Leão Verde Social: premiando ideias de baixo custo e grande impacto

leaoverdesocial

É muito gratificante ver alguns movimentos de mudança no panorama das agências de propaganda. Especialmente quando estes movimentos estão relacionados a uma ideia de usar o poder transformador da comunicação para melhorar a realidade. Este projeto, Leão Verde Social, da agência Nova S/B, convoca profissionais e estudantes a criar ideias simples, de baixo custo e grande impacto para melhorar a vida nas cidades. Tem como grande prêmio uma viagem a Cannes e um troféu criado especialmente pelos irmãos Campana.

E, o que no meu ponto de vista é o mais interessante: aproxima quem tem a ideia de quem pode implementar.

As melhores ideias serão apresentadas a um grupo formado por empresários, representantes de ONGs, cidades e governos, como forma de incentiva-los a adotar os projetos. Ao adotar, a empresa ou entidade premiará o autor da ideia com R$5 mil e terá o direito de implementar a ação. Em um segundo momento, todas as ideias não adotadas serão colocadas em um site criando um enorme database de ideias legais para melhorar a vida nas cidades inspirando outras empresas, organizações, associações, governos e prefeituras a colocá-las em prática. Vale conhecer.

Paula Rizzoé publicitária, mãe, curiosa e usa boa parte da sua energia fazendo a curadoria de inovação e inspirando gente na c

Publicitário, o ghostwriter das marcas

Quando eu era criança, acreditava que as propagandas que eu via na TV eram feitas pelos próprios anunciantes.

“Nossa, o Exército não sabe fazer comercial, né?” ou “você viu que legal o comercial que a Parmalat fez?”

Eram as marcas que falavam comigo, eram elas que faziam aquilo que eu estava vendo. Eu nem sabia que existia agência de publicidade.

Só quando entrei na faculdade e comecei a trabalhar em propaganda é que descobri o que tinha por trás dos anúncios. Tinha gente só pra cuidar do visual, outra pessoa só para escrever o que seria dito ou lido nos comerciais, outra só para conversar com o cliente e alinhar direitinho a mensagem que ele precisava passar, outra ainda só para cuidar da produção dessa mensagem, que seria veiculada nas mídias que outra pessoa determinou depois de fazer um monte de cálculos e comprar o espaço publicitário.

Que ingenuidade a minha; uma marca nunca ia conseguir fazer um comercial sozinha.

Mas em uma coisa eu até que tinha razão.

Bem, vocês devem conhecer o Jostein Gaarder, autor do famoso “O Mundo de Sofia”.

Em seu livro “O Vendedor de Histórias”, ele nos apresenta a Petter Aranha (não, não o Parker), um cara tão criativo que não consegue parar de ter ideias de histórias, uma mais mirabolante que a outra.

Um dia, ele percebe que é um ótimo negócio vender suas histórias a escritores iniciantes ou sem ideias. Petter sempre foi avesso à fama, e para ele sempre interessou mais a possibilidade de criar ideias indefinidamente do que trabalhar exaustivamente em apenas uma história. Por isso, o papel de ghostwriter era perfeito para ele.

Ghostwriter é o profissional que ganha sua graninha escrevendo coisas que serão assinadas por outras pessoas, que levarão todo o crédito, reconhecimento e sucesso. E Petter era um dos bons: fazia cada um de seus clientes acreditar que era o único para quem fornecia seu material, criando uma relação de confiança e garantindo total sigilo sobre o assunto. Óbvio que seria um problemão se alguém descobrisse que o verdadeiro autor daquele bestseller era, na verdade, um cara que foi pago para fazer o trabalho duro enquanto o que teve seu nome estampado na capa ficou com todos os louros da fama; então Petter tomava lá os seus cuidados. Ele sabia que tinha gente capaz de matar para garantir que a verdadeira autoria daquele sucesso literário jamais seria revelado.

Enquanto lia esse livro (que aliás, recomendo a todos), percebi o quanto eu tinha em comum com o Aranha. Minha mãe, que entende de propaganda tão bem quanto eu entendia antes de entrar em agência, uma vez me perguntou, quando eu contei que meu primeiro anúncio seria veiculado em revista: “vai dar pra ler seu nome no rodapé do anúncio?”. Não, mãe. Não vai dar, sorry. Publicitário só assina suas criações em fichas técnicas, que, muito provavelmente, só outros publicitários vão ler. As mães, e outras pessoas também chamadas de “público-alvo”, que assistem TV, ouvem rádio e leem revistas, nunca saberão quem foi o verdadeiro autor daquela simpática mensagem que a convenceu a experimentar aquele sabão em pó.

O ghostwriter põe sua imaginação e seu talento a serviço de outra pessoa. Ele é contratado para deixar uma história bem escrita e interessante de um jeito que outra pessoa não conseguiria fazer. O mesmo acontece com o publicitário, que, assim como um escritor — que precisa incorporar a voz dos seus personagens para contar uma história — incorpora a voz das marcas para transmitir a mensagem delas para o público de uma forma cativante. E, assim como o ghostwriter, permanece no anonimato.

Quer dizer, nem sempre. Os festivais de propaganda estão aí para oferecer algum reconhecimento para os criativos por trás das marcas. E, em tempos de Cannes, eles são mais celebrados que as estrelas do futebol (pelo menos no mercado publicitário). Hoje temos toda uma geração de criativos que acredita ser o seu trabalho ganhar um Leão, e faz disso um objetivo — e não consequência de um trabalho bem feito. Ao invés de deixarem as marcas usarem seu talento para conversar com as pessoas do outro lado da TV, usam as marcas para provar aos jurados que aquela ideia merece um prêmio. É aí que alguns publicitários se distanciam da comparação acima com os ghostwriters: de ghost, só os trabalhos que inscrevem nos festivais. E, como todo mundo já deve ter lido esse polêmico texto do Fernando Campos, nem faz sentido eu me prolongar no assunto.

Mas, vaidades à parte, o que mais me fascina no publicitário é a mesma essência que faz do ghostwriter esse profissional tão controverso: não importa quem ele seja, ou que prêmios tenha ganhado; desde que eu tenha o gostinho de imaginar que é aquela marca que está conversando comigo na propaganda.

Aline ValekAcima de tudo, uma leitora.

Cannes Lions 2012: o GP de Film

O GP de Film este ano foi para  ’Back to the start‘, filme em animação criado pela Creative Artists Agency de Los Angeles para a rede de fast food Chipotle. A produção é da Nexus.

O Brasil ganhou 5 leões na categoria, um de prata e 4 de bronze:

- uma prata para a Almap com ‘From Love to Bingo‘ para o Getty Images com produção da Paranoid BR

- um bronze para a Ogilvy com ‘Cat Toast’  para Flying Horse com produção da Zohar

- um bronze para a DM9 com ‘Is the New’ para a Follow Magazine com produção da Ad Studio

- um bronze para a Loducca com ‘Play Miguel, Play Ramires e Play Fabricio’ para a MTV com produção da Paranoid BR

- um bronze para a F/Nazca com  ‘Before and after ’ para a Nike com produção da Ioiô Filmes

Paula Rizzoé publicitária, mãe, curiosa e usa boa parte da sua energia fazendo a curadoria de inovação e inspirando gente na c

Leo Burnett Seminar

Speaker:
Mark Tutssel, Chief Creative Officer, Leo Burnett
Marcello Magalhães, Partner, Strategic Planning Vice-President, Leo Burnett Tailor Made
James Kirkham, Managing Director, Holler

Wagner BrennerProfissional de criação e fundador do Update or Die.

Nike & R/GA Seminar

Speakers:
Stefan Olander, Vice-President of Digital Sport, Nike
Bob Greenberg, Chairman, CEO, Global Chief Creative Officer, R/GA

Wagner BrennerProfissional de criação e fundador do Update or Die.

Cannes Lions 2012: os GPs de Cyber

Foram dois os vencedores de Grand Prix na categoria cyber. Um deles foi para a R/GA com o case Nike+ Fuel Band que, mais do que uma comunicação online, tem a ver com o desenvolvimento de uma plataforma social de métricas pessoais relacionadas ao esporte.

O segundo case vencedor também tem uma característica rompedora: o projeto ‘Curators of Sweden da agência Volontaire para o Instituto de Turismo da Suécia permitia que qualquer sueco assumisse o controle do perfil @sweden para emitir suas opiniões sobre o país, fazendo um uso para lá de democrático da rede social.

O Brasil garantiu três bronzes na categoria: dois da Almap (um para o Getty Images ‘From love to bingo‘ e outro para Peças VW ‘The Original Click‘) e um da Loducca para Easy Way (‘Test Easy Way‘).

Paula Rizzoé publicitária, mãe, curiosa e usa boa parte da sua energia fazendo a curadoria de inovação e inspirando gente na c

Cannes Lions 2012: o GP de Mídia

O Google queria promover a sua busca por voz e para isso resolver usar o meio mais antigo do mundo: outdoors. Foram criados posters brincando com a fonética. E o diferencial destas peças é que foram pensadas especificamente para os locais onde foram veiculadas. Por exemplo, em Baker Street a placa dizia “Sur-lok Hoemz”.  Os resultados foram muito bons: o reconhecimento da campanha foi mais de três vezes a média no exterior e o uso do recurso foi o dobro do que o registrado em cidades onde não foi feita a ação.

O Brasil teve 4 bronzes na categoria. Um para a DM9, com ‘C&A Fashion Like’,  um para a Loducca, com ‘Peugeot 408 Airbags‘, dois para a Y&R, um com o ‘QR Thanks‘ para a Santa Casa e um para a Telefonica/TVA com o ‘5 mil capas‘.

Paula Rizzoé publicitária, mãe, curiosa e usa boa parte da sua energia fazendo a curadoria de inovação e inspirando gente na c

Cannes Lions 2012: o GP de Design

O GP de Design foi para a Serviceplan de Munique, Alemanha, com “The Solar Annual Report 2011″, para a Austria Solar, um anuário sobre energia solar que só era visível à luz do sol. Confiram abaixo o vídeo que mostra melhor o projeto:

O Brasil levou seis bronzes na categoria. Um para a Publicis (“Blurred Eyes”, para L’Officiel), um da ageisobar (“Shoelace Business Card” para as Adidas Stores), um da Ogilvy (“Happiness Refill”, para a Coca-Cola), um para a JWT (“Deaths”,  para 91 Rock), um para a F/Nazca S&S (“Backlight Panel”, para Leica) e um para a Greco Design (“Dauro Oliveira Orthodontic Clinic Signage”, para a Clínica Ortodôntica Dauro Oliveira).

Paula Rizzoé publicitária, mãe, curiosa e usa boa parte da sua energia fazendo a curadoria de inovação e inspirando gente na c

Contagious: Better with the Brand

Speakers:
Paul Kemp-Robertson, Co-Founder, Editorial Director, Contagious Communications
Will Sansom, Consultant, Contagious Communications
Katrina Dodd, Editor, Consultant, Contagious Insider

Wagner BrennerProfissional de criação e fundador do Update or Die.

Cannes Lions 2012: o GP de Press

O Grand Prix de Press este ano foi para um trabalho da Fabrica em parceria com a 72Sunny, de Amsterdã pela campanha UnHate para a Benetton.

O Brasil conquistou 18 leões na categoria:

1 Ouro da Ogilvy para a Claro (‘A, T, S, I’);

6 Pratas, sendo duas da Ogilvy para a campanha da Forbes, uma para a Almap (Audi), uma para a Lua (Kiss FM), uma para a Lew’Lara (Doação de Lixo) e uma para Dim Canzian (FF English School);

11 Bronzes, sendo 4 para a Y&R (Perdigão, Goodyear, LG e Café Bonogrão), um para a JWT (Alcoólicos Anônimos), um para a Ogilvy (Claro),  um para a Draft FCB (JVC), um para a DM9, um para a Dentsu (L’Univers de Chocolat), um para a Almap (VW Caminhões) e um para a Lew’Lara (Doação de Lixo).

Paula Rizzoé publicitária, mãe, curiosa e usa boa parte da sua energia fazendo a curadoria de inovação e inspirando gente na c


Copyright © 2013 · All Rights Reserved · Update or Die

Updaters - Alameda Mamoré, 535 Alphaville - Barueri - SP (11) 4166.5701
As opiniões expressas pelos autores e leitores são de sua inteira responsabilidade e não refletem, necessariamente, a opinião deste coletivo ou da Updaters Comunicação & Marketing Ltda. Garanta que sua opinião seja expressa: seja educado. Mensagens ofensivas serão retiradas e/ou classificadas como blacklist (impedimento de novos comentários) All data and information provided on this site is for informational and entertainment purposes only. Updaters Comunicação & Marketing Ltda makes no representations as to accuracy, completeness, currentness, suitability, or validity of any information on this site and will not be liable for any errors, omissions, or delays in this information or any losses, injuries, or damages arising from its display or use. All information (text and media like video and/or audio) is provided on an as-is basis.