Senta que lá vem a História

Quando o Google Home foi lançado — em novembro de 2016 — fiquei interessado em comprar um, mas ao pe squisar no YouTube por vídeos de usuários reais usando o produto, ele não me convenceu. Ele ainda não estava “maduro” — poucos recursos, interatividade limitada com outros devices e pobre comunicação com a TV.

Ao analisar com mais calma, o produto não me parecia tão útil, sem contar que no Brasil as funções ainda eram reduzidas; decidi não fazer a compra, achei melhor esperar mais um pouco para ver a evolução do produto. De qualquer forma, era claro que ali nascia um grande produto com diversas possibilidades a serem exploradas.

Em maio deste ano aconteceu o Google I/O, evento onde a empresa mostrou ao público as principais novidades, muita coisa legal foi anunciada e diversos apps do Google ganharam uma pitada de inteligência artificial do Lens. Foram anunciadas também diversas melhorias ao Google Home, o que deixou o produto mais inteligente e pró-ativo. Um dos updates mais importantes foram as respostas visuais na TV e melhor interação com o Chromecast, tornando assim a experiência mais rica em possibilidades.

Meu cérebro auxiliar na minha mesa (não é a planta)

Um recurso muito interessante além de extramemente relevante é o de Feedback: ao dizer “Hey Google, send feedback” é possível enviar uma mensagem de audio ao time de desenvolvimento do produto sugerindo recursos ou melhorias para o Home.

Depois das melhorias anunciadas, decidi então fazer a compra do produto. Há alguns dias estou usando e testando os recursos do Home, nesse tempo vi coisas legais mas também alguns buracos de usabilidade relativamente simples que poderiam ser melhorados na interação. Além de escrever este artigo, motivado pelo Andrei do UXLab e pelo Daniel do UX Now decidi gravar o vídeo para compartilhar a experiência de uso do produto ; )

Baseado na minha experiência de uso fiz uma lista de coisas legais que você pode fazer com o produto.

Coisas legais que você pode fazer com o Google Home

  • Consultar preço de passagens aéreas e receber alertas por e-mail sobre preços relacionados a pesquisa. “Hey Google, qual o valor de uma passagem para Buenos Aires daqui 2 semanas?”.
  • Solicitar seu videoclip favorito e pedir para que seja reproduzido na TV
  • “Okey Google, reproduza o clip de Beastie Boys — Sabotage na TV”.
  • Pedir para que ele reproduza vídeos de algum tema específico, como por exemplo, “Hey Google, mostre-me alguns vídeos engraçados no YouTube” — ou coisas mais específicas como “vídeos timelapse de montanhas” ou “aulas de yoga”.
  • Solicitar que uma playlist específica da sua conta pessoal no Spotify toque na TV ou no Google Home, você direciona o som pra onde quiser.
  • Ele consegue identificar o nome das suas playlists criadas manualmente e reproduzir. “Hey Google toque minha playlist chamada Post Rock”.
  • Aumentar e reduzir o volume além dos comandos gerais (Play, Pause, Next, Previous, Repeat etc) através de voz em qualquer mídia, seja na TV o no Google Home.
  • Pedir para que ele abra sua série favorita do Netflix direto na TV. “Hey Google abra House of Cards na TV”.
  • Perguntar sobre a sua principal concorrente Alexa da Amazon (rs) — ele tem algumas respostas diferentes sobre a Alexa, além disso diz que a respeita muito, e que cada um tem suas habilidades ; )
  • Perguntar sobre alguma personalidade famosa que você queira saber um pouco mais “Hey Google quem foi Sigmund Freud?”.
  • Ouvir as principais notícias em formato de mini-podcasts das principais fontes como Mashable, Techcrunch, CNN, Reuters, Wired, Discovery Channel e outras. É possível ordenar as fontes que você quer ouvir através do app (bem como realizar diversos outros ajustes do device pelo app).
  • Perguntar sobre como está o clima ou se você vai precisar de um guarda-chuvas hoje.
  • Perguntar como está a situação do trânsito para o trabalho.
  • Solicitar que a sua playlist de vídeos Favoritos do YouTube seja reproduzida na TV.
  • Perguntar sobre a agenda geral do seu dia onde você é informado sobre seus compromissos, sobre o clima e sobre as principais notícias.
  • Perguntar “Como se diz boa noite em francês”?
  • Pedir que ele te diga um fato interessante ou te conte uma piada.
  • Perguntar qual foi o placar do último jogo do Brasil.
  • Criar um alarme, timer ou um compromisso.
  • Fazer chamadas e enviar mensagens de texto (ainda não disponível no BR).
  • Perguntar informações sobre os restaurantes próximos com o comando “estou com fome” — ele também pode informar o horário que os restaurantes próximos vão fechar.
  • Solicitar tipos de música específicos como “Toque alguma música relaxante” — ele busca por playlists com o mesmo tema no Spotify e reproduz
  • Converter medidas e perguntar sobre a cotação do dia das principais moedas. “Quanto é 1.000 reais em Euros?”
  • Fazer uma lista de compras.
  • Pedir para que ele reproduza um Podcast da web pelo nome.

Tanto no site quanto no app há uma lista de Features e Sugestões de comandos que você pode usar.

Estes foram apenas alguns recursos que achei interessante e que podem ser úteis no dia a dia, porém o mais interessante são as possibilidades que ainda estão por vir com o aprimoramento do produto em um futuro próximo.

 

Melhorias na experiência da interface conversacional

Listei também algumas coisas que notei que poderiam ser melhoradas na UX do produto:

  • Algumas vezes fazemos uma pergunta e por alguma razão não entendemos a resposta, ou podemos nos distrair com alguma outra coisa e não prestar atenção do que o Home falou. Neste contexto, dizemos: “não entendi” ou “repita” — mas ele não consegue entender e responde de forma padrão: “desculpe, não posso ajudar com isso, ainda estou aprendendo” ou “desculpe não posso ajudar, meu time ainda está trabalhando em melhorias”. Podemos considerar que para o que ele faz hoje, isso é relativamente um comando simples, sempre que o usuário dizer “repita” ou “não entendi” o Home poderia repetir a última frase que ele falou.
  • Ao perguntar sobre alguma personalidade que queremos saber mais “Hey Google, quem foi Freud?” — ele consulta a Wikipedia (e outras fontes) trazendo um resumo geral da pessoa pesquisada, porém, ao responder de volta “conte me mais sobre esta pessoa” (uma resposta muito comum para o contexto) ele novamente responde “desculpe, não posso ajudar com isso, ainda estou aprendendo”. Ao meu ver, quando o usuário responder “conte me mais sobre esta pessoa” ele poderia ir para o segundo parágrafo do resumo que está usando como base, e assim por diante, varrer mais parágrafos em busca de mais informações quando o usuário solicitar.
  • Na hora de dormir podemos dizer “Hey Google toque uma playlist de músicas para dormir” — ele vai buscar uma playlist com este tema no Spotify e vai reproduzir. Porém, neste contexto é muito comum querer colocar um timer para que a música desligue depois de um certo tempo, depois que já pegamos no sono. O Home tem função de timer, mas se você colocar uma playlist pra tocar e pedir “hey google desligar a música daqui uma hora” ele ainda não entende o comando.
  • Considerando que ele já possui a função timer, isso poderia ser usado facilmente para controlar mídias e áudio, visto que é possível controlar a TV e o device com comandos de voz (play, pause, next, etc).
  • Imagino que muitos usuários brasileiros (bem como de outros países) estão aguardando ansiosamente que as novas features disponíveis apenas nos Estados Unidos cheguem logo em terras tupiniquins, como Ligações, Envio de mensagens de texto, além do suporte a outras línguas além do inglês.
  • Quando o usuário termina de falar uma frase, ele poderia ficar mais atendo e demorar mais para “desligar”, pois é necessário dizer “Hey Google ou OK Google” para que ele possa acordar.
  • Diversas melhorias podem ser incorporadas, para citar algumas: integração com ação de outros apps, meios de pagamento e restaurantes, customização e aprendizado de acordo com os gostos e hábitos pessoais do usuário, melhor integração com a TV com mais possibilidades de interface, enfim, diversos tipos de integração a serem pensados e amadurecidos na experiência do produto.

Porém no seu estado atual o Home não deixa nada a desejar e sem dúvida é um concorrente à altura para a Amazon.

Este foi um resumo da minha experiência com o Google Home nestes últimos dias, vou acompanhar as novidades no produto e a evolução na conversa e volto quando ele estiver mais inteligente.

Published in Tecnologia

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Odair Faléco
Designer há mais de 11 anos, andei pelos mercados de Tecnologia, Fintech, Editorial e Agências. Música e Fotografia também são minhas paixões. Estudo filosofia, psicologia, e comportamento humano; procuro sempre integrar estes conhecimentos no processo de UX design. Idealizador / escritor no Coletivo UX (coletivoux.com)

Comments 5

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  1. Ainda me pergunto a utilidade de um negócio desse que só fica em um cômodo da casa enquanto qualquer pessoa pode estar sempre com o celular(que realiza os mesmo comandos) na mão o tempo todo.

  2. ele tem alguma interação com o celular? Por ex, vc pergunta se tem algum restaurante japones por perto, e ele te manda pro celular os endereços (ou algo semelhante).

    1. Olá Thiago, o aparelho é configurado através do app, disponível para iOs e Android.
      No app você consegue controlar algumas configurações do aparelho, consultarl lista de compras, ordenar as fontes de Notícia, ter sugestões de coisas que você pode fazer com o Home além de outros ajustes.

      Este recurso de enviar listas e informações (como você comentou) tanto pro smartphone quanto pra TV está em fase de implementação e em breve será possível ter melhores integrações com o app ; )

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