por Maíra Dvorek em sexta-feira, agosto 17, 2012 ·
O que escrever no meu primeiro post no UoD?
Veio a reflexão sobre o próprio ato de e um achado no BuzzFeed com as respostas e reflexões para essas perguntas dos mais relevantes nomes da literatura. Do desdém por metáforas de George Orwell passando pelo ” How to make it” irônico de Kurt Vonegut, esse pequeno slideshow torna-se um pequeno relicário para os amantes da sexta arte.
O site Brain Pickings nos trouxe mais um tesouro entre seus achados recentes.
A curadora Maria Popova compartilhou uma série animada com seis episódios de dois minutos cada sobre pensamento crítico (critical thinking). O melhor: as animações foram pensadas para crianças e adolescentes, mas são perfeitas para os mais crescidinhos também.
O animador James Hutson, ao lado da Bridge 8, criou os curtas inspirado no estilo 1950, com a grande referência de Saul Bass.
A série faz parte de um projeto educativo da TechNYou, focada em novas tecnologias de informação pública, financiada pelo governo australiano.
As animações (sob Creative Commons) seguem os princípios básicos da lógica e do método científico. Armadilhas psicológicas, como a Falácia de Gambler, incluídas.
Vale muito assistir à série completa, uma ótima reflexão – didática e belamente apresentada.
O video é parte do SGI Wikipedia Project e utiliza o SGI® UV™ 2000, uma espécie de liquidificador de dados que mastiga os mais de 100 milhões de artigos (2.4 petabyte ) da Wikipedia e transforma dados em movimento.
O video é bastante rápido, sugiro que você vá pausando para visualizar alguns momentos com mais calma.
Mais um daqueles deliciosos filminhos da Coronet.
A Coronet Instructional Films era uma série de videos educativa, muito usada com as crianças no ensino médio americano nas década de 50 e 60.
A professora botava lá um super 8 no meio da sala de aula, apagava a luz e prrrrrrrrr…. cineminha na escola. A molecada adorava. E o governo também, que muitas vezes usava esse recurso como ferramenta de propaganda.
Enfim, esse é sobre auto-suficiência, como se tornar independente.
Servia para preparar meninos e meninas que, em breve, estariam em alguma faculdade em outra cidade e, provavelmente, trabalhando.
Apesar do característico tom ingênuo, fui assistindo e pensando sobre o assunto, sobre auto-suficiência.
Realmente é algo que merece um video. E um post.
Independência é, na maioria das vezes, declarada.
De baixo para cima, ou de cima para baixo, dependendendo do contexto. Mas é sempre um momento, um ritual de passagem.
Se você é pobre, vai trabalhar.
Se você é rico, vai fazer um intercâmbio.
Meu pai, por exemplo, achava que eu devia ter feito um ano de exército, para “moldar o caráter” e ganhar autonomia.
Todas, formas válidas e eficientes de ganhar independência, de cair na real, e de pegar no tranco.
Mas tem uma coisa que a gente não larga o osso, recusamos a cadeira de piloto e preferimos seguir como passageiro para o resto da vida:
Educação.
Quando o assunto é aprendizado, preferimos uma viagem de um ônibus com guia. Tipo Europa em 8 dias e 7 noites. Pacotão vapt-vupt protocolar pra dizer que fez.
Faça uma experiência e assista o video, como se fosse uma analogia, imaginando que o assunto é educação, ensino, aprendizado.
Vai lá, assiste um pedacinho, play.
Poucos são de fato independentes e auto-suficientes quando se trata de aprender alguma coisa.
Auto-didatismo e aprendizado informal ainda são raridade.
Mesmo quando a gente decide “voltar a estudar e aprender alguma coisa nova” a atitude mais comum é uma matrícula em algum lugar.
Por que temos essa relação tão passiva e tão dependente quando se trata de educação?
Por que achamos que, para aprender, precisa obrigatoriamente ter alguém para ensinar?
Será que é por incapacidade de se criar um método? Falta disciplina? Estudar sozinho é mesmo bem difícil.
Será que nosso hardware mental foi tão acostumado a receber informação passivamente, durante tantos anos que simplesmente não conseguimos aprender nada de outra forma?
Aprender com outra pessoa é mesmo muito eficiente. Mas como fazem os cientistas? E os exploradores?
Caminhos percorridos são mais fáceis de seguir, mas só levam a lugares que alguém já chegou.
Do contrário, facão na mão para abrir a selva. E muito repelente porque o que não falta hoje em dia é mosquito zumbindo na sua orelha.
Peter Norvig é um professor de Stanford que sempre lecionou em classes normais, até receber o desafio de fazer um curso online para mais de 100 mil alunos!
Nessa palestra do TED ele conta os desafios e soluções encontradas para isso, como a duração ideal dos vídeos, formas de propor exercícios, timing do curso, participação dos alunos e assim vai. Pode funcionar como um ótimo guia para quem está pensando em se aventurar em cursos online.
Eu ainda estou engatinhando, mas não vai demorar muito para acontecer.
Talvez eu represente uma pequena parcela de pessoas que gostaria de aprender novas habilidades, entender como as coisas funcionam e buscar ser, quem sabe, auto-suficiente poder desmontar, montar e consertar minhas próprias coisas.
Outro dia tentei propor ao dono da loja de bicicletas se eu poderia consertar minha própria bike com sua instrução e usando suas instalações, pagando um valor por isso. A ideia não foi bem aceita e acabei comprando um DVD para manutenção de bikes, mas nunca assisti pelo fato da bicicleta estar na garagem e o DVD estar no quarto, pensei que não seria tão fácil praticar na hora.
Soube então da Motomethod, em Vancouver – Canadá. Os caras se denominam uma Community Motorcycle Repair Shop. Um misto de oficina de motos, comunidade de motociclistas e ainda escola, tudo na base do aprendizado informal e no faça você mesmo, com supervisão no comecinho claro.
Tudo isso me lembrou algo que o Wagner Brenner, fundador do Update or Die, comenta e que de certa forma é uma das essências desse espaço, colaboradores e leitores. Um espaço de gente que não está esperando uma apostila, mas movidos pela curiosidade buscam conhecer, aprender e compartilhar as suas obsessões vigentes.
Como diz o jovem Confúcio: Eu escuto e esqueço. Vejo e lembro. Faço e entendo…
Se tem uma coisa que os humanos gostam de fazer, é medir coisas.
Distâncias, pesos, partes do corpo (umas mais que outras), tempo, pressão. Tudo.
O único problema é que, no ato de qualquer medição, duas forças opostas entram em ação: uma completamente objetiva (os dados) e outra completamente subjetiva (a interpretação desses dados).
“Torture numbers, and they’ll confess to anything.” (Gregg Easterbrook).
É uma pulseira que mede a empolgação (ou mais chique e confiável: o “emotional arousal”) dos alunos.
Serve para identificar e mapear os momentos mais empolgantes da aula.
Eu não sei se é uma desgraça maior para o aluno ou para o professor, mas alguém certamente vai se ferrar com essa história. E com a justa causa do método mais crível que existe: os números.
Lembro que na década de 80 ou 90, inventaram um analisador de propaganda que também mapeava o nível de empolgação de um comercial de TV, segundo por segundo.
Enxergavam em gráfico elaborados uma infinidade de bobagens como “tração”, “climax”, “apelo”.
Falavam pérolas como “o filme começa bem, depois tem drop, no demo perde tração mas no pack verticaliza. Deveríamos ter mais pack-shots para manter o engajamento”.
Bleaargh!
E um monte de gente levava essa palhaçada a sério. Até que começaram a perceber que todo comercial de humor, assim como uma boa piada, tem mesmo um punch line e obviamente precisa ser flat no começo. Assim como uma dupla de humoristas tem sempre o escada, e seria muito fácil concluir que um é engraçado e o outro burro.
Ou seja: certas coisas precisam ser avaliadas pelo conjunto e não por pedacinhos. Não dá para achar uma música boa ou ruim investigando as notas.
Enfim, o projeto do tal Q-Sensor é patrocinado pelo Bill Gates, que apesar de bancar coisas interessantes como a Academia Khan, erra feio ao imaginar que esse tipo de aparelho possa ter qualquer benefício em ambiente educativo.
Dei uma olha da no site e parece que há outros usos, inclusive medição de propaganda (!) e alguns bem mais apropriados como o acompanhamento de flutuações emocionais em autistas. Aí sim!
Espero que essa pulseira seja usada para isso e nunca no pulso de estudantes em escolas.
Afinal, já dá para imaginar qual seria o passo seguinte.
Um choquezinho… bem de leve… cada vez que o “engajamento” baixasse de um certo número.
Se você não estudou computação, provavelmente não.
Claro, já ouvimos falar do famoso sistema binário, a tal linguagem feita apenas com “0″ e “1″ (ou ligado e desligado, como nos circuitos elétricos).
Mas como isso funciona? Como é possível fazer tantos cálculos usando apenas um sistema de “sim” e não”?
Calma, não se preocupe, não vou estragar sua tarde, é bem simples. Na verdade, é sensacional.
Os computadores fazem contas do mesmo jeito que os egícios faziam. E os chineses também (por causa do iChing, que também é binário e que você achava que não tinha nada a ver com matemática).
Nada de decorar tabuada.
Nada de fazer conta emprestando do algarismo vizinho.
E ao invés de usar o sistema de multiplos de 10 (dezena, centena, milhar, etc) um computador prefere usar apenas os múltiplos de 2 (dobrando números sempre).
Assista:
Se você quiser ver como o sistema binário é simples, veja também esse post, sobre um professor que ensinou isso para uma classe de crianças no primário, usando apenas perguntas.
Porque nós somos curiosos natos. E essa curiosidade é o nosso combustível, que nos move numa velocidade da luz ao saber, entender, questionar e inspirar. Afinal, sem a curiosidade não há a ciência, muito menos o conhecimento. Talvez seja por isso que Einstein tenha dito que a única coisa que o tornava “diferente” era o fato de ser dotado de uma curiosidade apaixonante.
E é essa curiosidade apaixonante (beirando a obsessão) que corre por nossas veias. Essa fome de informação, uma necessidade vital de consumir e filtrar os mais diferentes insights e conteúdos, sem viver dentro da nossa conveniente zona de conforto. É a atitude de dissecar, explorar e quebrar paradigmas para ir além dos clichês chatos. É 50% inspiração, 50% transpiração.
Acredito que tanto o Update or Die, quanto o Plush Blush, nosso canal feminino (um filhote que tenho muito orgulho), seja isso. Um manifesto contra a mesmice, e a favor da inspiração. É um privilégio fazer parte dessa família. Avante updaters!
TATIANA GIGLIO Redatora na Agência CasaDigital - RJ e editora do Plush Blush
Updaters - Alameda Mamoré, 535 Alphaville - Barueri - SP (11) 4166.5701
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