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Em maio desse ano, Portugal ganhou um herói, que não joga futebol, mas canta jazz como ninguém. Com carisma e simplicidade, Salvador Sobral emocionou seu país, levando para casa o prêmio do Eurovision Song Contest 2017.

O Festival de canções populares Eurovision acontece a mais de 70 anos e nenhum português havia ganhado, até então. Com a vitória, os portugueses poderão sediar o evento, que acontecerá em Lisboa no ano que vem. Ao voltar de Kiev (local onde o festival aconteceu) Sobral foi recebido por milhares de pessoas.

Apenas 4 meses após a vitória, com a saúde debilitada, o artista anunciou o seu último show e pausa na carreira por tempo indeterminado. A mídia portuguesa afirma que ele será submetido a um transplante de coração, o que preocupa muitos de seus admiradores.

Sobral iniciou a carreira muito cedo. Com apenas 10 anos de idade participou de um concurso de talentos na TV portuguesa SIC (Bravo, Bravíssimo) interpretando a canção “O Negro de Radio de Pilhas”, do cantor Rui Veloso. Sem sucesso, anos depois, participou do programa Ídolos (da Fremantle Media), sendo literalmente escorraçado por um dos jurados, que avaliavam de maneira rasa o desempenho de artistas que ansiavam por oportunidades. Isso traumatizou tanto Sobral, que ele passou a mudar seus conceitos, negando fortemente a cultura de mainstream. Por um tempo estudou psicologia e logo depois aprofundou-se em jazz, sua maior paixão, na prestigiada escola “Taller de Músics”, em Barcelona.

O jazz é como a vida, um diálogo, uma conversa constante, mas em vez de entre pessoas, entre instrumentos. E como a vida, tem constantes surpresas. – Salvador Sobral

Apesar do Eurovision Song Contest se enquadrar na “cultura de mainstream” tão odiada por Sobral, para defender a canção de sua irmã (a compositora e cantora Luísa Sobral) o artista abriu uma excessão. E o que isso resultou?

A interpretação de Salvador para a composição  “Amar Pelos Dois”,  foi exaltada por todos os cantos da Europa, demonstrando muito de seu carisma e prestígio. Emocionou tanto os Europeus, que em poucos meses (para não dizer dias) virou um fenômeno. Hoje já existem versões em mais de 30 idiomas, entre eles russo, italiano, espanhol e grego.

Luiz Figuero, que é o arranjador da canção, deu uma interessante entrevista a um canal de You Tube e explicou:

 

Luísa Sobral e Salvador Sobral ao receber o prêmio do Eurovision Song Contest, em Kiev, (Ucrânia, 2017)

Ao fuçar pela internet, encontrei também trabalhos incríveis de Salvador Sobral, revelando-se um artista multifacetado.  Entre eles estão o seu primeiro disco, “Excuse Me”, que apesar de ter vertentes pop, é basicamente de jazz. No disco, Sobral canta em português, inglês e espanhol.

Suas participações essenciais como vocalista nas bandas de rock Noko Woi e Alexander Search, revelam um “crooner”, que pode facilmente adaptar-se a vários estilos. E para minha surpresa, encontrei também, o que é para mim a melhor versão da música “Encontros e Despedidas”, de Milton Nascimento.

Abaixo vocês podem conferir o vídeo oficial da canção, que com Sobral, colocou a música portuguesa novamente no mapa. É difícil imaginar que um artista tenha que abandonar os palcos em seu auge por motivos de saúde. Mas vamos torcer para que seja algo breve, para que esse artista continue nos presenteando com suas lindas canções.