Assisti ontem “The Experimenter”, uma biografia meio doc, meio drama, sobre a vida do Stanley Milgram (já falamos dele em outros posts), um dos mais conhecidos psicólogos sociais de todos os tempos e associado por toda sua vida ao mais famoso deles: o da obediência cega à figuras de autoridade. O cara que perguntou pro mundo: “até quando, galera?”

O “Experimento Milgram”, que você provavelmente conhece, colocava pessoas de frente para uma máquina que supostamente aplicava choques elétricos (em voltagem crescente) em outra pessoa em uma sala ao lado, cada vez que ela dava uma resposta errada a uma pergunta (no link acima tem um post com mais detalhes). A justificativa era que estavam estudando a punição como método de aprendizado, mas na verdade estavam mesmo era tentando descobrir até que ponto um ser humano simplesmente vai na onda e obedece uma ordem, mesmo que sua ação tenha uma consequência grave. Os choques, claro,  eram pura encenação.

Dá uma assistida no trailer:

O experimento chocou o mundo (com o perdão do trocadilho infame).

Primeiro porque 65% das pessoas iam até o fim da escala (450 volts!), mesmo com as advertências escritas no painel da máquina e mesmo que o pobre coitado na sala ao lado já tivesse até parado de berrar e estivesse inconsciente ou mesmo morto.

Sim, 65% iam ATÉ O FIM da escala.

Uma inacreditável manipulação através de figura de autoridade e contexto, capaz de induzir ações com requintes de crueldade nazistas, em nível máximo para a maioria das pessoas.

Amostragem? MILHARES. POR ANOS.

Milhares de pessoas passaram pela experiência, brancos, negros, homens, mulheres, jovens, velhos, americanos, europeus, etc. E durante ANOS, o percentual da turma que ia até o fim sempre girou em torno do mesmo número: 65%.

E segundo, chocou porque esses experimentos começaram a ser questionados enquanto método porque “enganava” as pessoas, uma prática que foi comparada à tortura emocional e considerados como anti-éticos desde então.

Enfim, o assunto é interessantíssimo, o experimento é citado até hoje em muitos e muitos livros de psicologia, os videos são mandatórios nas universidades de psicologia em todo o mundo e as interpretações são cada vez mais amplas (soldados nazistas que justificavam sua conduta como simples obediência à ordens ou dinâmicas de abuso de autoridade no mundo corporativo ou escolar, pressões de grupo com alto grau de influência e dogmatismo ideológico, etc).

O Filme

The Experimenter não é uma obra prima como documentário, mas é uma maneira confortável de ser apresentado ao Experimento Milgram que, se você não conhecia, recomendo que você dê uma mergulhada mais profunda. O Milgram fez vários outros experimentos interessantíssimos, inclusive o dos 6 graus de separação, bastante citado quando o assunto são redes sociais.

O Experimento Milgram az pensar MUITO na influência de figuras de autoridade e pressão de grupo, importante reflexão nos dias de hoje, por causa das redes sociais e o quanto somos todos conduzidos e influenciados por essas forças invisíveis e muitas vezes bem mais poderosoas do que poderíamos imaginar ou acreditar.

Aliás, no filme tem uma citação do Milgram, uma das minhas favoritas, que diz mais ou menos o seguinte:

“Será que somos marionetes, manipulados pelos fios da sociedade? Pode até ser, mas somos pelo menos marionetes com a capacidade de perceber essa condição, uma marionete que dá uma olhada para o alto e vê os fiozinhos de vez em quando. E essa consciência pode ser o primeiro passo para nossa libertação.”

Are we Human? Or are we Dancer?

Essa citação da marionete, inclusive, serviu de inspiração para o hit do The Killers, o “Humans” (Are we Human or are we Dancer?”, “I did my best to notice when the call came down the line”). O “dancer” é a marionete, a “line” são os fios da marionete e por aí vai.

Dá um play abaixo e segue a letra. Você não vai mais conseguir ouvir essa música sem se lembrar do Milgram e de obediência cega.

Human (The Killers)

I did my best to notice
When the call came down the line
Up to the platform of surrender
I was brought but I was kind

And sometimes I get nervous
When I see an open door
Close your eyes, clear your heart
Cut the cord

Are we human or are we dancer?
My sign is vital, my hands are cold
And I’m on my knees looking for the answer
Are we human or are we dancer?

Pay my respects to grace and virtue
Send my condolences to good
Hear my regards to soul and romance
They always did the best they could

And so long to devotion
You taught me everything I know
Wave goodbye, wish me well
You’ve gotta let me go

Are we human or are we dancer?
My sign is vital, my hands are cold
And I’m on my knees looking for the answer
Are we human or are we dancer?

Will your system be alright
When you dream of home tonight
There is no message we’re receiving
Let me know, is your heart still beating?

Are we human or are we dancer?
My sign is vital, my hands are cold
And I’m on my knees looking for the answer

You’ve gotta let me know

Are we human or are we dancer?
My sign is vital, my hands are cold
And I’m on my knees looking for the answer
Are we human or are we dancer?

Are we human or are we dancer?
Are we human or are we dancer?

Published in Cinema, Documentário, Psicologia

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  • Raul

    Assisti na semana passada. Curti muito. Já citava ele no livro Truthtelling e foi muito bom poder ver o experimento sendo executado ali, no filme, em detalhes. Imperdível.

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