ZeroN: Interface sólida que flutua na sua frente

É como os imãs da sua geladeira, mas sem a geladeira.

Levitação magnética controlada por computador.

O computador consegue mover uma bolinha controlando as forças magnéticas em volta dela.

A bolinha também pode ser livremente deslocada pelo usuário e o computador é capaz de interpretar, repetir ou complementar o movimento.

Mais uma possibilidade no coisês (a linguagem das coisas), e uma nova maneria de interagirmos com uma interface tangível e flutuante.

É do MIT Media Lab, claro.

Levitated Interaction Element
Jinha Lee, MIT Media Lab Tangible Media Group, in collaboration with Rehmi Post, MIT Center for Bits and Atoms
Advisor: Hiroshi Ishii, MIT Media Lab Tangible Media Group

 


Wagner BrennerProfissional de criação e fundador do Update or Die.

A Terra, em 121 megapixels

Taí um bom motivo para você castigar sua banda (larga).

Mude, no rodapé do video, a resolução para 1080 HD e coloque em full screen.

É um time-lapse, ou seja, as imagens são reais (fotográficas), clicadas pelo satélite geoestacionario russo Electro-L. e cada pixel equivale a um quilometro quadrado do nosso belo planeta.

Melhor que isso dá, mas tem que pegar foguete.

Mais detalhes das fotos no Planet Earth.


Wagner BrennerProfissional de criação e fundador do Update or Die.

O que a anestesia fez pelo mundo

Um cirurgião levou seu carro até um mecânico amigo, para um reparo.
Enquanto o mecânico trabalhava, ele comentava:

“É meu amigo, eu estava aqui pensando e acho que a gente têm um trabalho bem parecido. Pensa bem: eu abro o capô do carro, examino e localizo o problema, uso minhas ferramantas, limpo uns cilindros, desmonto umas válvulas, desobstruo os tubos, deixo tudo em ordem, monto o motor de novo, fecho o capô e deixo seu carro funcionando direitinho. Bem parecido com o que você faz… apesar de você ganhar uma fortuna e eu não.”

O cirurgião pára, pensa um pouco e responde:
“Experimenta fazer isso tudo com o motor ligado”.

A HISTÓRIA DA CIRURGIA

Ontem estava lendo sobre essa especialidade da medicina, chamada cirurgia.

A gente nem lembra que é uma especialidade, a primeira coisa que vem à cabeça é o procedimento, mas tem mesmo uma turma da medicina especializada em te cutucar. Por dentro e por fora.
Aliás, “cirurgia” é um termo que poderia ser usado na feirinha hippie também porque significa “fazer com as mãos”.

Não vou me aprofundar muito na história desses heróis, mas vou te dar o tema das sua orações de hoje à noite. Quando for dormir, agradeça muito, mas muito mesmo por ter nascido depois do dia 18 de novembro de 1846.
Nesse dia, há apenas 166 anos (praticamente “ontem”, em termos de história) foi publicado um relatório chamado ““Insensibility during Surgical Operations Produced by Inhalation” (insensibilidade durante operações cirúrgicas produzida por inalação), em que Henry Jacob Bigelow relatava as experiiencias bem sucedidas de um dentista que colocava seus pacientes para dormir com éter e que os deixava insensíveis à dor.

Um dia especial para a humanidade.

Ganhamos a anestesia.

Ganhamos da dor. Não daquela que conhecemos, mas de outra que fomos poupados: a dor insuportável.

COMO ERA

Antes da anestesia, uma cirurgia era praticamente uma tortura lenta seguida de morte, já que a maioria dos pacientes acabavam morrendo no procedimento ou algum tempo depois, de infecção.

Uma sala de cirurgia era muito diferente dessa que a gente conhece, super asséptica e tão tranquila que se ouve apenas o bip-bip das máquinas. Antigamente essas salas eram cenários para espetáculos de horror, com gritos de desespero que eram ouvidos de longe e os cirurgiões precisavam ter um grau de frieza, técnica e controle absurdos.

Uma cirurgia de catarata, por exemplo, era feita com ferramentas que pareciam colheres, enfiadas por trás dos globos oculares (já tô vendo sua cara se retorcendo, já vou parar de falar nisso).

Os médicos precisavam ser muito bons em anatomia.

Veja o depoimento do Dr. William Hunter, para um grupo de estudantes, no século 18:

“A anatomia é a base da cirurgia. Ela informa nossa cabeça, guia nossas mãos e nos prepara o coração para uma espécie de desumanidade necessária.”
Coisa de heróis, mesmo. Um deitado e outro em pé.

Só mais um exemplo, aguenta firme (de novo algo que a gente nem pára para pensar): as amputações.

Amputações, apesar de serem procedimentos radicais, salvavam muitas vidas.

Antes da anestesia, sabe qual era a habilidade mais importante de um cirurgião?

A velocidade.

Amputar rápido era mais importante do que amputar com cuidado.

A dor era tão intensa que não poderia ser suportada por um periodo muito longo.

Pernas eram amputadas apenas por cirurgiões muito experientes e em menos de 3 minutos! Imagine a brutalidade do procedimento.

O historiador Richard Hollingham conta que certa vez um cirurgião famoso por sua rapidez, cortou 3 dedos de um assistente seu durante uma amputação. Um aluno que observava tudo teve um ataque e morreu e também  o paciente e o assistente, dias depois, de infecção. Foi o único caso conhecido de um procedimento cirúrgico com  300% de mortalidade.

Pronto, não vou descrever mais nenhuma barbaridade.

Mas resolvi postar porque fiquei bem feliz em estar vivo numa época em que existe a anestesia e achei que você também ficaria. Outra coisa importantíssima que nunca tinha parado para pensar é enxergar os anestésicos não apenas com a função de nos poupar dos horrores da dor, mas principalmente como os grandes reponsáveis pelo aumento da meticulosidade nos procedimentos cirurgicos, que passaram a ser feitos sem a pressa e sem a pressão absurda de antes.

Na verdade, as cirurgias começaram mesmo com a anestesia, antes acho que era outra coisa, era meio desespero de causa.

A anestesia inventou o cirurgião.

Hoje, fazer uma cirurgia não tem nada de horror.

Os médicos têm à disposição mais de 2.500 procedimentos cirúrgicos diferentes e mais de 50 milhões de operações são feitas anualmente, só nos Estados Unidos.

Nossos heróis cirugiões agoram salvam vidas aos milhões e a ingrata cirurgia de outrora se transformou na grande estrela e representante dos avanços da medicina.

O “fazer com as mãos” vem se transformado rapidamente no “fazer com as máquinas” e as cirurgias são cada vez menos invasivas. Em breve, nem mais invasivss serão em alguns casos, por causa da nanotecnologia (basta engolir ou injetar uns robozinhos e pronto). Realmente não há limites para o que a combinação entre cirurgiões e máquinas poderá alcançar.

Um viva a anestesia e aos médicos, nossos super-heróis da vida real. Não é para qualquer um.

O texto completo com mais detalhes incríveis você encontra aqui (vale a pena, e olha que eu sou do tipo que fujo de médico)


Wagner BrennerProfissional de criação e fundador do Update or Die.

Como costurar um planeta

 

“Páre de falar de Holoceno! Estamos no Antropoceno”

Hein? Como? É…pití de cientista é assim… dramático e complexo.

Foi assim que, num surto, o químico e ganhador de Prêmio Nobel Paul Crutzen interrompeu o palestrante no meio de uma importante conferência global (The Effects of Ozone-Depleting Compounds), cheia de cientistas e gente inteligente, há 10 anos, lá na Holanda.

Silêncio geral no auditório.

Coisa de macho de cérebro anabolizado, ter a coragem de fazer uma cena dessas, no meio de uma platéia dessas.

O tal Holoceno, é uma época que se iniciou na última Era do gelo (há 12 mil anos) e se extende até hoje. E como você deve saber, “antropo” significa “homem”. O que Paul Crutzen quiz dizer é que essas eras sempre foram medidas pelo impacto do planeta sobre o homem. Mas, agora as coisas se inverteram, e o impacto do homem sobre o planeta é, pela primeira vez na história, mais relevante. Portanto, agora é “Antropoceno“.

O coffee break foi comprometido. Não se falava em outra coisa que o “Antropoceno”.

Cérebros flipavam dentro dos crânios dos crânios.

Em pouco tempo alguém melhorou ainda mais o termo recém-criado, e acrescentou:

“o homem está, finalmente, reinvindicando e estampando uma marca de direitos autorias sobre o planeta”.

(uau, esse pessoal é bom de texto, facilita a citação pra tuitada)

Ou seja, pela primeira vez conseguimos criar um impacto sobre o planeta equiparável a uma era glacial.

No Terra vs. terráqueos, viramos o jogo.

MAS O QUE FOI QUE FIZEMOS?

Fizemos o maior liga-pontos do universo conhecido.

Estamos construindo há milhões de anos uma malha de ligações entre pessoas. Criamos desenhos, estradas, pontes, línguas, alfabetos, livros, postes de luz, antenas, cabos submarinos de internet. Tudo o que foi (e for) possível para nos ligar uns aos outros, apesar de umas guerras aqui e acolá. Queremos nos unir, nos aproximar e com o perdão da palavra desgastada, nos conectar. E quanto mais a gente consegue, mais rápido criamos novas ligações.

O biologista E. O. Wilson, que também estava na conferência, mandou um “nosso padrão deixou de ser o do primata e ficou mais bacteriano”. Demorou muito, ninguém deu bola, mas ele está certo.

Nosso planeta que era assim como esse primeiro frame do video abaixo, ficou…

(essa é a deixa para você dar o play)

… assim:

Parece linguagem de tecnologia, mas eu enxergo poesia pura, de emocionar mesmo.

Vamos ver o que fazemos daqui para frente, já que estamos de mãos dadas, mais íntimos. Torço por orgiais cerebrais homéricas.

O video é uma criação da  Globaia

 


Wagner BrennerProfissional de criação e fundador do Update or Die.

Jerry, o ursinho diabético

Pensando em ensinar as crianças com diabetes a entenderem e controlarem a doença desde cedo, dois estudantes da Northwestern University criaram um ursinho de pelúcia. Ao invés de Teddy, Jerry.

Jerry possui um medidor de glicose no braço que diz à criança qual a hora de aplicar injeções de insulina. E para isso há uma “seringa” de brinquedo que deve ser aplicada em Jerry, que possui alguns lugares especiais para isso.

Só fico imaginando aqui as infinitas aplicações desse tipo de raciocínio. E para adultos também. A previsão é que o brinquedo chegue ao mercado já em 2013.

via Springwise


Bruno Scartozzoniestá um monte de coisas, e é pouquíssimas delas. Apaixonado por cinema, política e comunicação.

Quebrando a barreira do som, desta vez sem o avião.

Não sei se você já ouviu falar de um projeto incrível chamado Red Bull Stratos.

Basicamente, um base-jumper austríaco chamado Felix Baumgartner vai tentar algo imaginado apenas pelos autores de quadrinhos de super-heróis.

Quebrar a barreira do som.
Sem avião.
Só com o corpinho e um traje especial.
Que nem o Iron Man.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Mas antes disso, Felix vai precisar ser também o primeiro homem a saltar de uma altura de 37 km, na exata altitude entre o que chamamos de céu e espaço (a chamada “Linha Armstrong”), e 4 km acima daquele salto famoso de Joe Kittinger em 1960.

Vai entrar em uma cápsula suspensa por um balão de hélio, subir até começar a ficar escuro e ver a curvatura da Terra, abrir a portinha e dar um passinho a frente.

Se fosse só um pouquinho de nada mais alto, ao invés de cair, ele saia flutuando e ia embora.

Felix é um base jumper famoso, já esteve no Rio, saltando do braço do Cristo Redentor, atravessou o canal da mancha inteiro em queda livre, fez vários base jumps de edifícios famosos.

Mas nada se compara com o que está pretendendo fazer.

O projeto estava embaçado desde 2010 porque a Red Bull estava sendo processada por Daniel Hogan, que dizia ser o dono da ideia. Tudo esclarecido no ano passado, o projeto foi reativado e deve acontecer em algum momento de agora até o final do ano. O traje está constantemente sendo aprimorado e as condições metereológicas precisam ser as melhores possíveis, por isso o momento exato ainda não pode ser definido.

Felix precisa estar pronto e disponível, porque em algum momento seu telefone vai tocar e vai ser a hora de saltar.

O video abaixo mostra uma das etapas preparatórias em que Felix Baumgartner saltou de uma altitude de 21 km.


Wagner BrennerProfissional de criação e fundador do Update or Die.

Por que os exames precisam ter nomes tão feios e assustadores?

Em 1911 você tinha que colocar pés e mãos em água fria para fazer um eletro. Era pior que o nome.

 

Por que os exames médicos têm nomes científicos?
Precisa assustar tanto? Não dava para ser mais amigável?

A medicina bem que podia se beneficiar um pouco do universo da comunicação.
Pelo menos naquela parte da medicina que temos contato, aqueles momentos em que precisamos emprestar nosso corpo para alguém dar uma espiada, geralmente usando uma máquina.

Como um eletrocardiógrafo, que faz eletrocardiogramas.
Ou um eletroencefalógrafo, que faz um eletroencefalograma.

Mas por que usar os nomes que fazem sentido para os médicos se a maioria dos usuários, e maiores interessados, são os pacientes? Será que não podiam ter um nome de fantasia, uma marca?

Ninguém ia gostar de beber uma “água gaseificada com extrato de noz de cola”.
Nem iam querer um “dispositivo eletrônico móvel de computação e telefonia celular”.
É Coca.
É iPhone.

Nenhum produto de consumo usa os nomes genéricos e universais criados pelos engenheiros e cientistas.

Pode ter certeza. Se você falar uma palavra que tenha “eletro” e ainda mostrar aqueles fios todos, cheio de eletrodos, é óbvio que qualquer criança (e muitos adultos também) vai achar que vai tomar algum tipo de choque. Os aparelhos medem, na verdade, a eletricidade produzida pelo próprio paciente e não pela máquina. Mas com esses nomes, é muito mais fácil imaginar o contrário.

Se um eletroencefalograma chamasse “Bob Marley”, não existia criança chorando no exame.
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-”Dona Maria, vou pedir para senhora levar seu filho para fazer um Bob Marley, para investigar melhor a situação”.
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Quando meu filho fez um Bob Marley, o pessoal do laboratório disse que era o “exame do astronauta”, porque sabem o efeito disso.
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Uma endoscopia podia ser um “Moby Dick”, porque vai lá dentro do estômago.
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Para a resonância magnética, “You Tube” seria perfeito, mas já pegaram.

O “Ultra som” acho que tá legal, não mexeria. Mas se tivesse uma música bem alta durante o exame, ficava melhor.

Sei lá, uns nomes melhores…

Brincadeiras a parte, a humanização da medicina como um todo, não apenas na parte de enfermagem em hospitais, é fundamental para essa mudança em direção a medicina preventiva.

Se a prevenção é nossa melhor aposta, e não resta dúvida que é, então está mais do que na hora de entregar essa conta para quem entende de consumo e deixar essa relação menos tensa. Menos tensa não, tem que transformar essa relação em um caso de amor, de amor próprio, sem suspense, sem medos, sem excesso de protocolos.

É preciso criar uma medicina de consumo, transformar paciente em cliente, nossos corpos no nosso produto preferido e nossos exames em video-games.


Wagner BrennerProfissional de criação e fundador do Update or Die.

Por que um quadro original é melhor que a falsificação?

Na segunda guerra mundial um oficial nazista que colecionava artes compra um quadro de um comerciante holandês. Quando a guerra acaba o oficial é preso, encontram sua coleção e, eventualmente, conseguem rastrear quem o vendedor daquele quadro. O vendedor é considerado um traidor por ter negociado com um nazista, mas acaba confessando um outro tipo de crime…

Ele não havia vendido uma obra original, mas sim uma falsificação, pintada por ele próprio! Mas a história não termina aí.

Quando o oficial nazista fica sabendo disso ele reage como se, pela primeira vez na vida, tivesse se deparado com a maldade humana. E aí se mata.

A questão é: mesmo falsificada a obra dava ao oficial nazista um sensação de prazer bastante real. E, diga-se de passagem, a falsificação era ótima. Então, o que muda quando ele fica sabendo da origem “alternativa” da obra? Por que uma mera informação faz com que seu sentimento em relação àquilo mude drasticamente?

A partir dessa história tragicômica o psicólogo Paul Bloom decifra a origem do prazer, ou melhor, o prazer na origem. Em outras palavras, porque o contexto muda completamente a nossa percepção sobre coisas concretas. A frase que, pra mim, melhor explica esse fenômeno saiu da boca de um empresário do ramo da cerveja com quem certa vez fiz uma reunião. Segundo ele seu trabalho, muito mais do que fazer uma boa cerveja, era criar um bom contexto. Pra ele “a mente conta pra boca o gosto que tem“, e não o contrário.

Essa frase deu origem a um post que escrevi há algum tempo sobre o mesmo tema, provavelmente a melhor coisa que já publiquei aqui.

dica da @lini


Bruno Scartozzoniestá um monte de coisas, e é pouquíssimas delas. Apaixonado por cinema, política e comunicação.

Como revelamos e interpretamos emoções com o olhar?

Tudo o que você queria saber sobre a música do Roberto Carlos, mas tinha medo de perguntar. Clique na imagem para ampliar.

 

dica do Luiz Murillo (o infográfico, não a música)


Bruno Scartozzoniestá um monte de coisas, e é pouquíssimas delas. Apaixonado por cinema, política e comunicação.

Zoological and entomological wallcharts (1900-1950?)

Via: Wageningenur (Holanda)


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