé nas boas ideias.

Pessoas com Alzheimer’s frequentemente têm surtos de desorientação e entram em pânico.

“Onde estou? O que estou fazendo aqui?”

Quando isso acontece, eles fazem o que qualquer um de nós faria nessa situação: param o que estão fazendo e tentam chegar em casa.

Daí que um hospital de Dusseldorf, na Alemanha, decidiu criar um ponto de ônibus falso em frente ao prédio do hospital. A única diferença para um ponto normal é que nenhum ônibus passa ali.

À primeira vista, a ideia não foi bem aceita pelo staff do hospital. Mas isso somente até o primeiro paciente que estava em pânico ser levado por uma enfermeira até o tal ponto de ônibus. Segundo a enfermeira, enquanto “esperavam” o ônibus que supostamente o levaria para casa, a urgência do paciente em sair dali foi cessando, eles dois foram conversando calmamente e em poucos minutos o paciente aceitou voltar para dentro do hospital.

Homem no ponto de ônibus

Além de algumas enfermeiras levarem pacientes até o ponto para poder tranquilizá-los, algumas vezes os pacientes que fogem escondidos do hospital são vistos pelo staff sozinhos, sentados no ponto de ônibus, esperando. O próprio fato de esperarem pelo ônibus sentados – em um ambiente menos claustrofóbico do que o interior do hospital – acaba acalmando um pouco os pacientes. E, naturalmente, em poucos minutos eles esquecem o pânico e voltam a enxergar a realidade.

É o tempo da enfermeira ir até o ponto e conversar com o paciente.

Segundo um dos médicos, “o esquecimento é o problema e também a solução”.

Algumas pessoas foram contra a criação do falso ponto de ônibus por acreditarem que mentir para o paciente não fosse uma boa ideia. O problema é que as outras formas de evitar que esses pacientes fujam do hospital durante um surto são: trancar a pessoa em um quarto fechado ou drogá-la com tranquilizantes. Nenhuma dessas opções seria tão simples e tão respeitosa quanto a solução criada pelo hospital.

Foi só o número de pacientes perdidos começar a diminuir, que a solução acabou se provando eficaz.

Como bem observou Mel Edwards em seu blog, esse exemplo do hospital é um excelente case de Design que mostra como é possível usar a criatividade para o bem.

Os criadores do ponto de ônibus, além de terem se preocupado com as necessidades e sentimentos dos pacientes, médicos e familiares quando um surto desses acontece, ainda se preocuparam em permitir que o paciente agisse sob sua própria vontade. Ao invés de forçarem o paciente a fazer algo, preferiram posicionar as peças do tabuleiro de forma que ele tomasse as decisões desejadas pelos médicos – sem precisar passar por nenhuma violência física ou psicológica.

Claro que existem muitos poréns em um assunto tão delicado quanto esse.

Mas para mim, isso é incrível.

Comments

  1. Claudineia Burtet says:

    Quando possivel, uma grande ideia!

  2. Genial e de uma sensibilidade impar.

  3. Julio says:

    Se for o caso de estarem mentindo para o paciente, então o que é o placebo?

  4. Ccamposneto says:

    Maravilhoso

  5. Laura Jane says:

    Acho que embarcar na “fantasia” de quem tem Alzheimer é extremamente necessário. Não concordo com mentir mas ‘viajar’ junto daqueles que amamos e que no momento precisam de qualquer tipo de ajuda, é super válido.

  6. ursula says:

    a questão aqui não é mentir, e sim entrar na história do paciente. achei ótimo!

  7. Danilo Bueno says:

    Genial. Que bom q isso foi feito em um país que valoriza as novas ideias e que vê a inovação como uma forma de melhorar o mundo, não como um desafio ao conhecimento e poder estabelecido de alguns.

  8. Candido says:

    Ok, boa idéia. Mas, o que fazer com o “ambiente claustrofóbico” dos hospitais??? Bom lembrar: hospital também adoece as pessoas…

  9. Sandramangolin says:

    maravilhoso, idéia genial, adorei o post

  10. Wagner Brenner says:

    Sensacional. Viva os médicos que assobiam durante a consulta, principalmente os da emergência. Lembrar que dentro de um corpo estrupiado tem um cérebro em pânico é humanizar e acelerar a solução. Nota 10 para iniciativa e pelo achado Fabricio.

  11. Fabiane Secches says:

    Ideia ousada, simples e genial, Fabrício. Tb gostei mto do post.

  12. Raquel Costa says:

    Ótimo post! ;)