Queria muito fazer um post sobre a palestra acima, do Dave Meslin, artista-ativista que falou no TEDxToronto. Encontrei-a no blog do Tarrask, que fez um belíssimo texto, curtinho, explicando do que se trata. Como não poderia fazer melhor, tomei a liberdade de copiá-lo. Segue:
A gente sempre pensa que só existem dois tipos de pessoas: nós e aquele povo ignorante que vota em troca de um par de sapatos, ou em quem o chefe mandou votar. Ou seja, os ignorantes que elegem aqueles políticos ladrões que terminam fodendo o nosso país.
#classemediasofre
Também há os paranoicos que acreditam que O Sistema é maligno e é impossível vencê-lo.
Aí você vê coisas como essa palestra do Dave Meslin, que a minha mãe mandou, e que explica que o mundo nem é tão preto-no-branco assim, mas uma mistura de tudo.
As pessoas não são apáticas. Elas até gostariam de se envolver mais com a sociedade. Mas é difícil. É complicado. Achar informação não ajuda. Tanto de direita quanto de esquerda, a comunicação política é feita de maneira semi-críptica, que pede voto, mas não pede opinião.
Era um fotógrafo que apesar de ser famoso pelos seus retratos, não gostava de pose. Gostava justamente de desmontar a pose e descobrir o que tinha por trás dela.
Fotografava celebridades assim, desmontadas.
Diante da possibilidade de um retrato, as pessoas fazem uma pose que é como gostariam que fossem vistas pelo mundo. Geralmente, o que está por trás dessa fachada é muito mais maravilhoso do que essa pessoa ousaria acreditar.
Ou seja, na maioria das vezes, as pessoas que “se acham”, “se acham” do jeito errado. Deve ser por isso que gosto dessas fotos.
Irving Penn também foi um dos primeiros a trabalhar com um fundo chapado, geralmente angulado para criar um gradiente. Roubava momentos pessoais, mas em estúdio. Formalizava o informal. Criava um contraste entre ambiente (ou melhor, a falta total dele) e atitude.
Fazia uma espécie de nú artístico, mas com os modelos vestidos mesmo.
Certamente devia clicar muito os intervalos.
Acho genial esse outro lado meio psicólogo dos grandes fotógrafos, de desnudar as pessoas com muito papo e muito jeito.
O momento do clique é vital, claro, mas é apenas o final de um processo.
Quando penso em fotografia no dia-a-dia, principalmente nesses tempos de “instantâneos”, tenho a tendência de lembrar do olhar e da técnica, nessa ordem. É sempre uma oportunidade que surge, captada por um olho de ver e roubada por um dedo de clicar.
Mas quase sempre esqueço desse outro tipo de foto, com modelos preparados por um papinho mole. Devo esquecer por impossibilidade mesmo, isso é coisa de mestre. Coisa comum no mundo fashion.
E você? Além de achar alguma coisa legal por aí, clicar de um jeito bacana e aplicar uns filtros… você tem o hábito de desmontar seus modelos ou é só um “olha o passarinho”?
É um bom exercício.
Pensa bem, na sua próxima foto de bar, festa, namorado(a) ou qualquer outro retrato… como fazer uma foto que não é posada, mas também não é aquela roubada?
Você consegue fazer uma foto de alguém que sabe que está sendo clicado, mas sem fazer a pose?
A fina arte de trocar a pose que seu modelo traz no bolso, por outra.
Não é fácil. Principalmente em uma época em que as pessoas fazem bico de pato em frente o espelho.
John Baldessari é aquele artista americano que ficou famoso por pintar pontos coloridos no rosto das pessoas. O artista na verdade, esconde a informação essencial da imagem com esses “dots”, estimulando a prática do “fill in the blank”.
Esse video, conta a história do artista em 5 minutos e é narrado pelo Tom Waits.
Veja também o artista falando com o ator Jason Schwartzman aqui.
Retratos pintados, o photoshop low-tech do nordeste
por Wagner Brenner em Monday, May 14, 2012 · 2,975 views
Volta e meia aparece por aí um artigo, uma exposição ou um livro sobre os famosos retratos-pintados (não confundir com os retratos-falados) muito populares do nordeste brasileiro desde o século 19.
Os ambulantes circulavam por pequenas cidades e tiravam uma fotinho PB de seus clientes. Levavam essas fotos para a os grandes centros, onde eram ampliadas e depois transformadas em uma pintura rudimentar, de cores chapadas, que eram devolvidas aos clientes, em nova visita, semanas depois.
Além da linguagem que mistura fotografia com pintura, os retratos pintados possuiam uma característica bem photoshop: retratavam o aspiracional e não o real. Era comum acrescentar roupas e jóias refinadas, corrigir detalhes estéticos, colocar parentes mortos juntos com os vivos em retratos de família, auras celestiais em crianças, etc.
Coisês: por que as portas dos carros abrem para frente?
por Wagner Brenner em Monday, May 14, 2012 · 1,019 views
Assim não seria mais fácil?
Se você fosse um Indiana Jones e estivesse abrindo seu caminho na mata, usaria seu braço direito para afastar a vegetação para a direita, e o esquerdo para afastar para a esquerda.
É assim que abrimos caminhos.
E portas, janelas e cortinas.
E provavelmente até explica porque os destros repartem o cabelo para a direita.
Mas essa é uma regra que não se aplica se você estiver dentro de um carro.
Para sair, você não abre a porta como as outras. Você abre para frente e não para o lado.
Portas de carros abrem para frente e não para trás.
Se abrissem para trás, como nas fotos deste post, seria muito mais fácil movimentá-las e também sair ou entrar do carro, principalmente para os idosos ou mulheres que usam vestidos apertados e sapatos com saltos altos (para alegria dos paparazzi).
Sairíamos andando pela frente e não virando em direção a traseira do carro.
Mas então por que as portas dos carros são como são?
Bom, nem sempre foi assim.
Na década de 30, muitas portas abriam para trás.
Eram assim nas carruagens e os carros seguiam o modelo.
Mas a medida que os carros foram ficando mais velozes, as portas foram carinhosamente apelidadas de “suicide doors” (portas suicídas) porque as pessoas achavam que seriam facilmente arrancadas pelo vento a qualquer instante. Não havia ainda o cinto de segurança, e os passageiros morriam de medo que também fossem sair voando, na sequencia.
Adormecer encostado na porta era praticamente pegar carona com a morte.
Foi então que as portas foram invertidas, contra a lógica do design e do conforto, mas em favor da segurança.
O vento passou de elemento de risco à item de segurança, porque mantinha as portas sempre fechadas.
Como é quase impossível abrir a porta de um carro em alta velocidade, o vento podia até mesmo corrigir e proteger os mais distraídos. As portas ganharam o famoso rótulo “fool’s proof”.
Outra vantagem da porta abrindo pela frente é que, em carros estacionados, as portas voltadas para rua seriam arrancadas sem esmagar o passageiro que desembarca, caso um outro veículo causasse um acidente.
E assim nos acostumamos com carros que “nos deixam entrar” mas não exatamente nos acolhem, depravadamente.
É uma penetração consentida, mas não necessariamente incentivada.
Não são os carros que nos recebem, nós é que os invadimos.
Também não nos libertam, nós é que escapamos.
Mas será que ainda não tem um jeito de ter portas suicídas, sem correr riscos?
Claro que tem.
Já temos os cintos.
E o que não devem faltar são soluções que resolvam a questão da segurança com folga, como travas automáticas, e encaixes por sobreposição em combinaçoes híbridas em que as portas suicidas só abrem depois das normais.
Isso sim é receber os passageiros de braços abertos
De 2000 para cá, vários carros conceito e várias versões especias em linhas tradicionais têm aparecido com portas suicidas (que ganham outros nomes, claro).
Mas agora tem a questão do hábito, da tradição. Na nossa cabeça, as portas erradas são as certas e vice-versa.
Portas são parte importante da personalidade de um carro e precisamos de um tempo para nos acostumar com outras possibilidades (como as portas deslizantes, caras, mais a melhor solução de todas).
Mais uma solução para um problema que não existe mais.
Portas abrindo para frente são o teclado QWERTY da indústria do automobilismo.
por Paula Rizzo em Friday, May 11, 2012 · 856 views
Dentro de seu projeto Handmade Portraits, a varejista online Etsy lançou este vídeo dirigido por Bao Nguyen que apresenta o trabalho da ceramista Mitscy Sleurs que criou em cima do tema das emoções e criou 99 bonecas matryoshka. Confiram abaixo:
por Wagner Brenner em Wednesday, May 9, 2012 · 1,478 views
Se o Batman existisse na década de 20, essa seria a sua máscara/capacete.
A criação é do excelente estúdio ucraniano Bob Basset, especializado em figurinos e fantasias, e que trabalha com materiais como o couro, pedras, metais e resinas (basicamente, um CG da vida real). Fazem muito steampunk, adoram máscaras de gás.
O Batman é de 1939, mas o climão de suspense noir e suas orelhas pontudas avantajadas dos primeiros anos (mais legal que o Batman bombadão e anabolizado de hoje em dia, na minha opinião) tem mesmo tudo a ver com o cinema mudo da década de 20.
Abaixo, outras máscaras do Bob Basset. No site tem muito mais, vale a pena conferir.
por Wagner Brenner em Tuesday, May 8, 2012 · 4,876 views
Quem está acompanhando o ATP Mutua Madrid Open, já conferiu a polêmica novidade: o saibro azul.
“La pista azul de Madrid”.
Para quem não sabe, uma quadra de saibro é aquela com um pozinho avermelhado, feito basicamente de pó de tijolo.
É o tipo de quadra de tênis mais comum, principalmente na europa e aqui pela américa latina.
Só que agora inventaram uma versão azul.
Inventaram não, inventou. Quem está por trás dessa novidade é o bilionário e ex-jogador Ion Tiriac, que resolveu chamar a atenção do mundo para seu torneio. E conseguiu.
O motivo do saibro azul é seguir a bolinha, que é amarela, mais facilmente.
Tanto para jogadores, como para o público presente e, principalmente para os telespectadores.
O estudo foi encomendado a uma empresa especializada, mas podiam ter economizado essa grana já que qualquer um que trabalhe com cor sabe que existe sempre uma oposta, em termos de contraste.
Ou seja, ou mudava a cor da bolinha ou da quadra. Se a bolinha não muda e é amarela, o melhor contraste possível é o azul.
Basta abrir uma imagem de quadra no Photoshop e brincar com o slider de Hue, para descobrir quais seriam as possibilidades de contraste entre bolinha e quadra.
Tanto é que as quadras “duras” já experimentaram também algumas cores (até roxo) e muitas são azuis mesmo. O que não tinham pensado ainda era um saibro azul.
E não é um processo fácil: é preciso descolorir o pó, deixar branco e tingir de azul. E quem comandou esse processo foi Gaston Cloup, reponsável pelo saibro mais famoso do mundo: o de Roland Garros (aliás, saibro azul, com umas placas vermelhas no quadra seriam perfeitas para a França, quem sabe um dia).
Outro motivo bastante relevante mais velado é que o azul é a cor do patrocinador oficial do torneio.
Os jogadores, claro, já reclamaram da quadra Smurf (aqui, 10 depoimentos)
Nadal, que é espanhol e é considerado o rei do saibro, já meteu a boca e disse que a cor vai contra o tradicionalismo das quadras (como se usar aquele bermudão colorido até a canela e cutucar o fiofó a cada 2 minutos fosse muito tradicional. Mas o Nadal pode, joga muito).
Reclamaram também que a bola quica pouco (mas certamente mais que em Wimbledon, onde as quadras são de grama), que escorrega mais (o que seria um problema mais na hora da arrancada do que na aproximação com a bola, mas não tenho vi ainda muito jogador chegando atrasado nas bolas não. Lesões são um risco, mas no saibro sempre são) e que o jogo ficou mais rápido (provavelmente mais por conta da altitude do que pela quadra).
Pessoalmente achei uma jogada de mestre.
Ion Tiriac conseguiu arrumar a combinação perfeita para contentar aos que assistem (uma questão importantíssima para o futuro do esporte – assistir tênis pela TV requer esforço), aos que patrocinam e ainda está gerando o maior buzz. Tanto é que, tirando mesmo os jogadores, todos estão elogiando.
Outra jogada de mestre de Ion Tiriac foi contratar modelos profissionais como pegadoras de bolas.
Engraçado lembrar como o Corinthians foi super criticado semanas atrás quando propôs ao Comitê da Copa que o gramado de seu novo estádio fosse preto. Todo mundo meteu o pau, falaram que isso era porque corintiano só tinha TV preto e branco mesmo, etc.
Eu acho que poderia ter sido genial.
Há muitos anos os americanos dão umas tunadas em suas quadras de basquete e de seus campos de futebol americano, com logos estourados e coloridos. Tudo isso contribui para a modernização do esporte e devia ser considerado de uma maneira mais séria.
Quadras e campos não deixam de ser interfaces, onde são realizadas partidas que serão apenas jogadas mas assistidas, como acontece nos video-games.
Deveriam usar profissionais de interface na vida real também.
No caso da grama preta, todas as matérias que li, sem excessão, diziam que o Corinthians não queria o gramado verde por causa do Palmeiras, e essa maneira de expor a ideia foi a coisa mais estúpida que poderiam ter feito. Poderia ter sido um case mundial.
Porque nós somos curiosos natos. E essa curiosidade é o nosso combustível, que nos move numa velocidade da luz ao saber, entender, questionar e inspirar. Afinal, sem a curiosidade não há a ciência, muito menos o conhecimento. Talvez seja por isso que Einstein tenha dito que a única coisa que o tornava “diferente” era o fato de ser dotado de uma curiosidade apaixonante.
E é essa curiosidade apaixonante (beirando a obsessão) que corre por nossas veias. Essa fome de informação, uma necessidade vital de consumir e filtrar os mais diferentes insights e conteúdos, sem viver dentro da nossa conveniente zona de conforto. É a atitude de dissecar, explorar e quebrar paradigmas para ir além dos clichês chatos. É 50% inspiração, 50% transpiração.
Acredito que tanto o Update or Die, quanto o Plush Blush, nosso canal feminino (um filhote que tenho muito orgulho), seja isso. Um manifesto contra a mesmice, e a favor da inspiração. É um privilégio fazer parte dessa família. Avante updaters!
TATIANA GIGLIO Redatora na Agência CasaDigital - RJ e editora do Plush Blush
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