O brinquedo que detonou os ante-braços de uma geração

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Na semana passada estive em um dos maiores institutos de pesquisa e apontamento de tendências de consumo entre crianças em idade escolar: a banca de revistas perto da minha casa.
Não sei explicar muito bem o método deles, mas a taxa de acerto do próximo hit dos recreios e das saídas dos colégios é consistente.
Se você entrar numa banca e der de cara com um objeto meio bizarro, pode ter certeza que aquilo vai ser (ou já é) a próxima modinha na escola.
Foi lá que vi surgir algumas das grandes manias como Tazos, Diabolos, aquele pozinho que borbulha na boca e eu não sei o nome, Beyblades, Cards de Pokemon, figurinhas de todo tipo, etc.
Tudo disfarçado de brinquedinho de boca de caixa, mas que se a gente bobear acaba comprando uma bicicleta (a velha armadilha do pai/mãe que compra um monte de revistas e não tem coragem de não levar uma besteirinha pro filho, um clássico da chantagem emocional).
Enfim, foi por isso que fiquei muito feliz quando dei de cara com o mais novo candidato a objeto esquisito, que na verdade não tem nada de novo e que para mim é muito familiar: um clacker (Ker-Bangers)!
Sim, aquele barbante com duas bolinhas nas pontas e que passei minha infância infernizando minha mãe e meu ante-braço e que a molecada já apelidou carinhosamente de quebra-osso.

Era o DS da minha época, a gente passava horas fazendo o maldito cláck-cláck-cláck-cláck-AI!!!, cláck-cláck-cláck-cláck-AI!!!
Depois de deixar meu filho brincar 3 minutos antes de tomar posse do brinquedo, eu precisava pesquisar sobre o assunto.
Reza a lenda que os originais, fabricados no final da década de 60, eram feitos de vidro.
Em 1971 foram retirados das prateleiras depois de vários relatos de contusões oculares e nos braços, fraturas de pulso, inclusive.
Nada surpreendente já que o brinquedo foi inspirado nas boleadeiras, uma arma usada pelos gaúchos e argentinos para laçar boi, e ainda por cima numa versão de vidro. Se a vítima não era o próprio dono do brinquedo, fatalmente era alguém bem ao seu lado.
Rapidamente surgiu uma versão de plástico, ainda bem duro, e foi essa que chegou ao Brasil. Mas os acidentes não pararam e depois de muitos braços e olhos roxos, os Clackers sumiram novamente no começo da década de 80. Agora voltaram, em uma versão de plástico bem mais leve, mas ainda capaz de provocar uns palavrões infantis por aí.
Se você é dessa época e quiser emocionar seu ante-braço, corra até a banca mais próxima e vá ensinar uma nova geração na porta de alguma escola.

Fora isso, aprendi que as mocinhas que andam fazendo barulhinho com seus saltos altos por aí também são chamadas de “clackers”. Bonitinho.
Update: aprendi também que foi um dos brinquedos levados para teste no espaço. Não funcionou (tem umas coisas que a NASA faz que não dá pra entender muito né?)


