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A agência alemã Grabarz & Partner realizou, para a Volkswagen, um ensaio bastante peculiar para o lançamento do novo cupê Arteon.

Tudo não passaria de um trabalho artístico lindíssimo, se não fosse o fato de todas as imagens terem sido clicadas pelo artista americano Pete Eckert, um fotógrafo que há cerca de 30 anos lida com o fato de ter perdido completamente a visão. Detalhe que trouxe um sabor muito maior ao trabalho e que atiça a curiosidade de qualquer um que o vê.

Mas como um fotógrafo cego chega a uma identidade visual? Por conta de sua limitação, Eckert desenvolveu uma técnica sensorial para mostrar ao mundo o que ele enxerga dentro de sua própria mente. “Você não precisa dos olhos para ver a beleza”, diz.

A foto ideal, pra ele, começa a ser pincelada a partir do “som, do toque e da memória”. É como os “olhos da mente” que cria, para si mesmo, a imagem do objeto a ser fotografado. E, para garantir que tudo saiu como o planejado, ele pede que alguém descreva a foto para compará-la com o cenário que imaginou.  

Para colocar em prática suas ideias, ele usa um modelo de câmera analógica e técnicas de dupla e superexposição, além de utilizar luzes a laser que desenham imagens no ar. O resultado é inacreditável.  Veja:

Vale acrescentar, aqui, que essa história me lembrou o documentário “Janela da Alma”, que, entre os entrevistados, traz um outro fotógrafo cego, o franco-esloveno Evgen Bavcar, que também encontrou a sua própria técnica para realizar seus trabalhos. O doc (que é lindo!) mostra depoimentos de personalidades que levam a vida lidando com algum grau de deficiência visual. A partir disso, eles descrevem como essa limitação influencia na forma como vêem a si mesmo, o outro e como enxergam o mundo. Entre os entrevistados estão José Saramago, Hermeto Pascoal, Wim Wenders, Oliver Sacks e outros.

Se bateu uma curiosidade, aqui vai “Janela da Alma” na íntegra.