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Só Deus (e o meu querido sócio) sabem o quanto de dinheiro a gente perde aqui no UoD por concorrência desleal.

Aliás, perde não. Deixa de ganhar. Por quê?

Simplesmente porque a gente não faz post pago, não compra likes, nem seguidores, nem comentários. Também não usamos ferramentas de inteligência artificial para dar uma requentada em textos gringos da internet assinados por autores falsos e nada dessas coisas.

Aí, o que acontece? Alguém de algum departamento de mídia de alguma agência (não são todas, mas ainda são muitas), continua fazendo suas escolhas e recomendações baseadas justamente nas métricas mais fáceis de serem “subjetivamente interpretadas” e a gente se ferra porque nosso esforço é muito mais em qualidade do que quantidade.

As marcas maiores, felizmente, já sacaram faz tempo. Mas ainda tem cliente que entrega verbas na confiança e nem consegue avaliar seu ROI porque tá tudo ali, amparado “pelos números”. Prática antiga, porém cada vez mais sofisticada e turbinada a cada ano. E bora deixar agência e influenciadores com a conta bancária mais parrudinha.

Então, se você trabalha em marketing ou em agência, faça um favor para a sua marca e para a sua própria evolução profissional, assimilando experiências como essa, abaixo. É nossa obrigação educar e proteger nosso mercado dessa praga numérica de views e users como principal critério na escolha de esforços de marca porque isso, além de jogar dinheiro fora ainda deteriora a qualidade do conteúdo, que vai ficando cada vez mais com cara de tablóide porque, afinal de contas, é grana.

 

A Experiência dos Perfis Fakes

Saiu no Bored Panda, um dos sites mais populares do mundo, pra você ter uma ideia o quanto essa prática está sendo revelada não apenas para profissionais, mas também para o seu consumidor. E apesar de muitos colegas continuarem não acreditando, vale sempre lembrar que O SEU CONSUMIDOR NÃO É UM IDIOTA.

O que eles fizeram?

Resumidamente (porque já gastei muitos parágrafos com a minha indignação), uma agência americana chamada MediaKix, criou 2 perfis de mentirinha no Instagram:

01. A blogueirinha de moda Alexa Rae (calibeachgirl310).

Contrataram um fotógrafo e uma modelo adolescente e clicaram todas as fotos que seriam usadas no perfil em apenas uma diária. Na praia, no campo, em casa, etc.

02. Uma fotógrafa amadora, focada em viagens e aventuras, a Amanda Smith (wanderingggirl).

Nesse caso, nem gastaram dinheiro com um fotógrafo. Usaram, acredite, um banco de imagens.

 

Dando vida e criando valor para os perfis

Depois dos perfis prontos e ativos no Instagram, a agência começou a “criar valor” para esses “influenciadores”.

Segundo a agência:

“Começamos comprando 1000 seguidores por dia para cada conta porque ficamos preocupados que um número muito grande logo de cara resultaria em um bloqueio das contas. Mas rapidamente descobrimos que dava para comprar até 15.000 seguidores de cada vez sem causar nenhum problema”

Quanto custou isso?

De 3 a 8 dólares por mil seguidores.

O passo seguinte foi comprar likes, afinal não adianta ter um monte de seguidores se eles não interagirem. Ou seja, “criaram engajamento”.

“Depois que a gente acumulou um bom número de seguidores, começamos a comprar os likes e os comentários.”

Olha a feira!! Cada comentário sai por 12 centavos freguesa! E o pacote com 1000 likes tá baratinho, só 4 dólares!

Passando a régua, a coisa toda custou:

PERFIL 01: US$ 700

PERFIL 02: US$ 300

Mil doletas de investimento total, algo como uns R$ 3200,00.

Vou repetir, dentro de um box bonitinho para ter certeza que você assimilou:

“Investimento total:  R$ 3.200,00”

Depois que as contas alcançaram a marca dos 10 mil seguidores, que é mais ou menos uma medida de qualificação para poder ser considerado um “influenciador digital”, o pessoal da agência começou a buscar patrocinadores e arrumaram não apenas um, mas dois para cada perfil.

“Arrumamos 4 patrocinadores, 2 para cada conta. A menina da moda fechou com uma marca de maiôs e biquinis e com uma marca de alimentos de porte nacional. A outra menina, das fotos de viagem e aventura, fechou com uma marca de destilados e com a mesma marca de alimentos da primeira. Para os influenciadores a gente ofereceu uma compensação monetária, produtos de graça, ou os dois”

Não preciso nem dizer o quanto a agência lucraria, caso tivesse seguido adiante com a coisa toda.

Os resultados deste experimento são um motivo de grande preocupação para marcas que decidem investir no mercado dos “influenciadores digitais”. Perfis fictícios são feitos com uma facilidade inacreditável e com alto poder de persuasão e com tudo ali bonitinho, números impressionantes de likes, seguidores, comentários… para dar aquela credibilidade na coisa.

Na verdade, o que está acontecendo é uma fraude criminosa que toma MILHÕES de dólares das marcas.

O mercado dos influenciadores digitais foi estimado em 1 BILHÃO de dólares em investimentos. E o que não falta é gente querendo dar uma mordidinha nesse biscoitão.

E não é só no Instagram. Como mencionei no começo, essa maquiada é recorrente em toda e qualquer rede social (youtubers, facebook, etc) e em muitos e muitos blogs por aí. E até os “de verdade” se vendem.

Concluindo

A gente gosta de bater no peito e falar com orgulho que vivemos em uma época em que o conteúdo é mais democrático e independente. Mas se evoluímos tanto nesse sentido, por outro lado continuamos humanos mesquinhos, querendo sempre bater uma carteira e ganhar uma grana fácil.

Blogs e redes viraram, infelizmente, negócios. Claro que precisamos ganhar dinheiro, pagar nossas contas. Mas é totalmente possível fazer isso com responsabilidade, sem precisar enganar ninguém.

Se você é cliente, leia tudo sobre essas “tendências” de influência e não seja ingênuo de cair no truque do discurso moderninho. Você pode até não entender sobre as tais coisas moderninhas, mas certamente conhece há anos os mecanismos de consumo. Use sua experiência, use bom senso, continuamos tratando com seres humanos.

Se você é agência, entenda que a prática é suicida, de uma profissão que agoniza justamente por falta crescente de relevância e credibilidade. Cada vez que você contribui com isso, você joga mais uma pá de cal na sua própria cabeça. Construa reputação.

Se você produz conteúdo, o raciocínio é o mesmo. Não vire um tabloideiro, não escreva para ganhar likes e seguidores. Tenha um propósito e honre as pessoas sobre as quais você tem, de fato, influência. Honre essa situação. Não caia na armadilha da grana fácil e rápida porque você será substituído por outro da modinha em um piscar de olhos se não construir reputação.

Chega. Escrevi demais, desculpe. Mas se tem algo que me irrita é queimar esse poder tão bacana que conseguimos conquistar e democratizar, com as mesmas ambições mesquinhas de sempre. Aliás, alguém que pense assim, me desculpe, mas é muito pouco ambicioso diante do que poderia REALMENTE ser.