Comi seu cérebro e morri de rir

O título do post é engraçadinho, mas não teve muita graça o que o pesquisador Daniel Gajdusek encontrou em tribos aborígenes da Papua Nova Guiné.

Na década de 50, em uma exploração do governo australiano na Papua Nova Guiné, foi identificada uma “epidemia de kuru”, que, no aborígene local, significa tremedeira. Além do sintoma que dá o nome original a doença, o contaminado vai ficando cada vez com menos controle de seu próprio corpo, com ataques incontroláveis de gargalhadas, o que a fez ficar conhecida como “doença do riso”.

A epidemia atraiu pesquisadores do mundo todo para a região, que começaram a analisar tecidos cerebrais de crianças mortas pela doença. Em 1976, Gajdusek cruzou sua formação médica com pesquisas na cultura local e descobriu o motivo que tornava a doença tão única: as principais vítimas eram mulheres e crianças que ingeriariam cerimonialmente o cérebro dos familiares mortos, em um ritual de luto tradicional na região.

Isso mesmo! A doença era causada pelos atos de canibalismo culturais dessa tribo, especialmente por eles comerem o cérebro. Graças a essa descoberta, Daniel Gajdusek ganhou o Nobel de Medicina.

O vídeo que ilustra o post é o trailer de um documentário sobre a kuru. Pela forma de contaminação,  é considerada a doença mais rara do mundo, mas é surreal como até hoje ainda há casos dela, sempre na mesma região. Cultura é uma coisa que não se muda com disclaimers.