por Paula Rizzo em Friday, May 18, 2012 · 591 views
Depois de ter tido muito sucesso divulgando o TED entre taxistas e contando com o seu poder multiplicador, agora a Ogilvy Argentina adotou a mesma estratégia desta vez usando salões de cabelereiro. Confiram abaixo o videocase em inglês ou aqui em espanhol:
Entenda como um computador faz contas de um jeito mais fácil que o seu
por Wagner Brenner em Thursday, May 17, 2012 · 2,551 views
Você sabe como um computador faz conta?
Se você não estudou computação, provavelmente não.
Claro, já ouvimos falar do famoso sistema binário, a tal linguagem feita apenas com “0″ e “1″ (ou ligado e desligado, como nos circuitos elétricos).
Mas como isso funciona? Como é possível fazer tantos cálculos usando apenas um sistema de “sim” e não”?
Calma, não se preocupe, não vou estragar sua tarde, é bem simples. Na verdade, é sensacional.
Os computadores fazem contas do mesmo jeito que os egícios faziam. E os chineses também (por causa do iChing, que também é binário e que você achava que não tinha nada a ver com matemática).
Nada de decorar tabuada.
Nada de fazer conta emprestando do algarismo vizinho.
E ao invés de usar o sistema de multiplos de 10 (dezena, centena, milhar, etc) um computador prefere usar apenas os múltiplos de 2 (dobrando números sempre).
Assista:
Se você quiser ver como o sistema binário é simples, veja também esse post, sobre um professor que ensinou isso para uma classe de crianças no primário, usando apenas perguntas.
por Wagner Brenner em Tuesday, May 15, 2012 · 41,036 views
(por Isaac Asimov)
Quando eu estava no exército, fiz um teste de aptidão, solicitado a todos os soldados, e consegui 160 pontos.
A média era 100.
Ninguém na base tinha visto uma nota dessas e durante duas horas eu fui o assunto principal.
(Não significou nada – no dia seguinte eu ainda era um soldado raso da KP – Kitchen Police)
Durante toda minha vida consegui notas como essa, o que sempre me deu uma ideia de que eu era realmente muito inteligente. E eu imaginava que as outras pessoas também achavam isso.
Porém, na verdade, será que essas notas não significam apenas que eu sou muito bom para responder um tipo específico de perguntas acadêmicas, consideradas pertinentes pelas pessoas que formularam esses testes de inteligência, e que provavelmente têm uma habilidade intelectual parecida com a minha?
Por exemplo, eu conhecia um mecânico que jamais conseguiria passar em um teste desses, acho que não chegaria a fazer 80 pontos. Portanto, sempre me considerei muito mais inteligente que ele.
Mas, quando acontecia alguma coisa com o meu carro e eu precisava de alguém para dar um jeito rápido, era ele que eu procurava. Observava como ele investigava a situação enquanto fazia seus pronunciamentos sábios e profundos, como se fossem oráculos divinos.
No fim, ele sempre consertava meu carro.
Então imagine se esses testes de inteligência fossem preparados pelo meu mecânico.
Ou por um carpinteiro, ou um fazendeiro, ou qualquer outro que não fosse um acadêmico.
Em qualquer desses testes eu comprovaria minha total ignorância e estupidez. Na verdade, seria mesmo considerado um ignorante, um estúpido.
Em um mundo onde eu não pudesse me valer do meu treinamento acadêmico ou do meu talento com as palavras e tivesse que fazer algum trabalho com as minhas mãos ou desembaraçar alguma coisa complicada eu me daria muito mal.
A minha inteligência, portanto, não é algo absoluto mas sim algo imposto como tal, por uma pequena parcela da sociedade em que vivo.
Vamos considerar o meu mecânico, mais uma vez.
Ele adorava contar piadas.
Certa vez ele levantou sua cabeça por cima do capô do meu carro e me perguntou:
“Doutor, um surdo-mudo entrou numa loja de construção para comprar uns pregos. Ele colocou dois dedos no balcão como se estivesse segurando um prego invisível e com a outra mão, imitou umas marteladas. O balconista trouxe então um martelo. Ele balançou a cabeça de um lado para o outro negativamente e apontou para os dedos no balcão. Dessa vez o balconista trouxe vários pregos, ele escolheu o tamanho que queria e foi embora. O cliente seguinte era um cego. Ele queria comprar uma tesoura. Como o senhor acha que ele fez?”
Eu levantei minha mão e “cortei o ar” com dois dedos, como uma tesoura.
“Mas você é muito burro mesmo! Ele simplesmente abriu a boca e usou a voz para pedir”
Enquanto meu mecânico gargalhava, ele ainda falou:
“Tô fazendo essa pegadinha com todos os clientes hoje.”
“E muitos caíram?” perguntei esperançoso.
“Alguns. Mas com você eu tinha certeza absoluta que ia funcionar”.
“Ah é? Por quê?”
“Porque você tem muito estudo doutor, sabia que não seria muito esperto”
E algo dentro de mim dizia que ele tinha alguma razão nisso tudo.
Durante o tempo que estava na publicidade já desconfiava isso. Modismos, tendências, roupas, música tudo parecia fazer sentido dentro do universo da comunicação, até o dia que você ia comer pizza com os amigos do colégio num domingo e descobria que tinha gente que não sabia qual era a função do Twitter. Ou quando você mostrava uma música nova que tinha descoberto no Spotify e descobria que ninguém sabia o que era Spotify e todo mundo no carro achava a música chata e que queriam ouvir mesmo era Kuduro.
Agora a agência Heat lançou esse infográfico (mais um) para mostrar o que todo mundo (dentro da comunicação) meio que desconfia.
Então dá próxima vez que culpar os colegas por não terem prestado atenção no último post de alguma marca no Facebook, lembre-se que você não é normal.
A Menina do Vale – Um livro sobre empreendedorismo
por Raquel Costa em Friday, May 11, 2012 · 3,793 views
Bel Pesce tem uma história de vida que já vale um livro. Tive o prazer de conhecê-la pessoalmente há algumas semanas e fiquei impressionada!
Com apenas 17 anos, ela seguiu sua intuição e provou que com determinação é possível alcançar o que parecia impossível. Sua aventura para entrar no MIT - Massachusetts Institute of Technology foi contada por ela mesma no vídeo logo abaixo. Vale a pena! De lá pra cá ela não parou mais. Hoje, aos 24 anos, Bel tem mais conquistas e experiências para compartilhar do que muitos com o dobro de sua idade. Co-fundadora de duas startups no Vale do Silício, já passou por empresas como Google, Microsoft e Deutsche Bank.
A Menina do Vale traz dicas preciosas para quem quer empreender. Se você está aí com medo de falhar e ser rejeitado, assista ao vídeo e leia o livro (download gratuito). Tenho certeza que depois disso você vai compreender que a trava pode estar em você.
Joybubbles, a incrível história do cego que hackeava telefones com seu assobio
por Wagner Brenner em Thursday, May 10, 2012 · 2,078 views
Joy Bubbles era um cego que usava seu assobio para hackear linhas telefônicas.
Na década de 60 e 70, toda a rede de telefonia americana funcionava através de sinais sonoros.
E com 5 anos de idade, o pequeno Joybubbles (que na época ainda era Joe Egressia), descobriu que ao apertar uma sequencia de teclas no telefone da sua casa ouvia um sinal sonoro, que aprendeu a reproduzir, assobiando.
Ele não sabia, mas tinha nascido com a habilidade da afinação perfeita e conseguia assobiar exatamente na mesma frequencia do telefone: 2.600 Hz.
Logo percebeu que seu assobio derrubava e conectava ligações com outras pessoas, um tipo de hack telefônico chamado Phone Phreaking, apesar dele nem imaginar o que estava fazendo.
Foi uma das poucas alegrias de uma infância prá lá de complicada.
Como se a cegueira não fosse um problema grande o suficiente, Joe foi abusado sexualmente por uma freira (!) na escola de deficientes visuais que frequentava. Mesmo dentro de casa sua vida era muito ruim, porque seus pais brigavam constantemente. Os sons, muito mais presentes e marcantes por causa da cegueira, eram terríveis. Gritos, discussões, tapas, pratos e copos quebrando.
O telefone passou a ser seu melhor amigo, uma forma de escapismo dessa realidade barra-pesada, um porto-seguro, uma ancoragem típica de criança em um processo traumático.
“Eu costumava colocar o telefone no ouvido para ouvir o sinal da linha. Aquele som suave e contínuo, estava sempre lá. Que coisa maravilhosa é um telefone”.
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O que Joe não sabia é que tinha nascido também com uma inteligência privilegiada e cresceu aprendendo tudo muito rápido. Na década de 60, entrou para a Universidade da Florida e ganhava dinheiro fazendo ligações interurbanas para os colegas, por 1 dólar, sempre na base do assobio. Virou o “whistler”. Em 1971, uma telefonista descobriu seu truque e depois de ser monitorado pelo FBI, Joe foi suspenso da universidade e foi parar na prisão, onde cumpriu uma pena de 6 meses.
Em 1982, provavelmente por uma overdose de situações traumáticas, resolveu fundar sua própria igreja, chamada “Church of Eternal Childhood” (Igreja da infância Eterna), que incentivava as pessoas a resgatarem e re-viverem suas infâncias. Passsava os dias lendo histórias para crianças em bibliotecas e passou a fazer ligações telefônicas diárias para crianças doentes, em estado terminal, no mundo todo.
Em 1988, mudou seu nome oficialmente para Joybubbles e declarou ter 5 anos para sempre. Uma coisa meio Michael Jackson.
Passou um mês inteiro em um projeto pessoal na Universidade de Pittsburgh assistindo centenas de episódios do programa infantil Mr. Roger’s Neighborhood, financiado com dinheiro que juntou participando de testes de olfato e odores, cheirando estrume de porcos.
Dizia que adorava o cheiro de cloro em piscinas e o som de persianas balançando ao vento.
Virou uma figura pública. Deu entrevista para Esquire, que abriu as portas para muitas outras. Steve Wozniack declarou que Joe foi um de suas primeiras inspirações (por causa do Blue Box). Serviu de inspiração também para o personagem “whistler” no filme Sneakers.
Nos seus últimos anos de vida, criou um programa chamado “Stories and Stuff” (ouça alguns aqui), que transmitia usando uma secretária eletrônica. Bastava ligar para ele, e ouvir. Foi o primeiro podcast da história.
Criou uma linha chamada “Zzzzyzzerrific Funline”, para ser o último número da lista telefônica e mais fácil de achar (SEO!).
Mas no meio de tanta coisa bizarra na vida desse cego de Virginia, nos Estados Unidos, o que sobra mesmo é uma história de superação de solidão e de deficiências. Um ser humano que nasceu algumas décadas antes do que teria sido o paraíso para ele.
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Hoje temos Skype, voip, mensagens instantâneas, podcasts e redes sociais.
Joybubbles ficou 6 meses preso por hackear ligações telefônicas, que hoje fazemos de graça.
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Hackeou o mundo de dentro da sua casa, há mais de 50 anos, usando apenas o telefone, uma secretária eletrônica e a elegância de um assobio perfeitamente soprado à 2600HZ.
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Abaixo, um programa do RadioLab dedicado a Joybubbles:
O desconhecido e divertido recreio do meio da noite
por Wagner Brenner em Tuesday, May 8, 2012 · 4,370 views
Engraçado como certas coisas são como são, simplesmente porque acreditamos que sempre foram assim.
O tempo que a gente passa acordado e dormindo, por exemplo.
O padrão “ideal” é assim:
São 16 horas acordado, 8 horas dormindo.
Mas quem falou isso?
Quando você nasceu, seus pais já dividiam o dia desse jeito e o resto do mundo também e você cresceu achando que assim é que se faz, se é que algum dia parou para pensar nisso.
Pois saiba que essa história de noite saudável de 8 horas seguidas de sono tem só uns 380 anos. E tem muito mais a ver com herança cultural do que com algum ciclo biológico.
O avô do seu avô dormia diferente. E todos os que viveram antes dele também.
Durante 99% da nossa história nesse planeta, as pessoas iam dormir quando o sol ia dormir.
Só os mais ricos e poderosos conseguiam manter algum tipo de iluminação artificial por algum tempo, com tochas e depois velas ou lampiões. A noite era longa e as pessoas dormiam cedo. Muito cedo.
E por incrível que pareça (eu nunca tinha ouvido falar nisso até agora), uma noite de sono tinha um intervalo bem no meio.
Sim, as pessoas dormiam em duas etapas.
A noite começava as 9 e lá pela meia-noite rolava um intervalo muito interessante de umas 2 ou 3 horas, em que as pessoas ficavam meio acordadas, meio dormindo.
Aproveitavam esse momento meio em “estado-alpha”, meio zumbizinho, para meditar ou rezar, para conversar com a família ou para fazer sexo.
Segundo o historiador Roger Ekirch (professor do Departamento de História da Virginia Tech e autor do livro “At Day’s Close: Night in Times Past”), registros desse sono segmentado podem ser encontrados em obras tão antigas quanto o velho-testamento, a Odisséia de Homero, Dom Quixote entre outros.
E na década de 90, o psiquiatra Thomas Wehr, conduziu um estudo com um grupo de pessoas que ficavam 14 horas no escuro todos os dias e que acabaram adotando esse mesmo padrão bi-fásico em pouco menos de um mês, sem saber que algum dia foi assim.
Depois de ler sobre isso nesse artigo da BBC, ando reparando nos hábitos noturnos dos meus cachorros (uau, que investigação científica, hein?) e realmente acho que eles não dão essa esticadona de muitas horas de sono, eles acordam durante a noite.
Ou seja, aquela insôniazinha que conhecemos tão bem, pode não ser de todo má. Talvez apenas seu relógio biológico se manifestando e não necessariamente um problema.
Foi só depois de 1630, com a industrialização e a difusão da iluminação elétrica que o homem espichou o dia e compactou a noite de sono numa tacada só. Foi apenas nessa época que “conquistamos a noite” e mudamos nosso padrão, inclusive os horários das refeições (que à propósito, não precisam ser apenas 3x ao dia).
Puxa, quantas coisas que a gente acha que sempre foram do mesmo jeito e nem pára para pensar que podem ser diferentes. O sono e as refeições são apenas alguns exemplos de padrões que sequer questionamos. Mas já tem um monte de gente testando sonos polifásicos e dietas com alimentação mais frequentes.
Fora que essa história de dormir duas vezes é genial e chega a dar uma certa inveja. Hoje em dia sabemos que a primeira metade da noite de sono é mais profunda e a segunda mais cheia de sonhos (REM), o que deixa o sono segmentado ainda mais charmoso.
Fica assim:
Primeiro apaga fundo e se recupera do dia, depois dá uma meia-acordada, pensa na vida, papeia, namora e depois volta pro sono… para sonhar até de manhã.
Precisamos voltar com esse recreio da madrugada. Desencana da novela, vai dormir cedo e acorda no meio da noite para fazer alguma coisa mais bacaninha.
Harvard e MIT juntas, online, de graça e com certificação
por Wagner Brenner em Thursday, May 3, 2012 · 10,137 views
E o ensino a distância tá acelerando!
Agora, duas das maiores universidades do mundo, Harvard e MIT resolveram se unir para criar uma plataforma digital comum e “liderar o rumo do aprendizado online pelo mundo”, o edX.
Além de disponibilizar as mesmas aulas que você assistiria se estivesse por lá em carne e osso (e totalmente de graça), as duas universidades resolveram ir além e vão começar a certificar os alunos avaliados com sucesso e que concluirem o curso online.
É uma decisão corajosa e que requer um acompanhamento de perto das duas instituições. Apesar do certificado ser apenas um registro de que o aluno concluiu o curso (e não um diploma), é preciso construir uma reputação para a certificação online.
Mas, independentemente da certificação, a iniciativa é um sinalizador importante para o mundo acadêmico.
O fato de colocar um professor dentro de um video não o diminue. Pelo contrário, torna-o onipresente. E qualquer um que tenha usado um Skype alguma vez sabe que é totalmente possível uma troca humanizada, mesmo que por um meio digital. Também não aposenta o professor presencial, que continua sendo fundamental, possivelmente com um ajuste de papéis (bem mais legal, na minha opinião).
Há também outras iniciativas incríveis como a genial Academia Khan e o novo TED ED (“lessons Worth Spreading”), que tem a estratégia de municiar professores com video-aulas.
OU SEJA
Conteúdo está cada vez mais bem encaminhado e só tende a melhorar.
A tendência (ainda lááá para frente) parece ser mesmo a de usar professores presenciais como facilitadores e mentores, já que a matéria deve estar cada vez mais disponível por outros meios (videos, por enquanto) e em outras localidades e horários (depois do home-office, quem sabe vem aí o home-class – calma, não excluí a escola de tijolo, não briga comigo ainda)
Os próximos desafios acabam apontando para o lado dos alunos, na parte comportamental, com questões como auto-disciplina e socialização.
Parabéns aos gigantes MIT e Harvard por unirem forças e darem mais um passo importante nessa jornada, que é longa.
E estamos atrasados.
O ser humano tem uma forte tendência a procrastinar. “Procrastinar”, para quem não sabe, é o ato de adiar algo, deixar para depois, postergar – e existem inúmeras teorias que tentam explicar esse hábito.
Alguns dizem que isso acontece por falta de organização pessoal. Joseph Ferrari, professor de psicologia na De Paul University, em Chicago, e um dos grandes estudiosos do assunto, acha que organização pessoal não é o problema – e afirma que a procrastinação é apenas um truque do cérebro para garantir ao corpo mais tranquilidade a curto prazo.
Segundo ele, os procrastinadores têm a mesma habilidade de estimar o tempo que as outras pessoas, apesar de serem mais otimistas que a média.
“Pedir para um procrastinador que compre uma agenda para organizar a semana é a mesma coisa que pedir para alguém com depressão crônica que simplesmente se anime” – insiste.
Segundo o blog Psychology Today, um hábito comum observado nesse grupo de pessoas é que eles contam mentiras para si mesmos. Mentiras como “vou fazer isso melhor se eu fizer amanhã” ou “eu trabalho melhor sob pressão”.
Mas o fato é que eles não sentem mais urgência no dia seguinte, tampouco mostram melhores resultados sob pressão.
Uma outra mentira que os procrastinadores contam para si mesmos é que deixar para fazer uma tarefa quando o tempo está se esgotando os torna mais criativos. Infelizmente, eles não ficam mais criativos quando o tempo está acabando; eles apenas sentem que ficam.
Aprenda a discordar usando a lógica do papel-higiênico
por Wagner Brenner em Friday, April 27, 2012 · 28,109 views
Qual é a forma certa de se colocar um rolo de papel higiênico no banheiro?
POR CIMA!
60% das pessoas têm a certeza absoluta que o certo é o estilo “cachoeira”, com o papel saindo por cima. É mais fácil achar a ponta, dá pra rasgar certinho no picote, não fica raspando a mão na parede (menos bactérias!) e hotéis podem sinalizar aos seus hóspedes que o banheiro foi higienizado, com dobras elaboradas ou colando selinhos.
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POR BAIXO!
Os outros 40% acham esses 60% uns loucos e estão certos que o melhor é por baixo. O “caimento” é melhor, o papel não fica sobrando, gatos e crianças não conseguem desenrrolar um monte de papel e basta uma puxadinha para rasgar um quadradinho, porque para baixo tem mais tração.
Mas, afinal, quem está certo e quem está errado?
Todo mundo. Não tem certo nem errado.
O papel higiênico é seu, e você usa do jeito que quiser. É uma decisão totalmente pessoal, influenciada apenas por hábitos, com as duas maneiras suportadas por motivos bastante pertinentes.
POR QUE ISSO INTERESSA?
Essa questão bizarra do papel-higiênico serve como dinâmica para colocar o foco na nossa habilidade de argumentação e não para se chegar a uma resposta, já que não tem o certo nem o errado.
Por exemplo, o professor de sociologia Edgar Alan Burns, do Eastern Institute of Technology Sociology, usa esse truque no primeiro dia de aula. Ele pergunta aos seus alunos:
“Como vocês acham que o papel higiêncico deve ser colocado?”
E nos 50 minutos seguintes, os alunos naturalmente começam a avaliar os MOTIVOS para suas respostas e acabam chegando sozinhos a questões sociais muito maiores como:
• diferenças de papéis sociais entre homens e mulheres
• diferenças entre comportamentos públicos e privados
• diferenças entre classes sociais
• etc
São relações de construção social que nunca pararam para pensar antes, mas que agora, sem que ninguém os orientasse, conseguiram enxergar.
Sozinhos, começaram a raciocinar e perceberam correlações e fatos. E, principalmente, começaram a argumentar.
No dia-a-dia, quase nunca fazemos isso. Geralmente, tomamos um partido e passamos a defendê-lo de forma passional, enxergando só o que nos interessa.
Somos bons de discutir, mas ruins para argumentar. Piores ainda para mudar de ideia.
Mais para o boxe do que para o tênis.
O que parece ser uma estratégia não muito inteligente para encarar essa nova sociedade em que conversamos com muito mais gente, sobre muito mais coisas, todo santo dia.
APRENDER A DISCORDAR
A aula do papel-higiênico devia ser dada de cara para crianças.
A escola ensina que existe o certo e o errado, e dá notas baseadas nisso. Mas podia estimular abordagens diferentes, habilidade de argumentação, capacidade de deduzir (algumas já fazem, eu sei, mas a maioria ainda não).
Do mesmo jeito que tem nota para as melhores respostas, deveria ter para as melhores perguntas também.
Senão a gente vai continuar crescendo com essa mania de preferir estar certo do que aprender algo novo, do que parar pra pensar e repensar sempre. Aproveitar a bagagem e o raciocínio do outro.
Já reparou como a maioria dos comentários feitos todos os dias na internet não tem elaboração nenhuma? Ou é genial ou é a coisa mais estúpida que já se viu em toda a a história da humanidade.
O programador Paul Grahan fez um gráfico bacana, que mostra a “Hierarquia da Discordância”, do mais ao menos elegante, do mais ao menos eficiente.
O design thinking é isso. A maneira de pensar de um designer não é a do certo ou do errado, porque não existe certo ou errado na hora de projetar um bule de café. Mas existe o melhor, o mais eficiente. É uma maneira de pensar em que se evolui a realidade.
Quem sabe um dia a gente consegue argumentar sobre futebol, política e religião. Dizem que não se discute, mas a recomendação só existe porque somos meio trogloditas.
A propósito, o grande designer Don Norman coloca os rolos de papel higiênico na sua casa… assim:
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