Uma pessoa que se diz criativa, ou pelo menos ligada à inovação, tem algumas características muito marcantes e peculiares (não precisa ter todas):

  •  Aprende constantemente;
  • Também absorve muita informação;
  • Devolve tudo o que processa da sua forma, que pode ser escrita, verbal, artística ou corporal, mas devolve da sua maneira, personalizada, autoral.

Isso me remete ao começo dos anos 90, quando num workshop de criatividade que dei para os professores da ESPM (na época eu dava aulas na pós-graduação desta faculdade), um professor questionou que nem sempre uma pessoa criativa era uma pessoa de fácil comunicação ou relacionamento, que sob o ponto de vista dele era exatamente o contrário que acontecia, pois os artistas famosos eram pessoas difíceis, complexas, cheias de manias. Daí eu argumentei que a “entrada” de informação dessas pessoas era enorme e a “saída” era específica, pessoal, daí sua expressão artística ser tão marcante, impactante e o mais importante quando falamos em inovação nas artes: relevante.

Mas se você reparar o que acontece hoje, tanto presencialmente quanto nas redes sociais, é que muita gente alicerça sua imagem de criativo e inovador com base no que os outros falaram, ou fizeram, apenas repetindo, copiando, fazendo um “patchwork”que até pode soar bem isoladamente, mas se quisermos utilizar tudo o que esta pessoa propõe como base para ela mesma se sustentar, percebemos que não há estrutura que a suporte se for posta à prova num desafio criativo e/ou inovador qualquer, porque dela não surge nada, é só mais do mesmo, cópia, pura síndrome do papagaio, que não cria nada, apenas repete, como um gravador, blá, blá, blá, currupaco, currupaco.

E quem arrisca apostar nos papagaios e não percebe o que está fazendo são aqueles que acreditam que as frases do Einstein, ou do Jobs, ou do Spielberg pertencem a quem as repete, sendo um simples coletor, que está longe de trabalhar as informações num processo mental complexo, associativo, com um propósito evolutivo (afinal isso é trabalhoso). Sempre há público para consumir o básico, o óbvio ululante, e tem mesmo. É assim que não andamos, com ofertas e procuras descartáveis, imediatistas, que apenas ocupam tempo, algo que não deveríamos desperdiçar, nosso bem mais caro de todos.

Então assim vamos passando os dias, a ver papagaios aos montes. Deveria haver um emoji de papagaio para interagirmos com o que encontramos por aí, não acham? Boa ideia para um designer!

Published in Comportamento

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