Ah, esses Neutrinos…

O assunto não é tão novo, mas como a revista Discover de janeiro decidiu que esta foi a notícia científica mais relevante de 2011, acho que vale o post.
Há 3 anos, uma equipe multinacional de 174 físicos disparou neutrinos desde o quartel-general do CERN em Genebra até Gran Sasso, na Italia. Durante o experimento, acompanharam o trajeto de 16.111 partículas e mediram o tempo que as danadas levaram para percorrer a distância. O resultado foi analisado durante meses. Em setembro passado, o CERN publicou o resultado estarrecedor: os neutrinos chegaram a Italia 17 milhonésimos de segundo mais cedo do que deveriam chegar (aqui o texto do resultado oficial).
O que isso significa? Significa que os neutrinos fizeram o percurso numa velocidade acima da velocidade da luz (182.000 milhas por segundo), coisa que o velho e bom Albert assegurou ser impossível em sua Teoria da Relatividade.
Esta pequena discrepância ocorreu numa distância mundana, da Suiça para a Italia, e nós que vivemos nessa mesma escala mundana, podemos achar que essa fração de segundos não é importante.
Ocorre que o fato da velocidade da luz ser a velocidade máxima possível no Universo, é uma das colunas de sustentação da Física que conhecemos. E numa escala astronômica, superar a velocidade da luz traz consequências desconcertantes.
Uma dessas consequências, por exemplo, é que – se é possível viajar mais rápido do que a luz – é possível inverter o fluxo do tempo. Ou seja, uma mensagem enviada num neutrino, teoricamente poderia chegar ao destino antes de ser enviada(!). Ou, numa leitura mais filosófica, o efeito pode preceder sua causa.
O resultado da experiência é tão inusitado, que os próprios físicos, além de refazer, recalcular e reanalisar os resultados, pediram que a comunidade científica conferisse o trabalho, na esperança de encontrar algum erro. Mas o físico e porta-voz Antonio Ereditado alerta para que não subestimem o trabalho: “Não somos estúpidos”.
Alguns físicos se apressaram com explicações que justifiquem o fato, ao mesmo tempo que resguardam o trabalho de Einstein.
Uma das teorias que está sendo avaliada é a de uma equipe de físicos chineses. Segundo eles, a energia escura, uma espécie de antigravidade que existe no Cosmo e acelera a expansão do Universo, poderia distorcer o espaço-tempo próximo a grandes massas como a terra, diminuido a distância a ser percorrida pelos neutrinos em cerca de 20 metros, suficiente para explicar a ilusão de uma velocidade superior à da luz.
Mas, se o resultado do CERN estiver mesmo certo, a Teoria da Relatividade não vai para o lixo, mas boa parte do trabalho de Einstein terá que ser revisto (como ele mesmo fez com o de Newton).


