Smart Cities X Smart Citizens. Os dois conceitos parecem antagônicos mas são, na verdade, complementares. Na medida em que as cidades cada vez mais apostam em TICs para melhorar seus desempenhos em atividades nas quais a automação é um aliado poderoso, nada mais lógico do que o cidadão também se munir de ferramentas para esta nova ordem numa sociedade pós digital. Assim, surgem, aqui e acolá, iniciativas discretas que podem, ao seu modo, ajudar o cidadão e incluí-lo nesta empreitada. Mas, de repente, surge algo que pode realmente vir a ser uma ferramenta de engajamento nacional e (por que não) global de ativismo e cidadania de forma limpa, rápida, segura e eficiente. O COLAB pretende ser esta ferramenta. Na verdade, esta plataforma, pois o conjunto de soluções visa ser um catalisador de uma mudança de hábito da população em relação ao seu papel nas cidades e de sua relação com o poder público, baseado em três pilares: fiscalize, proponha e avalie. Assim, usando o COLAB do seu smartphone, o cidadão tem a oportunidade de modificar de verdade a face de sua região, apontando o que está errado, sugerindo melhoramentos para a dinâmica de seu local e sendo um onbudsman na mais honesta raiz do que esta palavra significa. A plataforma está sendo lançada aos poucos, em cidades diversas. Um exemplo do seu bom funcionamento é o case da cidade do Recife: em menos de um mês de lançamento, existem mais de 5000 usuários, 400 fiscalizações; 200 projetos propostos; 50 avaliações. E o melhor, o poder público já acompanha e usa a ferramenta; e problemas apontados pelo COLAB já foram resolvidos pela prefeitura. Boa notícia: se você é de São Paulo, acesse este site aqui, faça o cadastro (bem simples, pelo próprio Facebook) e baixe a App para Android ou iOS – a ferramenta já está liberada.
Depois que as impressoras ganharam seu terceiro “D”, ganhamos um zilhão de possibilidades de uso, algumas bem bizarras. Podemos imprimir de Toy Art a órgãos humanos, de ferramentas a armas, de peças industriais a edifícios inteiros. Mas imprimir pessoas realmente estava fora de cogitação para meu modesto cérebro 2D. É exatamente essa incrível possibilidade que o projeto Stranger Visions, trabalho da artista americana, Heather Dewey-Hagborg, trouxe à tona. Ela recolheu fios de cabelo e bitucas de cigarros anonimamente em ruas de Nova Iorque. Depois, desenvolveu um software que reúne várias outras tecnologias e bancos de dados de fenótipos forenses. O resultado? Máscaras detalhadas em 3D dos possíveis proprietários dessas amostras. Claro que as imagens não são exatas, mas trazem características importantíssimas como tipo e cor dos cabelos, olhos, pele e dentes. Na verdade é um esteriótipo, um genérico aproximado desses indivíduos. A discussão que se levantou é com relação a nossa quase extinta privacidade ou a possibilidade de se realizar um update monstro nos retratos falados. Ou melhor, retratos impressos por um DNA com uma certa veia artística.
O smartphone estaria matando a compra por impulso?
por Bruno Altieri em quinta-feira, fevereiro 14, 2013 ·
Interessante esse post da Business Insider que faz uma relação entre a queda de vendas de revistas nos EUA e o uso de smartphones. Nos supermercados, é comum ter revistas no checkout para a famosa compra por impulso, motivada por aquela última folheada enquanto espera o caixa. Hoje, segundo a reportagem (que cita a WARC), as pessoas ocupam esse espaço de tédio com o celular e não tem mais olhos para as revistas. E aí a venda cai. O fenômeno tem até nome: somos os “mobile blinders“.
A relação direta desse comportamento com a queda na venda de revistas é no mínimo ingênuo, mas o que é interessante é refletir sobre a questão. Será mesmo que o consumidor tem menos olhos às ofertas (seja de revistas, ou qualquer coisa) porque está hipnotizado pelo celular? Ah, então para que ele as veja, as ofertas tem mesmo é que aparecer no celular? O smartphone estaria matando a compra por impulso? Ou não tem nada a ver, o problema é mesmo com as revistas e isso é miopia? Você está lendo esse post na fila do caixa?
CPBR13: Don Tapscott provoca uma revolução global pela internet
por Leandro Ogalha em segunda-feira, fevereiro 4, 2013 ·
A agenda da Campus Party deste ano trouxe muitos palestrantes influentes, mas um deles me chamou muito a atenção e decidi fazer um post a respeito.
Falo de Don Tapscott, uma grande referência para mim e para muita gente. É uma das maiores autoridades mundiais em inovação e impactos socioeconômicos da tecnologia no século XXI. Autor dos aclamados livros Wikinomics, do recém-lançado Radical Opennes e figura presente nos principais encontros de política mundial. No vídeo abaixo, sua palestra no TED chamada Quatro princípios do mundo aberto.
Com sua tradicional simpatia, Don discursou a respeito das revoluções que vivemos hoje. Mas não necessariamente das teóricas e sim dos fatos ao redor do mundo e como as pessoas estão fazendo a diferença, de verdade, com as novas tecnologias e senso de organização.
Citou inúmeras vezes que as instituições tradicionais e governos não conseguem mais resolver os atuais problemas sociais e econômicos do planeta. Apresentou vários cases de redes de soluções globais que reúnem pessoas através da internet para, de forma totalmente independente, modificar as realidades em diferentes lugares pelo mundo. Um deles é o movimento da rede Invisible Children chamado KONY, nome do tirano africano que sequestra as crianças para montar seu exército armado e seu harém. A rede decidiu que a melhor estratégia era torná-lo alguém conhecido no mundo e então gerar um movimento global de resgate dessas crianças. A ação está dando certo e o ditador está foragido.
Um ponto de destaque da palestra foi a questão da segunda era da democracia, onde a população elege seus representantes políticos e querem fazer parte deste trabalho, atuar junto. O processo de gestão colaborativa tende a se tornar uma solução para esta demanda iminente.
Ao final, olhou para as câmeras e dirigiu a palavra para os governantes locais: “Este não é apenas um encontro de adolescentes geeks, isto é o início da revolução que vai mudar a forma que vivemos em sociedade. E vocês governantes ainda estão em tempo de entender isso e mudar suas posturas, suas histórias”.
Tapscott acredita numa mudança radical nos próximos anos, iniciando o empreendedorismo de negócios, tecnológico e social em todo o mundo. Um momento de muito perigo, mas de muita oportunidade e responsabilidade para as novas gerações.
Ele então é aplaudido de pé ao fechar sua fala com o seguinte pedido aos espectadores: “Se conseguirmos criar lideranças em inteligência coletiva poderemos mudar as instituições e processos tradicionais que nos controlam hoje. Continuem nesta revolução, nós vamos conseguir fazer isso”.
A proposta é simples: como mudar para sempre o conceito de “comprar” um carro? O projeto Dodge Dart Registry funciona como qualquer registro de presente, mas para um carro. Você escolhe as características que deseja e, em seguida, convida amigos e familiares para patrocinar partes do carro como presentes. E aí? A moda pega no Brasil? Este projeto é também a continuação de uma ousada plataforma criada pela W+K para a joint entre Fiat e Chrysler, já comentada aqui no UoD em posts do Guga (aqui) e da Paula (aqui).
Lista é lista. Pessoal, intransferível (ou não) e subjetiva. Em 2012 comprei uns 40 álbuns – o tal álbum é um disco de vinil, aquela bolacha, que tem sulcos de áudio não comprimidos a ponto daquele sutil toque na cúpula do prato de condução te levar pro nirvana. Todos esses discos tocaram exaustivamente num turntable Rega empurrado por pre e power valvulados da Manley com destino a um par de caixas Klipsch. Longe de ser o estéreo mais cascudo por ai, mas ta bem próximo da supremacia sonora, onde Jimi Hendrix se torna um guerreiro Wudan e Miles Davis um Shaolin. Caso não conheça as obras abaixo, vale conhecer. Espero te conduzir a lugares distintos e elegantes, então aperta o play e boa audição!
Deve ter sido assim. Dan Auerbach (Black Keys) pegou o carro e desceu pra New Orleans, tocou o sino na entrada do rancho do senhor Malcolm John Rebennack Jr, 72 anos. Agora, imagina Dan e sua voz característica dizendo, sou guitarrista, seu fã e quero produzir a maior e mais incrível obra da sua carreira. Dr. John calmamente serve um bourbon e diz, all in! O album é inacreditável, as canções são abissalmente ótimas, sem os delírios de alguns discos que marcaram a carreira do artista. Músicas como My Children, My Angels e Big Shot tocaram 100 mil vezes nos meus sons. Por favor, te peço, ouça esse disco, algumas dezenas de vezes e em uma delas sozinho, no escuro, com fone e sua imaginação.
Impossível o retro soul do Brooklyn em Nova York não produzir pelo menos um disco fodaço com aço por ano. Ora é a Daptone Records ora a Truth & Soul. Aqui, o senhor Lee Fields já foi conhecido como o pequeno James Brown, portanto chefe, aperta o play e chora com essas 10 pérolas da mais digna e original soul music. E ouça com calma, parcimônia, tranqüilidade e em primeiro lugar, It’s All Over (But the Crying).
Dessas bandas que você demora pra conhecer, mas quando é apresentado o miolo explode e a pupila dilata, se torna vício na hora. Nesse álbum – apenas o terceiro dessa banda inglesa (ah, os ingleses…) – a primeira faixa já cria o clima que permea tudo. Rock de cabaré moderno com peso na medida certa. Ouça na sequência, mas antes aperta o play em What Makes a Good Man?
Minha história com esse moço sempre foi ‘pé atrás’. Muita pose, sei lá… Mas, eis que assisto ao show desse disco em Nova York, no Radio City, tipo um Credicard Hall bem mais preparado né. Amigo, sai de lá e comprei a coleção do White Stripes, Raconteurs e Dead Weather. Falando de Blunderbuss, que delicadeza malvada, uma raiva bondosa que convida o cético a sonhar.
Vamos combinar que descobrir música boa é quase como derreter… enfim, é bom pra caceta! Mas de longe o melhor é descobrir artista novo de Soul Music (são raros) que conhecem profundamente o limite entre a baranguice desorientada e a elegância suprema. Meu amigo, abre um vinho, coloca esse vinil no estéreo, leva sua garota pra audição e tenta não derreter, ok?
The Machine To Be Another ou Quero Ser John Malkovich da vida real
por Cirilo Dias em quarta-feira, dezembro 5, 2012 ·
Em 1999, Charlie Kaufman e Spike Jonze deram um nó na cabeça de muita gente ao lançar Quero Ser John Malkovich, que contava a surreal história de Craig Schwartz (John Cusack), um cidadão norte-americano, desempregado, dono de uma vida deprimente. Um belo dia Schwartz consegue um emprego de arquivista no andar sete e meio de uma empresa. Lá ele acaba descobrindo um portal que o transporta durante 15 minutos para a mente de John Malkovich.
Aquelas cenas em primeira pessoa simulando a visão de John Cusack dentro da cabeça de John Malkovich, a história surreal e as situações absurdas foram o suficiente para que o filme virasse um dos meus favoritos.
Corta para 2012. Estou vagando pela timeline do Facebook quando vejo o caríssimo colega dos tempos de DM9, Phillipe Bertrand, postando um projeto experimental em que está trabalhando lá em Barcelona: The Machine To Be Another.
Dou play no vídeo e o que eu vejo? Uma máquina que transforma a fantasia de Kaufman e Jonze em realidade.
São vários sensores, câmeras e microfones que transportam você para a cabeça da outra pessoa.
O projeto “As Ruas Falam“, criado pelas meninas inspiradas e inspiradoras da InspirationPage (as irmãs Bia, Dani e Débora Andreucci), ganhou minha atenção e carinho de cara.
A ideia é simples e genial: as ruas da cidade falam – se você parar e prestar atenção. De recados para amores a recados para o governo, podemos ver em pichações, cartazes e criações de street art um pouco do retrato cultural e político da nossa geração.
Partindo desse pressuposto, a InspirationPage nos convidou a fotografar o que vemos de manifestação nas ruas à nossa volta e postar essas imagens no Instagram usando a hashtag #asruasfalam. Quem não tem o app pode enviar sua contribuição por email.
Eu gostei muito do conceito e da motivação: faz com que nós (re)aprendamos a olhar ao redor, já que estamos sempre tão ocupados em nossa correria diária, ou encarando a tela de nossos celulares, que mal nos damos conta do mundo à nossa volta.
O projeto arquiva e revela um recorte interessante da vida urbana e dos sentimentos, pensamentos, sonhos e indignações, que estão registrados nos muros, postes, calçadas e ambientes externos. É como se a gente conversasse com a cidade, e a cidade conversasse com a gente.
Quem ainda não conhece vai ficar surpreso ao dar uma espiada no álbum e perceber a diversidade do que está espalhado por aí (no Brasil e no mundo).
E agora, em parceria com o Vamo Pra Rua, a InspirationPage tem um novo desafio e faz a pergunta:
Qual recado você daria para a cidade?
Pode ser uma declaração de amor, um protesto ou uma inspiração. A frase escolhida vai, de fato, para as ruas de São Paulo.
Hoje é o último dia para enviar a sua.
Veja a apresentação no vídeo abaixo e saiba como participar aqui.
Uma reportagem recente da National Geographic mostrou uma prática que já acontece há alguns anos no Japão: pessoas injetam uma solução salina na testa e pressionam o centro do inchaço com o dedão, ficando com a testa no formato similar ao de uma rosquinha.
Ok, eu espero você ler de novo a última frase.
O tratamento demora cerca de 2 horas e dura entre 16 e 24 horas – tempo necessário para que o corpo humano absorva o sal que foi aplicado na testa e ela finalmente volte ao seu tamanho normal.
Quem já fez diz que a sensação é incrível: “é relaxante, uma espécie de formigamento, uma sensação de pressão crescente, vagarosa e constante que parece que está me colocando para dormir”.
Algumas pessoas realizam a aplicação salina duas vezes ao ano, outras fazem somente para irem a festas exóticas.
Eu acompanhava o UoD muito antes de ser Updater. Era um ambiente referência para trabalhos, ideias ou apenas para navegar e saber de coisas legais.
Quando virei uma Updater e conheci as pessoas que lá escrevem, eu entendi com mais apuro o porquê do sucesso do UoD.
É um ambiente que conseguiu reunir pessoas que não apenas sabem de tudo que está acontecendo, mas que também são brilhantes, divertidas, autênticas e muito competentes.
Parabéns para o UoD. Tenho muito orgulho em ser parte!
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