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Mês passado foi o momento de falar sobre Tédio aqui no UoD….  Então, cheguei atrasada. Porém, espero ter chegado com alguma informação útil: como eu conheço didaticamente bem alguns meandros da insatisfação própria e alheia, resolvi publicar aos poucos alguns exercícios sobre auto-reinvenção criativa que faço com meus alunos.

(Em tempo: se você não acompanhou os textos do especial do mês, sugiro o pacotão nada entediante que o Updater Wagner Brenner fez sobre o  tema).

Em alguns poucos anos de trabalho com profissionais insatisfeitos/entediados, percebi que em uma certa idade (que pode ser mais cedo para uns, mais tarde para outros, com maior ou menor frequência) todos nos deparamos com uma vontade urgente de mudanças. É algo que pode ser totalmente racional e deliberado (se for, parabéns, você está com as autopercepções em dia) ou institintivo e, à primeira vista, inexplicável (por um simples motivo: suas percepções captaram uma mensagem que ainda não foi devidamente decodificada pelo seu cérebro, mas está lá incomodando).

E essa bandeira vermelha que sinaliza a necessidade de mudanças não deve ser ignorada. Pode ser um aviso para trocar de atitudes e hábitos, de emprego, de namorad@, de cidade, de país. Vale ressaltar que não precisa ser necessariamente algo externo, às vezes, mudar somente um pequeno detalhe sobre o jeito que você enxerga vida ou reage a algumas situações, pode incrementar o seu nível de felicidade entre 50% a 80%.

A Updater Larissa Berbare publicou um texto com dicas bem legais de webinars sobre Mindfulness, assunto que vou explorar em textos seguintes, mas que você já pode ir descobrindo e se divertindo com a experiência.

Então, para começar o nosso trabalho, a primeira questão é definir o que é mindset:

A fixed mental attitude or disposition that predetermines a person’s responses to and interpretations of situations. An inclination or a habit.

Podemos entender Mindset como uma espécie de configuração mental, a nossas instruções de funcionamento sob um certo aspecto ou área.

Por exemplo: você pode ter o mindset criativo, que vai naturalmente encaminhá-lo para hábitos, atitudes e escolhas mais criativas, ou o mindset preguiçoso, que levará você a hábitos, atitudes e escolhas que determinarão que você tenha o menor gasto de energia possível.

No entanto, seguindo ainda o exemplo, nenhum desses dois mindsets são totalmente bons ou ruins por si mesmos. Eles dependem muito de suas inclinações pessoais. No caso do criativo, uma pessoa pode ter um mindset criativo bélico, do tipo da primeira fase do Tony Stark (pré-sequestro, no primeiro filme da franquia Iron Man) e usar toda a sua genialidade focada para criar armas de destruição em massa. E sobre o mindset criativo preguiçoso, o próprio Bill Gates já declarou que gosta de contratar pessoas inteligentes e preguiçosas, pois elas sempre arranjam formas de fazer as coisas de forma mais rápida e com pouco esforço. Adotar a preguiça como forma de economizar tempo, recursos e energia pode ser algo bom.

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Até o Tony Stark, antes dos Avengers, usava a sua criatividade de forma duvidosa. 

Viu? O segredo é descobrir como é o seu funcionamento interno (sua configuração) e  refinar o seu mindset até o jeito desejado, levando em conta questões como ética, produtividade, criatividade, e outras que você quiser adicionar à equação.

Todos nós carregamos uma bagagem imensa de vivências, de experiências boas e ruins, de hábitos, de expertises, de pequenos talentos ou inaptidões. Toda essa bagagem é valiosa e deve ser estudada minuciosamente quando a gente se propõe a aperfeiçoar nossos mindsets.

New Mindset New Result, written with Chalk on Blackboard

A regra é muito simples: mudando o jeito de ver e fazer as coisas, os resultados mudam. 

Quando você não se conhece, não consegue identificar seus padrões mentais e tomar as rédeas  do próprio destino that is why you fail, como diz o Yoda. Identifique seu mindset, reescreva as suas próprias regras, transforme sua mente e  mude sua vida. Não é fácil, mas é possível.  Não saber quem você mesmo é, e do que é capaz ou incapaz,  faz você acabar aceitando coisas que não são boas para você, aceitar compromissos que não pode cumprir, a se autodecepcionar e decepcionar os outros.

Outra coisa sobre o que vale a pena refletir: você está vivendo a sua vida ou uma vida que outros pensaram para você? Abaixo, um jogo incrívelmente chato e legal ao mesmo tempo, para fazer você sentir vontade de sair reinventando o que precisa ser reinventado.

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  Clique na imagem e jogue. Descubra qual pode ser seu destino se você não fizer nada por você mesmo. 

No caso, eu vou misturar várias ferramentas como Design Thinking, Criatividade, Life Planning, Canvas, etc., como uma abordagem metodológica, mas tudo é muito simples e, o melhor, é de graça.  Você só precisa se dedicar um pouquinho para refletir sobre os exercícios.

Uma das primeiras coisas é pegar todas as sua experiência de vida e colocar em perspectiva. Escrever mesmo, colocar no papel. Para isso, é bacana começar usando uma Life Timeline, que consiste em pegar uma folha de papel e desenhar uma linha. No inicio da linha você coloca uma bolinha representando seu nascimento. Na última, a sua previsão de morte (sei, é bizarro, mas é bem realista… avalie seu estilo de vida hoje, de agora, e faça uma previsão de quantos anos viveria com esses seus hábitos atuais. Se você for fumante, sedentário e outras coisas, terá  fazer um cálculo nada animador da sua sobrevida. Não tenha raiva de mim, ok? Blame the science, ou melhor, blame yourself).

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Life ou Biography Timeline: está fora de escala, mas é algo parecido com isso. 

Também vale a pena escrever sua história em alguns vários parágrafos, dedicando algumas linhas a episódios importantes. Se tiver algo que mexa lá fundo nas suas emoções, vale dar uma pausinha e tomar um copo dágua, recuperar o fôlego e recomeçar. É muito importante recontar a sua história para você mesmo e analisá-la de forma panorâmica. Você sempre acaba descobrindo muito sobre você mesmo quando se propõe a fazer isso.

Em segundo lugar, separar medos, preconceitos, estereótipos (aqueles que você guarda na gavetinha mais sombria do seu cérebro que, quando se abre, desperta todas as suas reações mais irracionais e até mesmo histéricas) e comece a vasculhar tudo e analisar de forma racional. Tem gente que não consegue sozinho e precisa de analistas e psicólogos, dependendo do caso. Acho muito aconselhável procurar ajuda quando sentir que precisa de uma mãozinha. No meu caso, fiz sozinha. Adotei a postura “sinceridade total, ainda que sangre” amarrei a fitinha vermelha do Rambo na testa e me aventurei na floresta de mim mesma. Subi nas arvores altas da minha própria vaidade, vasculhei tudo o que joguei para debaixo do tapete nessas ultimas décadas, e me arrastei no pântano dos meus medos mais sombrios – e tô viva. Alive and kicking.

Se você conseguiu 1) fazer a sua própria timeline da momentos relevantes, 2) conseguiu contar a sua própria história para você mesmo e espanar a poeira das memórias, agora você já pode construir o perfil da pessoa que você é (o seu eu atual). Vale a pena desenhar, fazer doodle, como se fosse uma descrição de personagem de um livro que só você leu.

Pode usar a Wheel of Life (Roda da Vida) abaixo como uma colinha. Eu sugiro que você faça cada  tópico representando (invente os seus também) em uma folha separada ou em uma parede de post its. Descreva amplamente as coisas como estão agora.

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E eis que chega a Roda da Vida… 

Entendeu? Agora que você já tem o que você é, pode passar para a próxima fase: zere tudo isso. Esqueça. É, isso aí, esqueça tudo isso.  Adote um beginners mindset, ou mindset de iniciante. Brinque que você perdeu a memória e teve  que recomeçar tudo de novo. Então, o que você faria, quem seria? É como esquecer que seu sorvete preferido é de chocolate – e ter que sair por aí provando de novo todos os sorvetes do universo para descobrir qual é o que você gosta mais. É muito divertido. E, mesmo se você chegar à conclusão o de chocolate ainda é o melhor, você deu uma chance aos sabores de manga, banana ou kiwi.

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E, no final, tudo acaba sendo uma questão de mindset e resiliência. (Fonte www.adamfeit.com)

Então, use estas informações para criar  o perfil da pessoa que você gostaria de ser (o seu eu ideal). Re-Invente, re-crie você mesmo e as coisas ao seu redor. Quem você gostaria de ser a partir de hoje em todos os aspectos, físico, emocional, profissional, familiar?

Acho que está bom por agora. Nos próximos texto veremos o que é um plano de ação, e também uma técnica simples para racionalizar pensamentos irracionais, aqueles que ocupam o seu espaço mental de forma improdutiva e nos deixam menos criativos e mais infelizes.