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Stephen King tem uma opinião muito clara sobre advérbios, como explica no seu livro “On Writing”:

“O advérbio não é seu amigo”.

Advérbios, você deve lembrar, são aqueles carinhas que transformam os verbos (e adjetivos), geralmente enfiando um “~mente” no final.

Por exemplo:

“Ele leu o post rapidamente”.
“Stephen King deu, enfaticamente, a dica.”
“Você vai adorar esse truque, definitivamente”

O advérbio explica um pouquinho mais como foi essa ação descrita pelo verbo. Tá, ele leu. Mas leu como? Foi de um jeito rápido ou de um jeito demorado? Funciona como se fosse um anabolizante de verbo.

E, segundo o mestre King, isso é coisa de bundão.
Recurso pobre, do ponto de vista de estilo.

O advérbio é aquele cara que explica a piada, só por garantia. O que é uma roubada no jogo, porque se você estiver escrevendo direito, essa informação já está na cabeça do leitor por causa do contexto da história.

É que nem plaquinha de “puxe” e “empurre”. Se precisou da plaquinha é porque alguém não fez o trabalho direito porque uma porta deve ser compreendida sem precisar ler nada (puxador só em uma face).

É que nem reporter que pergunta “a senhora ficou triste quando a sua casa desabou por causa da chuva?” É um truque artificial para aumentar a carga dramática da história. Não brotou espontâneamente, foi plantado alí para garantir que a tristeza ficasse literal. Odeio, com todas as minhas forças.

O advérbio é redundante, desnecessário. Uma confissão de insegurança.

hell

Alguns escritores tentam disfarçar o uso do advérbio:

“Baixe essa arma, ordenou o policial.”
“Não pare de me beijar, implorou a vizinha”

Stephen King  pede no texto do seu livro: “Don’t do these things. Please oh please.”

Use apenas:

“Baixe essa arma, disse o policial”.
“Não pare de me beijar, pediu a vizinha”

Não aumente o drama usando advérbios. Use contexto. E simplicidade.
Não cubra verbos com purpurina.

O advérbio, ~mente.