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Por Fabiana Baraldi, mãe do João, do Chico e publicitária.

Quase que com um tom polianístico, ressalto para mim mesma que escutar tudo aquilo caiu como uma luva para o momento em que estou passando…

E, eu escolhi ler dessa forma:

Dia 1

Cheguei no primeiro dia do Festival Path sem grandes expectativas, confesso. Primeiro porque não conhecia as edições anteriores, e segundo, porque acreditava ser um evento igual a tantos outros enlatados que já havia participado.

Música, cinema e conversas. Tudo misturado, convidando as pessoas a deixarem de lado o convencional, o “safe place” e darem uma chance a inovação. Neste momento, não sabia qual a real inovação ia ver.

Então, essa impressão prematura veio logo abaixo no primeiro tema que assisti. “A escrita afetuosa e registros em primeira pessoa” de Ana Holanda (revista Simples) foi o primeiro impacto positivo. Fui achando uma coisa e por sorte, vi outra.

Neste momento, entendi que se eu quisesse aproveitar o evento, seria necessário deixar qualquer pretensão de lado. E foi o que fiz.

Ana ressaltou com leveza e um sorriso contagiante, a necessidade de nos colocarmos no lugar do outro e de avaliarmos a hora de pausar. Ela reforça que a pausa faz com que olhemos o valor das coisas, das pessoas e como isso pode refletir efetivamente na sua via pessoal e profissional.

Apesar de um papo aberto, quase filosófico, ela foi questionada pela plateia sobre o futuro da revista em meio a era digital. Sua resposta, foi a melhor que eu poderia escutar: “ Não fazemos mais revista como antigamente. Conversamos com as pessoas, percebemos cada vez mais o que o outro quer ouvir, e isso independe do papel”.

Eis que sigo para outra palestra, cujo tema polêmico “Por que não vai dar certo” atraiu dezenas de pessoas, que talvez assim como eu, não sabiam muito bem o que ouvir.

Gustavo Gitti, o palestrante, antes de explicar o seu tema que todos ali almejavam entender, nos pediu para respira, se ajeitar na cadeira, olhar para frente sem se movimentar e se acalmar por alguns segundos. De repente, um silêncio arrebatou a sala.

Gitti quebrou qualquer expectativa, nos tirou a previsibilidade e mostrou em um gesto simples, que é preciso pausa, aquela que a Ana havia contado horas antes.

Em exemplos do dia a dia, no trabalho ou em casa, ele deixa claro que esse mundo corrido, faz com que a gente terceirize tudo, mas tudo mesmo. E nesta terceirização, esquecemos de olhar para o outro, esquecemos de dar bom dia para quem não conhecemos, pois esquecemos de ser generosos.

Gustavo e Ana se conectam novamente. Ambos nos pedem uma reflexão sobre o movimento de olhar para o outro.

Terminei o primeiro dia na praça, escutando a banda QN Quarteto, que além de tocar muito bem, fez questão de compartilhar instrumentos conosco para fazermos parte daquela boa bagunça.

Depois disso, decidi então que voltaria no dia seguinte.

Dia 2

Domingo, escutei temas que assim como sábado, se fundiram como se todos os palestrantes tivessem combinado o discurso. Uma sintonia do acaso (ou não).

Escutei logo cedo de 3 jovens empreendedores, “aprenda a não colocar a urgência antes das necessidades verdadeiras”. Você pode achar banal esta frase, mas acredite, não é nem um pouco.

E apesar e ser um papo sobre negócio, eu não pude deixar de pensar nos meus filhos, João e Chico, pois o trabalho que tanto amo, muitas vezes me consome de tal forma que se disfarça como urgente e faz com que eu prorrogue pequenas necessidades verdadeiras, como tomar café com eles. Respirei e fui para o próximo round.

Na sequência, escuto do Flávio Proença o pedido de reflexão para esta correria na busca por inovação. Essa afobação que nos consome em busca de algo que nem sempre sabemos por que queremos.

Apesar de toda a nossa velocidade, temos que saber que o mundo esta cheio de incertezas, finalizava Proença com uma voz calma e certeira.

Nesta toada, fui assistir o papo do UoD que teve a coragem de questionar a versão nada charmosa do “mundinho da internet”. Esse mundinho, que como um grande palanque, não mede esforços para criticar, ofender e persuadir a qualquer custo.

Amplificamos na internet, o comportamento mais genuíno do ser humano. O de julgar independente da razão, sem se colocar no lugar do outro.

Por fim, entrei em uma palestra que não estava prevista, mas lá fui eu, para a última do dia. E confesso, foi o soco no estômago que precisava.

“Qual a fome que te move?”, assim começava a conversa da Clarissa Temer e Estela Renner. Tinha certeza que escutaria sobre a alimentação errada das crianças brasileira (eu e minhas pretensões..), mas a mensagem foi maior do que isso.

Elas ressaltaram um dos nossos pontos mais falhos atualmente. Estamos maníacos por tudo.

Maníacos por encontrar um remédio para qualquer tipo de dor (desilusão, amor, febre, etc), por saciar a fome sem se importar com a qualidade, de ser feliz o tempo todo. E com isso, minamos a possibilidade de ter desejos e perdemos a chance de suportar nossas falhas, estas que realmente nos tornam seres humanos. Seres errantes.

A gente se preenche o tempo todo. Não paramos, não olhamos o nosso entorno, sequer suportamos ficar sozinhos sem estar no whatsapp, facebook, twitter. Não contemplamos mais nada.

Concluí ali que eu precisava a partir de agora, ensinar meus filhos a ficarem minimamente com eles mesmos.

Pronto, tinha acabado a última palestra. Que final de semana inesperado, foi esse!

Entrei no taxi e comecei a pensar como podia aproveitar toda aquela informação para a minha vida pessoal e profissional. Queria escrever, queria contar para todo mundo minhas anotações e epifanias. Fui tomada por uma ansiedade aguda.

Então, vi que a melhor forma de entender tudo aquilo, era pausar e esperar os dias passarem para acomodar as informações com uma lupa diferente da que eu estava acostumada.
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O Update or Die é apoiador cultural e de mídia do Festival Path e a nossa cobertura tem o apoio da cerveja SOL.

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