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Posso afirmar isso no texto, mas não sei o quanto eu acredito.

Com certeza você já formulou uma teoria da conspiração em torno do Facebook. Aquela marca de roupas que você comentou a respeito com um amigo e, de repente… plimmm… apareceu no seu feed em forma de anúncio. Ou aquela festa que você recebeu um convite no Inbox e, do nada, o espaço que sediaria o evento começou a pipocar na sua tela. Ou, a pior delas: um assunto sobre o qual você conversou no telefone passou a aparecer em diferentes maneiras na sua timeline. Sim, isso acontece.

Teoricamente, o Facebook teria registrado palavras-chave do seu papo e rapidamente selecionado anúncios que teriam a ver com elas.

Confira aqui o vídeo que propaga essa teoria:

É claro que o Facebook quer monetizar tudo – isso não é errado e muito menos é segredo. Mas nosso microfone em nada tem a ver com isso.

Uma maneira simples de furar essa teoria: para que isso de fato acontecesse, o Facebook precisaria gravar tudo o que seu telefone ouve enquanto está ligado. Existem cerca de 150 milhões de usuários ativos diários nos EUA, de modo que são cerca de 20 petabytes utilizados por dia, apenas nos EUA. Ou seja: é tecnicamente impossível. Resumindo: a vigilância de áudio constante produziria cerca de 33 vezes mais dados diários do que o Facebook atualmente consome.

Mas será que ele não poderia, então, escutar apenas as tais palavras-chave específicas que desencadeiam anúncios?

Hmmm… não.

Já imaginou com quantas palavras-chave o sistema de segmentação do Facebook conta? Milhões ou talvez bilhões de palavras e frases que te transformam em um target específico. A segmentação de um tipo específico de telefone facilitaria esse fardo um pouco, mas qualquer escala significativa apresenta um desafio extraordinário. Fora que, convenhamos, se isso estivesse acontecendo, seria fácil de descobrir: bastaria analisar o impacto do desempenho de nossos celulares, como consumo de dados e bateria. Isso sem falar nas ferramentas de monitoramento de dispositivo que os próprios aparelhos nos disponibilizam.

Por outro lado, vamos assumir que você poderia gerar magicamente uma transcrição digital perfeita de todas as conversas faladas ouvidas por um smartphone habilitado para o Facebook. Sem aglomeração de largura de banda, sem CPUs vinculados, apenas um fiel registro de todas as suas expressões.

Qual a fração dessa transcrição que contém algo comercialmente de interesse para um anunciante?

Antonio García Martinez, ex-funcionário do Facebook, relatou para a Wired que nosso maior problema é achar que tudo que diz respeito à nossa vida pessoal interessa ao Facebook. Por exemplo: não é porque exista uma foto nua sua na internet que muita gente pagaria dinheiro para vê-la. O mesmo vale para os nossos dados: a maioria deles não é útil para os anunciantes.

A matéria incentivou esse post, claro.

Isso sem falar que a linguagem humana é muito mais complexa do que isso, com todos os seus sarcasmos, insinuações, ironias e gírias. Entender tudo o que você deseja com base nas suas declarações dá muito mais credibilidade a essas tecnologias do que elas são capazes de suportar.

O Facebook não precisa de milagres técnicos para nos codificar – a gente entrega tudo de bandeja, com nossos números de telefone, e-mail, sites que visitamos, lojas online onde compramos e dispositivos através dos quais logamos nos nossos perfis. E a culpa não é só dele – saiba que Twitter e Linkedin fazem exatamente as mesmas coisas.

Portanto, não: o Facebook (ainda) não é o Big Brother, mas quase.