Confiram abaixo mais uma execução (a última) da campanha global da Heineken para a UEFA Champions League, cuja final este ano acontece em Londres.
O filme, criado pela Wieden+Kennedy Amsterdam com produção da Sonny London e direção de Fredrik Bond tem passagem pelo Brasil, mostra o personagem correndo para sair do Brasil a tempo de chegar em Londres para a final e tem uma pontinha no filme de André Abujamra.
“So…who actually texted the text that he couldn’t text?”
Solução simples da Leo Burnett/USA para um job de Sprint que podia complicar fácil. Produção da Hungry Man. Participação do piloto da NASCAR Sprint Cup Series, Dale Earnhardt Jr.
O Harvard Business Review publicou ontem um texto no mínimo polêmico, dada a importância do veículo entre aqueles que lideram os mais diversos setores da economia.
Mais do que isso, é um texto extremamente moderno e provocador.
O artigo é um conjunto de 7 regras para gerenciar profissionais Criativos, escrito por Tomas Chamorro-Premuzic, uma autoridade em “Business Psychology”.
A seguir, um resumo para os leitores do UoD. Prepare-se, porque alguns pontos são no mínimo corajosos. (alias, tomei o cuidado de traduzir as frases mais perturbadoras exatamente como estão no original. “Pague-os mal” por exemplo, é “Pay them Poorly”)
“De lua, imprevisíveis, excêntricos e arrogantes? Talvez – mas você não pode se livrar deles. Na verdade, a não ser que você aprenda a tirar o melhor de seus profissionais criativos, mais cedo ou mais tarde, você quebra. Por outro lado, se você contratar e promover apenas profissionais fáceis de gerenciar, sua empresa será no máximo, medíocre. Então qual é a chave para motivar e manter profissionais criativos?
1. Mime-os e deixe-os falhar.
Como pais orgulhosos da bagunça que os filhos fazem, transmita completo apoio e suporte. Encoraje-os a arriscar e falhar. Inovação vem com o incerto, o risco e a experimentação. Se você já sabe como fazer, não é criativo. Claro que há custo nesses erros. Mas é mais barato do que NÃO INOVAR.
2. Cerque-os de semi-chatos.
A pior coisa que pode acontecer com um criativo é trabalhar com alguém igualmente criativo. O resultado será a competição de ideias, eternos brainstorms ou pior: um ignorará o outro. Mas você também não pode cerca-los de gente chata. Uma pesquisa recente indica que equipes que aceitam melhor ideias alheias, são mais criativas.
A solução, portanto, é cercar os criativos de profissionais convencionais demais para desafiar suas ideias, mas não ao ponto de não colaborarem. Devem ser executores, que fazem o trabalho sujo. Todo Messi precisa de Busquets e Puyol.
3. Apenas envolva-os no trabalho que realmente importa.
Inovadores tem mais visão do que os profissionais tradicionais. Eles são capazes de ver a Big Picture e entendem o que realmente importa. Assim, não se motivam por trabalhos sem sentido. Tarefas mundanas, devem ser dadas a profissionais menos brilhantes.
4. Não os pressione.
Criatividade demanda liberdade e flexibilidade. E somos todos mais propensos a ser criativos diante do inesperado. Não force seus criativos a seguir processos e estruturas rígidas. Deixe-os trabalhar remotamente e com horários mais flexíveis. Não pergunte onde estão ou o que estão fazendo. Pense na liberdade de Don Draper e como ele nunca foi trabalhar para um concorrente.
5. Pague-os mal.
Existe um velho debate sobre como deve ser a motivação dos profissionais criativos. Ao longo das últimas duas décadas, psicólogos têm mostrado evidências do que se chama de “over-justification“. O processo pelo qual altas recompensas reduzem o interesse genuíno e intrínseco dos indivíduos. De novo, como pais que não devem premiar filhos por fazer apenas o que é esperado deles.
Moral da história? Quanto mais você pagar para alguém fazer o que ama, menos ele vai amar essa tarefa. Está mais do que provado que profissionais criativos motivam-se menos por dinheiro e mais por reconhecimento e simples curiosidade científica.
6. Surpreenda-os.
Tédio mata a criatividade. Criativos buscam a mudança constante, até comprometendo sua própria produtividade. Criatividade é caracterizada por alta tolerância à ambiguidade. É fundamental que você surpreenda seus profissionais mais criativos. Deixe-os criar e lidar com o caos.
7. Faça-os sentirem-se importantes.
T.S. Eliot escreveu que “a maior parte dos problemas do mundo é causada por gente que quer ser importante”. Justiça não é tratar a todos igualmente e sim como merecem. Todas as empresas possuem empregados de alto e baixo potencial. Mas só gerentes competentes sabem identificá-los. Se você falhar em reconhecer seus profissionais mais criativos, eles irão para outro lugar onde sejam reconhecidos.
Nota final. Raramente os profissionais inovadores têm talento para liderar. São “profiles” diferentes. Steve Jobs se relacionava melhor com gadgets do que com pessoas. Pesquisas confirmam o estereótipo dos inovadores corporativos como “enfant terribles”, rebeldes, anti-sociais, egoistas e com pouca empatia. Mas se você os gerenciar bem, suas invenções vão nos encantar a todos”
Do lado de cá, abordo os novos conceitos de restaurantes que estão fazendo sucesso na terra da rainha, formatos de negócio que facilitam a procura de sua alma gêmea e games imersivos que dão o que falar nas ruas londrinas.
Bombino é o nome de um Tuareg, sim, os nomades que vivem nos desertos do norte da Africa. Dan Auerbach é o nome de um americano, músico (Black Keys) e produtor (Dr. John). Nomad é o nome do álbum fruto desse encontro, produzido e gravado em Nashville por Dan. Sem mais.
Mais um comercial primoroso da Wieden+Kennedy Londres para a manteiga Lurpak. A produção é da Outsider e a direção de Scott Lyon.
Para quem não viu vale conferir o também incrível comercial ‘Good Proper Food’, veiculado em março que teve direção é de Vince Squibb e a produção da Gorgeous.
No surf, quando alguém entra na sua frente ou rouba o seu drop se diz que o cara “rabeou”. Pegou uma onda que não era dele e ainda acabou com a sua alegria.
Em inglês se chama “snaking” e a prática é considerada altamente ofensiva e sem dúvida a maior causa de encrencas e quebra-paus entre surfistas, principalmente quando acontece entre locais e “visitantes”.
Mais ou menos assim:
Tolerância zero. É o “Sai dela! Sai dela! Sai dela”
E o que isso tem a ver com marketing?
Bom, hoje de manhã dei de cara com mais um “case” de propaganda (ai, ai ai), uma iniciativa que usa o Pinterest para “viralizar” (bleargh) e fiquei pensando como algumas marcas fazem exatamente a mesma coisa: rabeam a onda alheia.
Entram em uma onda que não é delas e acabam com a alegria de quem já estava surfando.
E da mesma maneira que no mar, a prática ofensiva do rabeamento aumenta na mesma proporção em que aumenta o número de surfistas. E como a estratégia vigente ainda parece ser a de ir onde o povo está, acabam invadindo a sua praia como bem profetizou o Roger do Ultraje a Rigor.
VAMOS AO INFELIZ CASE
A marca é Buick.
A ideia: usar o Pinterest para ajudar a criar o design interno do carro.
Uau. Quando li, adorei. Apesar de não ter ideia de como fariam isso.
Como será que vão usar o Pinterest para criar o interior do novo Buick? Talvez referências de boards de arquitetura? Talvez inspirado em designs de objetos da década de 50? Quem sabe linhas inspiradas em formas encontradas na natureza?
Nã nã nã, nada disso.
Na verdade convidaram alguns pinteresteiros cheio de seguidores (quanti! quanti!) e usaram suas fotos para criar algumas combinações de paletas de cores para simplesmente sobrepor um layer em uma foto do painel e estofamento de um Buick “conceito”, também conhecido como o Buick que a gente não tem intenção de fazer por enquanto.
Olha só:
O que?
“Sai dela! Sai dela!”
Como uma marca tem a coragem e o descaramento de (1) achar que somos todos idiotas e (2) propor uma mecânica equivalente ao papelzinho de colorir que meu filho recebe quando vai no restaurante?
Esse barulho todo para sobrepor opções de cores em uma foto de interior de carro?
Precisa mesmo forçar essa barra toda só para marcar presença no Pinterest?
Precisa mesmo inventar uma papagaiada qualquer só para surfar no mar dos Facebooks, dos Twitters e dos Instagrams?
Precisa transformar ferramentas sociais legais e divertidas em ferramentas de propagandas chatas?
Chega de filminho com trilhinha infantilizada. Chega de filminho “olha como essa marca é igual a você”. Chega de depoimentozinho.
Até quando o marketing e as agências vão forçar essa barra de ficar rabeando onda?
O Buick é o exemplo, mas poderia ser mais um montão de outras marcas, claro.
Sei que o tom é amargo, mas pô, bastou uma coisa ser legal para a propaganda tentar se infiltrar, fingindo um tom de surfista local e, em 99% das vezes, do jeito mais trágico possível?
Claro, sempre foi assim, mas com esse mar lotado de redes sociais a coisa tem tomado uma proporção absurda, frequente e irritante demais. E como os consumidores são sempre mais dinâmicos, o contraste é de dar dó.
Podiam gastar 2 neurônios a mais e pelo menos tentar pegar a onda do jeito certo, não podiam? Ou pelo menos tentar acrescentar alguma coisa.
Buick não podia criar uns boards legais de verdade? Imagina o que os caras devem ter de referências legais de verdade, projetos legais de verdade, inspirações do departamento de design de verdade? Não seria muito mais legal compartilhar essas coisas?
Não sei, mas as vezes fico com aquela sensação que a gente tem quando ouve um tiozão usando uma gíria super moderninha ou quando o cara mais mala da escola começa a usar o tênis descolado (e que automaticamente deixa de ser). A palavra é “invadido” mesmo. Rabeado.
É o momento em que a curva de adoção expulsa os early adopters, a famigerada “inclusão do mal”. A Orkutização do line-up.
Sou publicitário, amo propaganda, mas cada vez que vejo um case desses, um “prego rabeando minha (e sua) onda”, me dá vontade de jogar a prancha em cima, igualzinho ao cara no video do começo do post.
Minha sugestão é tolerância zero com o “SNAKING MARKETING”. Abaixo o marketing de rabeamento.
Rabeou, tomou pranchada nos comentários.
Critique, boicote, escreva um post como esse.
E ajude a conservar nossas praias limpas desse tipo de prática.
Confiram abaixo o comercial criado pela BBDO NY para a AT&T dentro da campanha “It’s not complicated”. A peça fala da maior e melhor cobertura 4G e traz quatro grandes lendas da NBA: Magic Johnson, Larry Bird, Kareem Abdul-Jabbar e Bill Russell. Até então a campanha era protagonizada por crianças que respondiam de maneiras engraçadas porque mais é melhor. Criativamente o comercial é fraquinho mas, pra quem curte basquete, é uma oportunidade de ver estes grandes astros juntos.
Na constelação de informação abundante que temos hoje, muitos olham e encontram estrelas, ou às vezes grandes manchas de conteúdo mas sem um significado aparente.
O Update or Die e todos seus colaboradores olham pra cima, ligam os pontos e encontram figuras, signos e nomes a essas constelações. Acho que esse é um dos grandes diferenciais hoje e sempre, olhar, ver, analisar e processar gerando algo novo e genuíno.
É Isso que há em comum entre todos aqueles conteúdos, aparentemente sem uma linha editorial, gerado pelos updaters, não a incessante preocupação em - quem deu antes, que me desculpe a Trip - mas sim quem processou algo novo.
LORENZO MENDOZA Administrador de empresas e empreendedor
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