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Vou explicar a foto, mas antes o contexto: Nos últimos três dias não parava de nevar nos Himalaias e eu estava próximo do meu objetivo, na verdade há exatos 1,5km de distância com 530 metros de ascensão. Acordamos às 5 da matina no Campo Base do Machhapuchhre, neve que não acabava mais (o blog do projeto tem mais fotos e textos) e muito frio.

Bom, vou resumir a história. Atacamos o Campo Base do Annapurna com 12 graus negativos e 20cm de neve. Tivemos sucesso, emoção que não acabava mais até eu perceber que não sentia mais os dedos dos pés. Retornamos ao Machhapuchhre e ai entra a história da imagem do post.

Amigo, o dedão do meu pé direito tinha congelado, roxo e imóvel.

Na verdade os dois pés ficaram detonados porque obviamente não tinha me preparado pra essa virada no tempo. A sensação é de pavor, a única coisa que pensava era que poderia perder o dedo, o pé, sei lá, tava desesperado. Os nativos do Campo Base do Machhapuchhre colocaram uma espécie de graxa com mel quente nos meus pés, fizeram uma massagem, enfiaram as meias e esses sacos plásticos, um deles estava na minha mochila, direto do Brasil. Calcei as botas desse jeito e, sem perder a coragem, partimos para Sinuwa, vilarejo bem mais abaixo, longe da neve e de riscos de avalanches. Foram sete horas de tensão absoluta, ficava repetindo o mantra Jojo Iaia Teteu (meus filhos) o tempo todo. Chorava baixinho, onde mamãe não vê, muito medo.

Ao chegar em Sinuwa, meu guia tirou minhas botas, situação um pouco melhor, mas ainda tensa. Fizeram uma bacia de água quente com uma espécie de sal grosso e meti os pés lá.

Nunca tinha congelado na vida, nunca tinha sentido terror com nada. Não desejo pra ninguém.

Namaste.

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