A relação entre a Gambiologia e a Comunicação dos nossos tempos

New Career Machine - By Rude Goldberg

Tudo parte de um ponto de vista, tudo. E este post começa com o ponto de vista do artista plástico e cartunista americano Rube Goldberg, que no início do século passado criou a tal Máquina, que em várias versões fictícias apresentava processos extremamente complicados para realizar tarefas muito simples. O que eu considero algo genial para aquela época pois ele antevia que o homem criaria esses mesmos processos para o cotidiano num futuro próximo.

Já nos dias atuais, um grupo de artistas que cultiva um ponto de vista em comum se juntou e criou a Gambiologia, um conceito de “não metodologia” aplicada em obras sem esboço prévio, termo inexistente na Wikipédia, e que passou a ser o próprio nome do coletivo. Dentre as diversas obras, destaco um painel interativo, inspirado no conceito de Goldberg chamado Random Gambiérre Machine (foto abaixo), que utiliza elementos resgatados de ferro velho e peças de coleções plugados a um sistema que ativa aleatoriamente seus componentes, propondo tensões entre o high e low tech.

Obra do Coletivo Gambiologia - Foto Ogalha

Neste momento esta obra está exposta ao público no Instituto Tomie Ohtake até 16 de setembro, juntamente com as de outros artistas numa exposição de arte digital.

E eu estive nesta exposição dias atrás e de frente para esta obra comecei a identificar semelhanças com meu cotidiano, principalmente com as estratégias de comunicação atuais. São mecânicas, tecnologias e linguagens que estão dificultando o entendimento das mensagens e a relação com seus públicos.

Claro que a comunicação e suas ferramentas evoluíram, mas isso não significa que elas devam ser complexas como a máquina desenhada por Rube e muito menos deva ser criada num processo de gambiarras entre downloads, ativações, cadastros, tecnologias de holografia, dezenas de redes sociais, limitados a alguns aparelhos ultrassofisticados que utilizarão um novo aplicativo móvel que ninguém conhece e até uma reza brava para poder se relacionar com aquela marca que se admira.

Sim, eu sou a favor das novas tecnologias na comunicação, um entusiasta inclusive. Mas sou contra as estratégias que perdem o foco diante de tantas possibilidades deixando as pessoas confusas e  que abandonam a relação no meio do caminho, na maioria das vezes.

No nosso tempo, estamos dificultando o processo de comunicação, quando deveríamos simplificar. E as tecnologias estão aí para isso.  As pessoas querem dialogar e se relacionar com as marcas mas, por favor, que seja uma relação interessante por sua facilidade em entender um ao outro e conversarem entre si.

Mas isso é apenas o meu ponto de vista.

Leandro Ogalha
Sócio-diretor de estratégia digital na Tboom, consultor na Ideialab, produtor de arte urbana no Intervencoes.com

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