Faz algum tempo, a Manu, minha filha de 13 anos, me levou para assistir o show da Katy Perry.
Bacana.
Quem tem filha adolescente deve saber do que estou falando.
A moça inventou um visual débil-adolescente que pegou em cheio quem está naquela idade de pular da infância para a adolescência. Os pré-teens. No palco tem pirulito, tem balão, tem festinha de buffet infantil, mas a música é um pouco mais dançante, um pouco mais “adulta”. O nome do álbum é perfeito nesse sentido: Teenage Dreams e, não a toa, bateu o recorde de Michael Jackson em termos de “top hits” num mesmo álbum.
O show no Rock in Rio foi um desastre, mas o da Chacára do Jockey foi um sucessão.
Eu mesmo, do alto da minha maturidade e bom gosto musical inquestionável, confesso que cedi e me peguei [pequei?] batendo o pezinho.
Aí, hoje, no trânsito, comecei a ouvir um dos hits mais antigos: Last Friday Night.
Parado na 9 de julho, baixei a letra para ouvir melhor o que a moça diz e é com prazer que divido com os leitores do UoD, para que – quem sabe – tenham a mesma surpresa que eu tive.
Tem um estranho na minha cama,
Minha cabeça está explodindo.
Tem glitter por todo quarto
Flamingos na piscina
E eu cheiro como um minibar.
O DJ desmaiou no jardim.
A Barbie está na churrasqueira
Tenho uma chupada (hickie) ou um hematoma
Fotos de ontem à noite
Acabaram online
To ferrada
Fazer o que?
Não lembro de quase nada (black top blur)
Mas tenho certeza que foi o máximo.
Na última sexta-feira a noite
Nós dançamos sobre a mesa
Enchemos a cara
Nos beijamos mas esqueci.
Na última sexta-feira a noite
Estouramos o cartão de crédito
Fomos expulsos do bar
E caímos na sarjeta
Ficamos de bobeira no parque
Nadamos nus no escuro
E fizemos um menage a trois
Na última sexta-feira a noite
Acho que quebramos a lei
Sempre achei que iríamos parar
Mas essa sexta
Faremos tudo de novo.
Nessa sexta
Faremos tudo de novo.
To tentando ligar os pontos
Não sei o que dizer pro chefe
Guincharam meu carro
Candelabro no chão
Com meu vestido de festa
Mandato de prisão pra mim
Acho que eu preciso de uma ginger ale
Foi um “epic fail”
E por aí vai. No fundo, nada de novo.
Meu pai nunca gostou de Led Zeppellin.
Quem sou eu pra posar de moralista.
Mas, como pai, conversei com a Manu sobre o assunto. A resposta?
Fala serio!
A gente gosta do ritmo da musica e nao importa a letra!
Aliás tem músicas muito piores que essa e vc nem sabe!
E ainda por cima se você não deixar escutar as musicas por causa da letra,
Eu cresci acompanhando o Update or Die, cada post era uma descoberta nova que me fazia passar mais algumas horas procurando mais informações pela internet. Ele foi (e continua sendo) uma das minhas grandes influências profissionalmente e o maior responsável por alimentar minha curiosidade. Tanto que me orgulho muito de ter sido convidado para fazer parte do time de updaters, depois de muito comentar nas páginas do coletivo. É um ótimo portfolio profissional e um belo motivo para me manter informado e pensar de forma diferente todos os dias
FELIPE PACHECO Profissional de criação na agência Pólvora
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