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O cinema 3D está morrendo? A promessa de imagens mais limpas, mais realistas e imersivas, estão se tornando ilusórias, repetitivas e sem graça.

O 3D está morrendo?

O cinema 3D que conhecemos foi lançado no final dos anos 2000 e fez sucesso com o belíssimo filme Avatar – 2009. Não por acaso, o diretor James Cameron, após largar a profissão de caminhoneiro para trabalhar como cineasta (ele é formado em física e filosofia), se consagrou com o filme de baixo orçamento Exterminador do Futuro – 1984, onde demonstrou sua habilidade na área da física e da mecânica para desenvolver máquinas e técnicas de filmagens. Esteve sempre envolvido em projetos tecnológicos na indústria cinematográfica, inclusive desta última grande onda dos filmes 3D. Em meados dos anos 2000, a frequência de público para o cinema vem declinando por vários motivos: A Internet ADSL estava se popularizando, o DVD e as falidas Blockbusters estavam em todas as esquinas, videogames e o consumo de filmes acessíveis (originais e piratas).

Para se ter uma ideia, no ano de 2010, a receita total da bilheteria de filmes na América do Norte foi de (US $ 10,6 bilhões), 21% (US $ 2,2 bilhões) vieram dos filmes em 3D. Neste ano foram lançados Toy Story 3, Alice no País das Maravilhas e Avatar, todos em 3D. A novidade fez com que os grandes estúdios filmassem com a nova tecnologia ou pior, adaptassem qualquer porcaria em versões esdrúxulas em 3D (Até o Titanic ganhou um  relançamento em 3D). As franquias de cinemas já tinham uma justificativa para sobretaxar os ingressos, criando uma nova moda não tão nova assim, já que o 3D surgiu e morreu nos anos 50 e igualmente nos anos 80.

Os 10 Piores Filmes em 3D

Os 10 piores filmes em 3d

 

Já em 2016 o CEO da Imax anunciou que iria reduzir a participação 3D no mercado doméstico, citando uma “clara preferência” pelo 2D do público. A Imax evidentemente não abandonou o 3D, mas adotou uma abordagem mais estratégica, seguindo a preferência da sua clientela. Dos 35 a 40 lançamentos anuais, apenas 5 a 10 filmes são em 3D.

O cinema 3D desapontou e sofre queda global. A promessa de imagens mais limpas, menos escuras, além da imersão estão se tornando ilusórias, repetitivas e sem graça. Lembro de ter assistido o filme O Homem de Aço – 2013 duas vezes no cinema. A primeira vez foi na versão 3D: O filme que já era escuro, competia com a legenda que ficava em outro foco do filme, além das cenas com rápidos cortes e zooms espontâneos. (assinatura do Zack Snyder), na segunda vez foi em 2D e consegui assistir o filme. Tenho observado também que os spots para TV mudaram nestes 8 anos. Onde antes terminava com “…Também em 2D…” agora ocorre justamente o contrário, confirmando a teoria: “…Também em 3D…”

Trailer Vingadores

Se estiver com pressa, vá direto para 2:16 minutos “…também em 3d…”

 

Em contrapartida do mundo ocidental, o formato 3D mantém-se popular nos cinemas da Ásia, em especial na China. Em 2017, 80% de todas as telas de cinema foram equipadas para exibir filmes em 3D e a participação do formato na venda de ingressos continua maior em comparação com o mundo ocidental.

A Revista Variety relatou que as receitas de bilheteria para filmes em 3D nos EUA e no Canadá caíram 18% em 2017 para (US $ 1,3 bilhão), de acordo com um novo relatório da MPAAMotion Picture Association of America. Essa é a pior apresentação em oito anos, e uma queda acentuada em relação àqueles já citados (US $ 2,2 bilhões) em receitas 3D de 2010. O gráfico demonstra que se trata de um declínio contínuo, já que os espectadores reconheceram que pagam mais por filmes em 3D com uma experiência completamente irrelevante.

É uma pena, porque o cinema 3D era para ser divertido com experiências pontuais e dignas da sensação. Infelizmente poucos cineastas e estúdios conseguiram fazer o uso inteligente da tecnologia e o poço secou. Não se vendem mais televisores com a tecnologia 3D (futebol 3D, fala sério!) e não há sequer, conteúdos streaming na Netflix ou Amazon em 3D (até onde eu sei). O filme 3D sem a necessidade de óculos já existe mas não pegou. A bola da vez são as TVs 4K, 8K a até 16K (com resolução de 15360 x 8640 pixels).

Talvez a nova esperança seja a já anunciada, primeira sala de cinema sem projetor, onde o filme é exibido por uma TV colossal de altíssima resolução. Talvez o cinema filmado em 360 graus e a realidade virtual sejam uma promessa para o futuro. O bom disso tudo é a reinvenção da roda que faz o mercado se movimentar para trazer novidades tecnológicas ou novas experiências e sensações para o público.

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