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Nos últimos anos pudemos assistir a uma enorme mudança no universo das marcas de consumo de alimentos e bebidas: seja no crescimento exponencial das cervejarias artesanais, seja no nascimento de pequenas marcas locais com fôlego para brigar com os grandes players globais, ou mesmo nas startups que vem mudando a forma como lidamos com o que vai parar em nossos estômagos. A força desse movimento se tornou ainda mais clara recentemente, quando Jorge Paulo Lemman, da AMBEV e 3G capital, reconheceu ser um “dinossauro apavorado” em um cenário em profunda transformação, em que as big brands do setor vem perdendo mercado para marcas pequenas, artesanais e ágeis.

Esse movimento, que já se mostra razoavelmente consolidado em setores como o cervejeiro (com marcas como Wäls, Colorado, Backer, etc.) e o de produtos saudáveis (ex: DoBem, Moo, Güds…) começa a tomar forma agora, de maneira ainda embrionária, ainda que veloz, no universo dos queijos artesanais brasileiros. É um setor provavelmente mais desafiador que outros, em particular por questões de legislação e produção, mas que vem trazendo novidades super interessantes.

O movimento que nasceu com o Queijo Canastra, tradicional de Minas Gerais e vendido em sua maior parte de forma “semi-legal” em todo o país, vem reunindo cada vez mais produtores e se organizando de diversas maneiras. Em Minas, por exemplo, a Região da Canastra foi a primeira a se organizar, com a ajuda de entidades como o SEBRAE e a FAEMG.  A verdade é que assim como foi com a cerveja artesanal, provavelmente vai ser com os queijos artesanais: uma vez que você prova, é difícil voltar atrás. O cheiro é outro, o sabor é outro, a textura é outra…bom, é tudo outro! Da mesma forma que tomar aquela cerveja de latão de antigamente depois de provar uma boa artesanal é um desafio, comer uma muçarela de padaria com a mesma boca boa depois de experimentar um queijo artesanal brasileiro é no mínimo…interessante.

Em Minas Gerais, terra do queijo e do leite, nomes de queijos como Canastra, Serro, Salitre, Mantiqueira já estão na boca do povo há muitas gerações…mas cada vez mais o Brasil todo começa a descobrí-los de verdade. No estado de SP, inclusive, foi criado há alguns meses o Caminho do Queijo Artesanal Paulista, com o objetivo de unir, fortalecer e valorizar os pequenos produtores do estado. Ainda há muito chão a ser percorrido, mas dá orgulho de ver marcas interessantes tomando forma, restaurantes explorando os artesanais de formas inusitadas no cardápio, cheese bars abrindo as portas e nossos queijos ganhando prêmios internacionais ao redor do mundo. Esse é o caso do queijo senzala, produzido próximo à região da Canastra, no sul do estado de Minas Gerais, ganhador do prêmio Super Ouro – a maior premiação possível – no Festival de Tours, considerado a “Copa do Mundo” dos queijos, que acontece a cada dois anos na França.

Os queijos brasileiros são incríveis, e são cada vez mais. Agora é preciso conhecê-los, apreciá-los e valorizá-los, uma vez que até mesmo fora daqui isso já está acontecendo. Abaixo incluo alguns links para que você possa conhecer melhor sobre esse universo e essa verdadeira revolução queijeira que vem acontecendo de forma silenciosa. E aí, vamos provar um artesanal?

Sertãobrás – para aprender mais e fazer parte da #revolucaoqueijeira

Queijaria Alpi – para pedir seu queijo online e aprender mais sobre ele

Coluna Só Queijo (Paladar Estadão) – para ler toda semana

Região da Canastra – para conhecer sobre a canastra e seus produtores

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