A password will be e-mailed to you.

A História da Motown Records Como a gravadora de Detroit ajudou a construir a música como a conhecemos

a gravadora americana de música negra, fundada em 12 de janeiro de 1959

“A B C is easy as 1 2 3”, “Very superstitious, writing’s on the wall” e “I’ve been really tryin’, baby” são frases iniciais de canções consagradas mundialmente pelos Jackson 5, Stevie Wonder e Marvin Gaye, respectivamente.

Mas o que esses artistas têm em comum?

O ponto de encontro entre eles é uma gravadora americana de música negra, fundada em 12 de janeiro de 1959. Seu nome é Motown – junção das palavras de como era conhecida sua cidade de origem, Detroit ou “Motor Town”, terra de diversas fábricas automobilísticas. Detroit não apenas exportou mundialmente um “american way” de fabricação de carros, como também sediou uma das maiores instituições da black music americana. Por ter criado uma sonoridade própria, construído uma estrutura artística-executiva consistente e levantado uma importante bandeira de causa social, que a Motown tornou-se referência na música mundial e influenciou diretamente o cenário pop contemporâneo.

 

O SOM

The Funk Brothers

Foi através de arranjos bem elaborados – contendo desde o estilo canto-resposta dos coros gospel até às espontâneas orquestrações de metais do soul – que a gravadora criou uma sonoridade muito particular, conhecida como “The Motown Sound”. Sua banda base, os lendários The Funk Brothers, foram grandes responsáveis por disseminar e executar essa estética sonora, e a construção de sonoridade tornou-se uma característica essencial para qualquer artista dos dias de hoje. Entretanto, se não houvesse uma estrutura bem consolidada por trás das guitarras, baixos e baterias o groove de Detroit não teria ecoado tão alto.

 

A ESTRUTURA

O sucesso e relevância da Motown não foram à toa. A gravadora contava com uma estrutura consistente, que abrangia o ciclo artístico e de negócio da música de uma maneira completa, o que serviu de base para o modelo de gerenciamento artístico dos dias de hoje. Essa estrutura continha: salas de ensaio, estúdio de gravação, editoria das músicas catalogadas, agência para contratos, departamentos de divulgação e finanças. Além de todas essas áreas, os artistas contratados faziam aulas de performance coreográfica (aquela velha e boa dancinha que a música negra propicia) e de desenvolvimento artístico, em que bandas e cantores aprendiam como se portar em público. É perceptível o zelo e cuidado que os executivos da Motown tinham para que seus artistas se tornassem verdadeiros fenômenos musicais. Esse zelo se fez presente não somente no universo cultural como também nas difíceis questões sociais que a população negra americana enfrentou.

 

 

A BANDEIRA

O apogeu da gravadora de Detroit coincidiu com uma época bastante turbulenta para a população afro-americana. Liderados pelo pastor protestante Martin Luther King, a década de 60 foi intensa na luta pela igualdade social em todos os setores da sociedade norte-americana, inclusive na música. Mesmo que nomes como Ella Fitzgerald, Louis Armstrong e Chuck Berry tenham feito sucesso ainda nos anos 50, a Motown foi a grande responsável por introduzir artistas negros na cultura musical americana, já que esta era predominada por brancos. A razão para esse fênomeno?

Civil Rights

Letras que além de abordarem o simples lirismo continham temas sociais, ritmos contagiantes e principalmente, a alegria que os americanos estavam carentes após tantos embates socio-políticos internos e conflitos externos, como a guerra do Vietnã. Devido a esse fato que a gravadora de Diana Ross e The Supremes tornou-se um ícone cultural na luta pelos direitos civis estadunidenses.

 

O LEGADO

Quando Barry Gordy Jr. pegou US$800 emprestados de familiares para abrir sua própria gravadora – estimulado por Smokey Robinson do The Supremes – talvez ele não soubesse da dimensão que sua empresa tomaria. Entre 1961 e 1971, a “década de ouro” para a Motown, ela emplacou 110 músicas no top 10 da Billboard. Além disso, álbuns clássicos como What’s Going On?, do Marvin Gaye, e a monumental trilogia do Stevie Wonder, Talking Book, Innervisions e Songs In The Key Of Life só ajudam a comprovar a capacidade da gravadora de Gordy para a popularidade. Passados mais de 50 anos, “The Motown Sound” influenciou diretamente artistas pop da atual geração, como John Legend, Joss Stone, Amy Winehouse e tantos outros.  

Certamente não estava nos planos de Gordy nem ter a sua criação como uma das maiores influências para a música pop como conhecemos hoje, nem dimensionar o que a sua organização tornaria-se. A Motown não era uma gravadora e também não era uma empresa: era a verdadeira “Hitsville” – como ficou uma das maiores instituições da black music no mundo.

O Top 100 da Motown

 

 

 

 

No more articles

Send this to a friend