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Se a CCXP 2017 começa oficialmente hoje (7) e espera receber mais de 200 mil pessoas até domingo, o esquenta realizado nesta quarta (6) foi mais do que suficiente para mostrar o que está por vir. Precedendo o evento principal, este ano está rolando o CCXP Unlock: painéis, palestras e entrevistas com feras e referências dos mercados de produção, criação e lideranças executivas para inspirar e debater oportunidades na indústria do entretenimento. Para quem só está descobrindo agora e perdeu o que já rolou, coloco aqui um resuminho do que deu para pescar de principais aprendizados do primeiro dia por lá.

O dia começou com a apresentação da pesquisa “Geek Power”, destrinchada por Otávio Juliato (Omelete Group), Marcelo Tripoli (McKinsey Digital Labs) e Gustavo Gontijo (Rede Globo).

No Unlock Profiles, que explora a trajetória de diferentes personalidades, Marcos Mion bateu um papo com a apresentadora Laura Vicente para contar seus causos e aprendizados. Mion falou do fim do “Legendários”, do desafio que assume ao se tornar diretor do núcleo multiplaforma da Record e do ponto em comum entre todos os seus projetos desde que começou, com 19 anos, a bagunçar na MTV com o “Piores Clipes do Mundo”. Ficou como conselho mais valioso algo que muitas vezes pode ser analisado como fracasso ou falência, mas que se prova como o contrário diante do passo seguinte: o fim de um ciclo. É fundamental começar algo genuíno, fazer o melhor enquanto fizer sentido e, principalmente, entender quando aquilo se esgotar. O que define se deu certo ou não é o sucesso do projeto seguinte.

Referência em branded content no Brasil, Patricia Weiss (atualmente diretora da disciplina no Grupo Abril) reforçou o que já deveria ser conhecido de longa data quando se aborda o assunto, mas que muitas vezes passa batido mesmo diante dos “especialistas”: conteúdo de marca não é publicidade e, se traz o anunciante na frente da história, nem pode ser classificado assim. O êxito aí é quando ele consegue falar das pessoas e para as pessoas, de forma natural e simpática. Se interrompeu e chamou o foco para si, é propaganda – e das mas ultrapassadas. Teve ainda Paulo Lima, fundador e publisher da Trip, complementando o assunto com a filosofia adotada há mais de três décadas pela plataforma (que começou com rádio, virou revista e hoje é evento, TV e tantos outros): entender as pessoas, falar sobre o que importa para elas e trazê-las para participar. E acredite: isso serve tanto no editorial quanto no comercial.

O CCXP Unlock também homenageou Miguel Vives, country manager da The Walt Disney Company no Brasil desde 2011. Mexicano e apaixonado pelo nosso país, ele reforçou como é fundamental saber da filosofia de seu público-alvo para não forçar, e sim adaptar da empresa que você representa na hora de fazer negócios e dinheiro. Com bons profissionais no time, flexibilidade e planejamento, é possível fazer esse processo sem ferir nenhuma das duas culturas e deixar todas as partes envolvidas felizes – garantindo o bônus de fim de ano.

Abordando a produção nacional, o apresentador e filmmaker Felipe Solari recebeu os sócios Rita Moraes, Felipe Braga e Alice Braga, que tocam a Los Bragas. Com um modelo totalmente diferente das produtoras tradicionais no Brasil, eles exemplificaram (com projetos como “Latitude”, sucesso em diversos países) como muitas vezes equipes enxutas, multidisciplinares e realmente dedicadas ao trabalho desenvolvido podem ser não apenas mais baratas, mas muito mais efetivas.

Proximidade, identificação e envolvimento mais profundo (em todos os sentidos) com o projeto faz com que esses valores respinguem positivamente no produto final. Não a toa, foi a partir dessa postura de pensar grande e atuar pequeno que eles viraram referência em eventos como SXSW e agora preparam o lançamento de “Samantha!”, projeto enorme e 100% nacional com a Netflix.

Na discussão sobre “Estratégias e uso das rede sociais”, ficou uma conclusão que serve para o on e o offline. Fabiana Baraldi (agência Africa), Juliana Municelli (Twitter) e Steve Eponto (Facebook) levantaram tópicos que lembram discussões da mídia tradicional, mas que servem desde o planejamento de um comercial na TV a cabo a um post no Instagram: não deixe a “timeline” do seu público chata. Não existe modelo ideal e de sucesso garantido, seja qual for a mídia ou a social media. O ideal é a mensagem mais interessante possível, entregue de uma forma que faça sentido naquele momento para quem emite e para quem recebe – se for bom só para um deles, algo deu errado. Ninguém é só “dona de casa”, “skater”, ou “fã de séries de assassinato”. Inclusive, pode-se ser tudo isso de uma vez só. O segredo é casar toda essa malha de dados de audiência, criatividade e efetividade. Claro que, se fosse fácil, qualquer um fazia. Então, que tal trabalhar com mais parceiros interessantes e competentes nos seus projetos?

Sobre a força dos fãs, Rodrigo Fonseca (Globo, Omelete e Estadão) recebeu o professor de mídia e cinema da Universidade de Huddersfield, Matt Hills, autor de livros e especialista em cultura participativa e “fandom” – termo que eu traduziria porcamente como “conjunto de atos e efeitos decorrentes de ser fã pra cacete de alguma coisa”. Segundo Hills, “ser fã de algo pode ser a preparação para se tornar um estudioso sobre aquele assunto”, o que é o caso dele. O fundamental é entender como os fãs, em qualquer esfera, influenciam não apenas no sucesso do objeto de desejo, mas também no futuro. Há fãs que produzem desdobramentos tão profissionais e qualitativos quanto aqueles que consomem, o que muitas vezes é determinante para que mais fãs nasçam e garantam o êxito de um produto, serviço ou conteúdo. Não apenas cultivar fãs, mas entendê-los e trazê-los para perto pode ser a fronteira entre o que só “deu certo” e o que entrou para a história como referência de sucesso.

Encerrando o primeiro dia do CCXP Unlock 2017, Luciano Amaral (o eterno Lucas Silva e Silva e especialista em games) conversou com Roberto Iervolino, da Riot – que controla alguns dos maiores eventos brasileiros do setor, como os torneios de League of Legend; e João Sobreira, que aos 17 anos comanda uma empresa especializada em levar marcas ao universo gamer: a Cursor eSports. Você pode discutir se eSport é esporte ou não, mas não seja ignorante a ponto de duvidar do potencial dele para mover multidões e cifras milionárias. Iervolino e Sobreira mostraram o quanto o segmento cresceu em exposição este ano, chegando a todas as emissoras de esporte na TV fechada e com transmissões que se aproximam dos três milhões de pessoas na audiência (vale lembrar que até a Globo, com Tiago Leifert, já surfa essa onda). O segredo daqui para frente será não só estar nos games e com os gamers, mas o mesmo das redes sociais, da mídia tradicional e de qualquer comunicação bem feita nos dias de hoje: como estar, em que momento estar e com quem estar. Oportunidades não faltam.

Durante esta quinta-feira (7), apresentam-se nomes como o contador de histórias Arthur Veríssimo, Bruno D’Angelo (Ideal H+K), Diana Boccara (Around the World in 80 Music Videos), Fernando Luna (Editora Globo), Gustavo Ziller (7Cumes), o produtor e diretor de clipes KondZilla, a atriz Alice Braga, Rickey Purdin (Marvel), o ministro da Cultura Sergio Sá Leitão, o apresentador André Vasco e Dan Lemmon (Weta Digital). A curadoria do CCXP Unlock é de Gustavo Giglio (sócio do UoD) e o apoio cultural oficial, plataforma de mídia e acompanhamento do Update or Die, com patrocínio da Locaweb e realização da CCXP 2017. E no andar de baixo, ainda tem centenas de experiências da cultura pop, geek, nerd e do entretenimento espalhados por toda a São Paulo Expo.

Mais informações sobre o Unlock aqui e sobre a CCXP como um todo aqui.

Fotos: Mel Kato