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“Conectadas” reúne a histórias de jovens mulheres que estão mudando as comunidades onde vivem

Preconceitos, tabus e tradições cruéis são perecíveis ao feminismo mais puro — aquele praticado por meninas e mulheres que sequer conhecem o termo, mas fazem de suas vidas um campo de batalha para a igualdade de gêneros.

Cinco dessas guerreiras desnudaram a realidade na qual estão imersas para compor o documentário Conectadas (Girls Connected), exibida no GNT Play — a plataforma de streaming do canal Globosat.

Conectadas

Ao longo dessa jornada de força e coragem conhecemos a peruana Josi, que incentiva seus colegas a não se envergonharem de sua sexualidade enquanto fala para uma multidão, segurando uma camisinha.

Depois de entrar em contato com o alarmante número de adolescentes grávidas no Peru, ela decidiu que alguém precisava fazer alguma coisa — e se ninguém está disposto a mudar este cenário, então ela mesmo chamaria essa responsabilidade para si. Hoje ela é uma das vozes mais atuantes na questão de educação sexual, prevenindo gravidez indesejada e conscientizando sobre os perigos das DSTs.

A colombiana Catalina Escobar também apoia esta causa, mas vai além. Depois de perder de maneira inesperada seu filho de 16 meses, ela fez do seu luto o combustível para criar a Fundação Juan Felipe Escobar, como uma forma de homenagear o pequeno e ajudar quem precisa: a instituição tem como missão erradicar a pobreza e empoderar jovens mulheres nas favelas de Cartagena. “Quando uma garota pobre engravida, ela tem apenas um caminho — abandonar os estudos. Quando isso acontece, a sociedade e a economia sofrem”, explica a benfeitora.

Já a luta de Latifa, uma menina de Bangladesh, é uma questão de vida ou morte. Aos 12 anos de idade, sua família lhe arranjou um casamento forçado, mas a garota não estava disposta a ceder às pressões domésticas. “Eu preferia morrer do que me casar”, sentencia Latifa.

Sua valentia inspira outras garotas a fazerem o mesmo, e é por isso que ela faz questão de percorrer as ruas da cidade contando, de porta em porta, sua história, para mostrar às meninas de diferentes idades que é possível não compactuar com essa tradição desumana.

Não bastasse esses desafios todos, algumas mulheres de Bangladesh têm ainda de lidar com outros preconceitos. Hijras são mulheres transgênero que são vistas como criminosas pela sociedade. No documentário, a fotógrafa Hanna Adock conta a história de uma Hijra cujos pais tentaram “curá-la”,  impedindo-na de brincar com outras crianças. Quando ela foi “diagnosticada” como Hijra, ela foi obrigada a se mudar e viver com os ciganos à beira de um rio, em uma casa comunitária de pessoas transgênero.

Enquanto isso, numa região próxima a Israel, o grupo de rap DAM usa sua música como arma, e conta histórias de opressão, dores e violência. a. Denunciando as violações dos direitos humanos que acontecem há anos no Oriente Médio, o grupo árabe-israelense marcou o mundo ao serem os primeiros artistas árabes a discutir os direitos das mulheres. A música “#Who_You_R”, por exemplo, conta com a participação de Daysa, a primeira mulher a entrar para o grupo. O hino feminista foi escrito em resposta ao adolescente texano de 16 anos que, em 2014, gravou cenas de estupro e compartilhou o material na internet, ridicularizando sua vítima.

Outra que não foge à luta, literalmente, é a karateca indiana Ayesha. Faixa preta na arte marcial, a jovem é moradora das favelas de Kolkata, onde enfrenta tudo e todos — inclusive sua epilepsia — para proporcionar aulas de defesa-pessoal para mulheres.

Também na Índia, um grupo de garotas ataca o preconceito em sua “sede”: no tradicional teatro nacional Yakshagna, o enredo mais comum é o de mulheres que precisam ser salvas por homens, e quase sempre são reduzidas a papéis coadjuvantes. Neste coletivo feminista, porém, mulheres interpretam personagens masculinos e femininos, evocando toda a auto suficiência delas.

No Quênia a situação não é lá muito diferente, como nos mostra a jovem Michelle. Criadora da Fundação Dream Sisterhood (“Sonho de Irmandade”, em tradução literal), que aposta no desenvolvimento da confiança e liderança feminina, ela investe boa parte de seu tempo explicando o feminismo para a sua comunidade. “Ainda tenho que mostrar que o empoderamento feminino não tira o papel do homem na sociedade”, confessa a jovem, aparentemente sem saber a urgência de sua fala em outros lugares do mundo, inclusive no Brasil.

Embora possamos apenas participar como espectadores do documentário “Conectadas”, devemos fazê-lo reverberar de forma ativa na sociedade — difundindo seus ideais e silenciando as vozes de preconceito e misoginia.

 


Este conteúdo é produzido a partir de uma curadoria feita pelo Update or Die na grade de programação do canal GNT. Compartilhamos nossas impressões e desdobramentos sobre diversos temas, usando os programas que mais nos chamam a atenção como ponto de partida.

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