Não é assim! (You’re Doing It Wrong!)

Quem sabe faz, quem não sabe inventa.
O lado avesso da criatividade e da iniciativa.

Quem sabe faz, quem não sabe inventa.
O lado avesso da criatividade e da iniciativa.

A votação do Marco Civil foi novamente adiada na Câmara dos Deputados.
O problema é a falta de consenso. Entre os pontos mais delicados está a questão da neutralidade.
Ter neutralidade na rede significa que toda e qualquer informação seja tratada por quem vende o acesso da mesma forma, navegando a mesma velocidade. É esse princípio que garante o livre acesso a qualquer tipo de informação na rede.
E por que você deveria se preocupar com isso?
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Se você NÃO pode pagar muito pelo seu acesso a web
O argumento de defesa é que se as operadoras não puderem cobrar mais caro de quem usa muito, terão que cobrar caro de todo mundo.
Uma das analogias usadas para defender essa tese é dizer que a neutralidade impediria a criação de serviços como o Sedex é para os Correios. O truque dessa analogia é usar a palavra “prioridade” e não “velocidade”.
Ou seja, aplicando a analogia, se os Correios tivessem neutralidade, para entregar cartas mais rápido para alguns sem cobrar nenhum extra (o Sedex), os Correios teriam que cobrar mais caro de todos, inclusive quem faz entrega normal.
Mas é a analogia errada, pois a neutralidade não impede dos provedores venderem conexões mais rápidas. Impedem de monitorar, filtrar, analisar ou fiscalizar o conteúdo.
Hoje você compra planos por velocidade e com a neutralidade poderá continuar comprando.
E por que você deveria se preocupar?
Porque o que incomoda os provedores é tráfego intenso, ou seja, justamente o que é mais comum de trafegar.
Redes sociais são um bom exemplo. O Facebook é muito mais leve que o Youtube, mas pela intensidade do uso brasileiro, em muitas situações consome mais tráfego que baixar vídeo. Quem controla IT de empresas e analisa o tráfego sabe disso.
O risco para quem não pode pagar é ficar sempre a margem da internet, sem poder usar os recursos mais populares. Estariamos criando uma internet de pobre e uma internet de ricos. O mesmo que infelizmente já acontece na educação, saúde, judiciário, etc.
Como todos sabemos, até o começo deste ano, o contrato dos provedores garantia apenas 10% do que você contrata. É tão bizarro que até arece uma piada. Uma nova regra estabeleceu que os grandes provedores terão que aumentar ano a ano até chegar em 80% em 2014.
E advinha de onde eles querem tirar esse “suposto prejuízo” de ter que entregar 80% do que vendem? De poder escolher o que “priorizar”. Na prática, seria um baita olé na nova regra. E quem perde mais? Quem paga pouco. Por que quem paga o pacote máximo é cliente premium e será mais respeitado. Bem vindo a internet dos ricos.
Os provedores são importantes? Óbvio que são, mas não se preocupe com eles, eles vão bem obrigado. Só para dar um exemplo, a NET fatura bilhões e tem um EBITDA de quase 30%. Se ela não quer esse mercado tenho certeza que muita gente quer.
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Se você PODE pagar muito pelo seu acesso a web
E quem já paga por uma boa conexão? Quem tem pacote 3G+ e em casa um link de 100 Megas de fibra. Se a pessoa paga mais caro hoje, essa pessoa deveria ter prioridade, certo? Essa é a frase que defende esta ideia:
“Se alguém paga R$ 9,90 para ter só acesso a e-mails e outra pessoa paga R$ 200 para baixar filmes e fotos, ela tem que ter prioridade na hora do congestionamento”
A pegadinha da frase é que ninguém compra acesso de emails, de fotos ou de filmes. As pessoas compram velocidade e pacote de dados. O cara que pagou 200 já está levando mais velocidade. Desde que a operadora entregue o que vendeu, essa pessoa já tem a “tal prioridade”.
Mas refazendo a pergunta: por que quem paga mais caro deveria se preocupar com isso? Se existir prioridade, é essa a pessoa que vai levar vantagem!
O problema é que, além de egoísta, esta é uma visão burra.
Nem precisamos entrar na discussão da importância social e o impacto que isso tem para todos.
É burra porque a neutralidade não defende apenas o bolso do consumidor. Ela também defende a livre concorrência.
Sem neutralidade, seu provedor pode concluir que um determinado tipo de conteúdo (ex.: jogos), um formato (ex.: vídeos), um veículo (ex.: Google), um protocolo (ex.: P2P), o tamanho dos arquivos (arquivos muito grandes) ou qualquer outra característica do que está sendo trafegado prejudica a qualidade da rede ou não são prioridade.
Podem fazer isso para economizar banda ou por outras questões comerciais. Poderia chegar no limite de um veículo precisar pagar para não ter a velocidade de seus visitantes detonada.
Parece loucura mas os provedores de acesso já tentaram cobrar de Google e outros provedores de conteúdo e serviço. Eles entendem que tem alto custo pelo tráfego desses conteúdos e que levam os clientes lá. Eles entendem que são donos desses clientes e por isso deveriam receber parte da grana.
É como se o taxista quisesse parte do lucro do restaurante pois gasta gasolina para levar os clientes e entende que os clientes são dele, pois ele que os leva até lá. Veja bem, não estou falando o taxista que recomenda o restaurante. O cara que recomenda (ex.: Buscapé) já ganha hoje com a recomendação e isso não tem nada a ver com neutralidade.
Prioridade é uma palavra que não combina com a internet, pelo menos não como a conhecemos hoje.
Por isso que, não importa se você irá pagar pouco ou muito, sem neutralidade, você será prejudicado.
Você pode ajudar. Comece por aqui: http://marcocivil.com.br/
O projeto “As Ruas Falam“, criado pelas meninas inspiradas e inspiradoras da InspirationPage (as irmãs Bia, Dani e Débora Andreucci), ganhou minha atenção e carinho de cara.
A ideia é simples e genial: as ruas da cidade falam – se você parar e prestar atenção. De recados para amores a recados para o governo, podemos ver em pichações, cartazes e criações de street art um pouco do retrato cultural e político da nossa geração.
Partindo desse pressuposto, a InspirationPage nos convidou a fotografar o que vemos de manifestação nas ruas à nossa volta e postar essas imagens no Instagram usando a hashtag #asruasfalam. Quem não tem o app pode enviar sua contribuição por email.
Eu gostei muito do conceito e da motivação: faz com que nós (re)aprendamos a olhar ao redor, já que estamos sempre tão ocupados em nossa correria diária, ou encarando a tela de nossos celulares, que mal nos damos conta do mundo à nossa volta.
O projeto arquiva e revela um recorte interessante da vida urbana e dos sentimentos, pensamentos, sonhos e indignações, que estão registrados nos muros, postes, calçadas e ambientes externos. É como se a gente conversasse com a cidade, e a cidade conversasse com a gente.
Quem ainda não conhece vai ficar surpreso ao dar uma espiada no álbum e perceber a diversidade do que está espalhado por aí (no Brasil e no mundo).
E agora, em parceria com o Vamo Pra Rua, a InspirationPage tem um novo desafio e faz a pergunta:
Qual recado você daria para a cidade?
Pode ser uma declaração de amor, um protesto ou uma inspiração. A frase escolhida vai, de fato, para as ruas de São Paulo.
Hoje é o último dia para enviar a sua.
Veja a apresentação no vídeo abaixo e saiba como participar aqui.

Tenistas ou não-tenistas, quase ninguém sabe explicar a excêntrica pontuação do tênis.
15,30, 40.
Não era mais fácil 1,2, 3?
Ninguém sabe ao certo como isso começou, mas tudo indica que foi ainda na idade medieval, na França.
A primeira teoria é que o jogo era marcado em grandes relógios de parede. Ponteiro pro alto, depois para a direita, depois para baixo, depois para a esquerda e enfim, game (15, 30, 45).
Tudo ia bem, até alguém inventar que o game deveria ser vencido com pelo menos 2 pontos de vantagem. Fizeram uma gambiarra e o 45 passou a ser o 40 e o 50 (para indicar “vantagem”).
A segunda teoria é que na quadra de Jeu de Paume (precursor do tênis em que os jogadores jogavam com as mãos), a cada ponto o jogador avançava 15 pés (4,5m). E por último, 10 pés. Daí o 15, 30 e 40.
Em inglês, o sistema de pontuação fica ainda mais curioso: ao invés de “zero”, se diz “love”.
Um quinze a zero, por exemplo, é “fifteen, love”.
A explicação desse amor em quadra pode ter vindo da palavra “ovo” em françês (l’ouef), que é redondo como um zero (aqui a gente chama de pneu).
Outra explicação é que, antes de pontuar, os adversários ainda não são uma ameaça, e portanto, estão em “love” (auhnnn).
Enfim, ninguém sabe de nada, e ninguém derruba o sistema. Já tentaram. Mas nem jogadores, nem espectadores, nem juízes querem mudar. O Tie Break já usa o sistema numérico sequencial, mas ainda tem uma dinâmica confusa. Enfim, tudo isso combina com o jogo mais mental de todos os tempos.
Fonte: WKP Infográfico: UoD
Apelidado de “Frankenstorm” e ”Monsterstorm” (em referência ao Halloween), o furacão Sandy passou pelo Caribe e pela costa do EUA provocando morte e destruição.
O Timelapse acima mostra um pouco da tempestade e a força dos ventos.
Em algumas cidades, o nível do mar subiu mais de três metros. Kelly Slater aproveitou o Swell e foi pegar umas ondinhas com ajuda de jet ski (town-in). Admitiu que ficou assustado com a força das ondas. É… compreensível.
Maria Popova, curadora do site Brain Pickings, esteve na conferência da PopTech deste ano e contou que uma das melhores palestras a que assistiu foi a do psicólogo David DeSteno, diretor do Northeastern University’s Social Emotions Lab.
DeSteno falou sobre compaixão e resiliência humana – temas que sempre me interessam muito.
A compaixão que sentimos não é determinada pelos fatos objetivos. É determinada por quem está olhando. Não é a gravidade dos fatos de um desastre que nos motiva a sentir compaixão e ajudar – é se no vemos ou não entre as vítimas.
Vale muito perder 18 minutos do seu dia com este vídeo e repensar essas questões:
David DeSteno também é coautor do livro “Out of Character: The Psycolhology of Good and Evil”. Saiba mais aqui.
Não vou perder tempo explicando quem é Alan Watts. Nosso imortal editor WB já falou dele aqui e em alguns outros posts. Esta é mais uma das leituras deste guru pré-Hippie. Fala sobre nossas opções para o sistema de ensino. Fala sobre o que você realmente quer da sua vida. Auto-ajuda da melhor qualidade. Pra você que andava precisando de uma opção ao Sunscreen ou ao Stay Foolish.
Depois (e durante) a Segunda Guerra Mundial, as mulheres invadiram as fábricas e os pesadelos dos homens que, simplesmente não sabiam como lidar com o sexo oposto no ambiente de trabalho. Rejeição, preconceito, desrespeito eram o padrão. Até as ações que tinham o objetivo de minimizar o problema eram absurdamente sexistas.
Abaixo, um folheto e dois videos de treinamento para ensinar chefes e colegas de trabalho a lidar com as recém-chegadas mulheres trabalhadoras.
1. WOMEN ARE TEACHABLE
![[optional image description]](http://cdn.theatlantic.com/static/mt/assets/science/1105.jpeg)
2. WOMEN ARE PATIENT
![[optional image description]](http://cdn.theatlantic.com/static/mt/assets/science/344.jpeg)
3. WOMEN ARE COOPERATIVE
![[optional image description]](http://cdn.theatlantic.com/static/mt/assets/science/279.jpeg)
SUPERVISING WOMEN WORKERS (1944)
THE TROUBLE WITH WOMEN (1959)

Video de 1976, “Like Ghosts in The Forest”, registro do primeiro contato de um homem branco com a tribo Toulambi, da Papúa Nova Guiné.
O “homem branco” que você vê no video é o antropólogo belga Jean-Pierre Dutilleux, aquele que rodou o mundo com o Chefe Raoni, dos Caiapós do Mato Grosso do Sul, em 1973.
Um encontro que ouvimos muito a tia da escola falar, mas que nunca imaginamos que um dia conseguiríamos conferir com os próprios olhos. Do ponto de vista dos nativos, o momento equivalente a um disco voador pousando aí na sua frente, cheio de homenzinhos verdes sua tecnologia avançada.
Se o tal Jean Pierre (ou seu cinegrafista) fossem negros, o susto seria menor.
Incrível imaginar que ainda existam tribos totalmente isoladas (ou quase totalmente) da civilização. Tem até aqui no Brasil, na Amazônia.
O video é polêmico, com suspeitas de hoax (mais sobre isso depois do jump), mas parece que a única coisa questionável é se foi mesmo o primeiro encontro, já que outros exploradores passaram pela região 50 anos antes. De qualquer forma, para os nativos do video, é o primeiro contato. Há também uma série de críticas, com muitos sugerindo que o contato não deveria ter sido feito.
A versão original, de 40 minutos, você assiste aqui.
Enquanto o salto não acontece, veja o trailer do projeto (com ares Hollywoodiano) e o primeiro teste completo:
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