O making of de um ditador. As fotos que Hitler queria destruídas.

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Essas fotos foram tiradas em 1925 e mostram o Hitler ensaiando para ser… o Hitler.

E não era para você estar vendo.

Foram tiradas logo depois que ele cumpriu 9 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Durante esse tempo de sobra para reflexão, concluiu que não conseguiria tomar o poder a força e que precisaria de uma nova estratégia. Decidiu pela persuasão. E criou a persona do Hitler que conhecemos.

Foram 14 anos de ensaio até o começo da Segunda Guerra Mundial. Vou repetir: 14 anos de ensaio.

Nessa época, seu amigo e fotógrafo Heinrich Hoffman fazia sessões particulares para Hitler poder avaliar seu gestual em discursos.

Numa pequena salinha, o baixinho bigodudinho apertava o play no seu gravador e, enquanto ouvia seus próprios discursos, ensaiava meticulosamente cada gesto, cada punho fechado, cada braço erguido, cada dedo que apontaria mais tarde para a população alemã. Foram 14 anos aprimorando o personagem. E se você assistir a qualquer um de seus discursos, vai estar diante de um trabalho hercúleo, lapidado em unidades de segundos e sílabas.

Depois dessa sessões de fotos, Hitler sempre ordenava que os negativos fossem destruídos, mas Heinrich Hoffman preferiu guardar algumas fotos através dos anos, até publicar as 8 imagens que sobreviveram pulando de arquivos em arquivos, até serem publicadas em seu livro de memórias em 1955.

Toda vez que leio ou assisto alguma coisa sobre o Hitler e todas as atrocidades que cometeu, fico me perguntando como um único ser humano foi capaz de mobilizar e influenciar tantas pessoas a ponto de cometerem as piores barbaridades?

Suas promessas não eram comuns. Falava de coisas absurdas como raça superior, de genocídio, aliás, um termo criado justamente em 1944 para definir o que o Hitler fez.

Como então um tipinho de triste figura como esse conseguiu convencer milhões e milhões de pessoas a acreditarem em ideias tão obviamente erradas?

Pensa bem: as campanhas de hoje, bem intencionadas e nobres, com TV, rádio e internet não conseguem nem fazer a gente respeitar ciclista, usar camisinha, doar sangue e atravessar na faixa.

Mistério.

Do ponto de vista de propaganda é provavelmente o maior dos cases, junto com as feitas pelas religiões. Ainda mais se pensarmos que naquela época não haviam os meios de comunicação que temos hoje (vantagem ou desvantagem?).

O fato é que Hitler conseguia um efeito hipnótico nas multidões. Colocava-as em transe usando ênfase misturada à própria reação da massa, neutralizando assim qualquer pensamento crítico. E os alemães embarcavam 100% na emoção e na promessa de uma nova Alemanha.

Até hoje os discursos políticos carregam a indignação, fez escola. O Collor era um grande adepto do estilo, lembramos bem. Há quem diga que mais importante do que falar é como falar. E funciona.

Enfim, veja abaixo as 8 fotos que são o making of de um ditador. História sendo feita diante dos seus olhos (ah, a Internet).

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16 Responses / Leave a comment

  1. niletheriver

    Você acha mesmo que tudo o que ele fez justifica controle da população mundial e avanço da medicina? Entendo as consequências, mas são justificáveis pelos horrores que vimos?

  2. niletheriver

    Muito bom, o post. Importante estabelecer uma comparação a outros líderes que conhecemos, como você fez com o Collor. Interessante lembrar como Obama também hipnotizava multidões tecendo promessas de “MUDANÇA” e também teve um aparato de propaganda absurdo, na candidatura do seu primeiro mandato.

  3. wagner

    Boa Alex, sem dúvida tem todo esse contexto mesmo, mas o cara não virou símbolo de uma potencial prosperidade alemã à toa, era talentoso na persuasão. Pena, que do lado negro da força. Obrigado pelo complemento!

  4. Anonymous

    Acho interssante como é fácil falar mau de Hitler, mas reflita sobre isso: 1º como estaria a população mundial hj se todas as pessoas que morreram naquela época não tivessem morrido e ainda tivessem procriado, não só elas mas seu fihos e netos, etc. 2º Como teria sido o avanço da medicina , afinal muito progresso se fez por conta de experiências que hj seriam proibidas, mas com certeza foram necessárias.

  5. Alex Borba Duarte

    Wagner, a questão é que inicialmente ele era visto como um louco que não chegaria a lugar algum pelo poder hegemônico alemão e na verdade ele perdeu todas as eleições que concorreu. Só que mesmo depois de duas ou três eleições a Alemanha continuava decadente e miserável e dai ele foi se fortalecendo. Ele iniciou seus discursos em um momento histórico de pós primeira guerra mundial e isso vai ser decisivo para a sua ascenção. O povo alemão se encontrava com um sentimento de derrota e na a maioria beirando a miseria , a crise econômica era tão grande que grande parte da população não tinha condições de comprar alimentos para a sub existência (aqui basta olhar as sanções impostas a eles no período pos primeira guerra). Os primeiros a se aliarem a ele então foram os militares revanchistas e depois certas classes trabalhadoras. No fim a figura do Hitler na Alemanha era muito mais uma figura de prosperidade na Alemanha e recuperação econômica. É a historia de quase todo regime extremista que ascende ao poder… Vide o islam no Irã. (Que fique bem claro que acho o cara um lunático e genocida, só achei importante demonstrar como o contexto histórico influencia o destino de toda uma nação.

  6. Anonymous

    Gustavo, obviamente que ele fez discursos durante esses 14 anos (senão essas fotos não seriam de 25) e não apenas no começo da WWII (que aliás, se escreve assim). Durante esse tempo ele foi aprimorando sua técnica até chegar aos anos mais intensos, que foi justamente a partir de 39, com o começo da guerra. Lembre-se, um bom historiador não ė aquele que sabe datas, mas que interpreta os fatos. O post é sobre persuasão e não datas. Um abraço!

  7. Kátia Rocha

    Que belíssimo texto, Wagner!

    Mas olha, diante dessas fotos e desses fatos, o que eu sinto é… é inominável ainda!
    Assim como o termo “genocídio” foi criado pra melhor definir o que esse cara fez, vão ter que criar um termo pra definir melhor o que pessoas de bem sentem diante da vida e “obra” desse genocida!

  8. Gustavo

    Em 1939 começou a IIWW, 14 anos depois de sua prisão. Porém ele começa os discursos e sua ascensão política MUITO antes do início da guerra. Então essa história de 14 anos está completamente equivocada.

  9. Helena Bernardes

    Wagner, se puder atualize um erro de digitação: “Como entnao um tipinho de triste figura” ;)

    E, na minha opinião, ele incitou o que mta gente tinha dentro de si, afinal, ninguém segue ou apóia alguém se não existe alguma consonância de sentimentos ou ideias…