Ministério Público Vs. Bauducco

site_embalagens.jpg(por Feof! via Bullet UoD)

O Ministério Público entrou com uma ação civil contra a Bauducco, alegando que a Promoção Self-Liquidating que a Bauducco fez em 2007 se valeu da ingenuidade das crianças para fazer uma venda casada, uma vez que para ganhar os relógios do Shrek, o consumidor tinha que comprar 5 produtos + R$ 5,00.

É o fim da Self-liquidating? Tem relação com a proibição de publicidade para criança? Ou é uma caça as bruxas (ou Ogros) sem fundamento algum? Isso é promoção. Isso movimenta o mercado, aquece a economia, e gera mais impostos. Isso não é propaganda enganosa. É criar uma experiência lúdica adicional à experiência de compra. E convenhamos…será que o Ministério Público  acha que uma criança de 5 anos de idade, pegou a sua patinete, foi até um supermercado, e por mal conseguir ler o cartaz, gastou a sua contada mesada comprando além dos 5 produtos da linha Gulosos, um relógio do Shrek. Será que os pais não estão envolvidos no processo? E fazem a escolha certa (ou errada) pelos seus filhos?

Neste caso, dúvido que o delegado se afaste, que o Ministro do Supremo intervenha, ou o Jornal Nacional dê tanto destaque como deu às Operações com nomes Hollywoodianos.

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Wagner Brenner
Fundador e editor do Update or Die.

14 Comments

  1. marco aurelio mion
    marco aurelio mion

    Não adianta reclamar, contra a força não ha resistencia. Este mundo esta cheio de idiotas que participam de campanhas como a da coca cola em que tem pagar o valor do premio para levar, comer um sanduiche ruim como o macdonalds só pra ganhar um brinquedo que esta embutido no valor da refeição. De graça ninguem leva nada. kakakaaka. E assim caminha a humanidade. Como não participo destas idiotices, vou gastar o meu dinheiro com que eu gosto.

  2. Eu concordo que são dois assuntos diferentes mas o post ensejou a questão da ética na propaganda infantil ao colocar o Ministério Público "se valeu da ingenuidade das crianças"…

    … aí temos uma questão ética.

    Sobre se é venda casada ou não, me parece bem confuso dizer: tão confuso que não é fácil defender nenhum dos lados, até porque estamos acostumados a ver "promoções" como essa. Agora, é interessante observar o que está em destaque na foto do post: a venda de um produto ou a venda de um relógio? O que eu menos vejo ali é biscoito.

    Ao que coloca o Marcelo Pereira da Silva eu concordo: não se trata de demonizar a publicidade, o mercado nem tão pouco radicalizar a incapacidade de discernimento das crianças… mas partimos do ponto em que até certa idade moral (7 anos e até mais) muitas crianças são absolutamente centradas em si mesmas e no que elas ganham com isso. Então, também não é tão simples assim dizer que crianças têm total capacidade de tomar decisões complexas. Não é muito difícil tirar proveito dessa fase em qualquer contexto: em casa, na escola, na propaganda.

    Se os publicitários e empresas são ignorantes dessa fase, temos apenas um problema de falta de conhecimento no mercado e não especificamente ético. Agora, conhecer essa fase, e tirar proveito dela se torna uma questão ética bem mais complexa do demonizar a publicidade ou chamar as crianças de incapazes.

    Educação é um valor social, do contrário não seria valor para qualquer estado.
    Empresas também fazem parte da sociedade. Educação não é apenas uma valor para pais, depositado sobre o estado, e não é apenas um valor do estado… mas de toda uma sociedade. Portanto, de alguma forma, a responsabilidade ética ou precisá ser discutida com mais abertura, cuidado e atenção por todos os atores sociais (estado, empresas, pais, escolas) ou será necessário de alguma forma regular mesmo a questão. Aqui sim, começamos a ter duas vertentes:

    – pais que se unem para exigir nova ética na publicidade, nas empresas em relação a seus filhos e boicotam as empresas que desrespeitarem essa construção de um novo ethos, que eu diria que é a forma que muitas empresas ouvem, ao mesmo tempo que é bem complexa de se colocar em prática;

    – pais que exijam que o estado tome para si essa responsabilidade e regule melhor as coisas como já está acontecendo. Infelizmente, o estado está sendo ou parecendo radical, como todo estado de esquerda. Mas como dizem por aí, se não vai por bem (com ética espontânea), vai por mal (com estado impositivo).

    Mas é claro que essa é só a minha opinião.

  3. Eu acho que sao dois assuntos bem diferentes (prop.infantil e venda casada). Sobre venda casada, Trix, o consumidor tb nao é obrigado a pegar o emprestimo bancario. Na sua descricao, é venda casada sim.

  4. Também acho que a propaganda deve ter alguns cuidados especiais quando dirigida ao público infantil. Mas será que esse bafafá todo não é um pouco exagerado?

    De repente, a publicidade virou um demônio destruidor de lares. Tratam as crianças como receptáculos vazios incapazes de um pensamento racional, como se fossem responder instantaneamente e vorazmente a qualquer impulso só porque ele é colorido e passa na televisão. Como se TODAS as crianças SEMPRE vão querer comprar o relógio do Shrek (pra ficar no exemplo da Bauducco).

    Ética na propaganda sim, sempre. Quando ela puder fazer algo mais, melhor ainda. Mas a educação é responsabilidade dos pais. Cabe a eles impor limites.

  5. dá pra comprar só o relógio?
    se não dá, me parece venda é casada.
    …mas a discussão já está em outro nível,
    muito mais adequado na minha opinião…

  6. por isso só compro tostines

  7. E é obvio que não se trata de venda casada.

    O artigo 39, inciso I do Código de Defesa do Consumidor estabelece não ser permitido condicionar o fornecimentode produto ou serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço.

    Venda casada ocorre quando um ítem é vendido com a condição da compra do outro.
    Exemplo do empréstimo bancário que você tem que levar junto um seguro pessoal.

    No caso é evidente que o consumidor não é obrigado a comprar o brinde se não quiser.

    Ademais, é sabido que o valor cobrado por este brinde destina-se apenas para subsidiar seu custo de confecção.

  8. Imagina se é o fim da promoção, é só o começo, da auto-promoção do "parquet".

  9. Rahel disse tudo… eu ia falar algo semelhante, mas não vou saber fazer melhor….

  10. Rsrsrsrsrs… Eu sempre falei que self-liquidating era venda casada disfarçada. 🙂

  11. Ninguem paga mais X reais para levar os brindes do McDonalds!

    Acho esse tipo de promoção o mais engana trouxa possível. Um ótimo exemplo é a promoção da
    Coca-cola, tem que comprar tantos refrigerantes e depois pagar por uma corda!? Como assim!?

  12. alguma duvida que o self liquidating é venda casada?

    se vende o brinde, mas te obriga a comprar o produto….

  13. Esse é um assunto que merce certo cuidado.

    Estamos tão acostumados com o paradigma de promoções voltadas para atrair o público infantil que parece que agimos como tais: inocentemente diante das cifras milionárias que são investidas nesse público.

    Os pais lutam não apenas para educar os filhos, mas acabam lutam contra milhões que são investidos em veiculações nas TVs, cartazes, brindes, outdoors… enfim, cada pai luta contra uma exposição enorme à que seus filhos são submetidos. Não é tão fácil assim negar algo aos filhos, especialmente quando a ética aliada a possibilidade financeira de outros pais é mais frouxa e cede aos menores desejos de suas crianças: aí temos pais lutando contra outros pais também, pois seus filhos não têm o que os outros receberam – "pai malvado".

    Não acho que o problema se resolva com proibições e atuações radicais do governo a menos que se torne um caso que interfira em esferas importantes para o governo como a saúde pública, segurança ou na educação – o que de certa forma até arranha esse quesito. Entretanto, são casos em que tem me chamado a atenção para algo que hoje em dia temos nos questionado pouco, sob a bandeira da liberdade: ética na propaganda, especialmente aquela voltada para crianças.

    Se a ética da propaganda para crianças é definida apenas em vender e agregar valor lúdico para vender e lucrar mais, então temos algo claro para apreciar e distinguir. E cada um pode fazer seu juízo moral à respeito dessa tônica.

    Existe outra ética na propaganda volta para o público infantil como:
    – a tentativa de educar?
    – apoio e crescimento moral?
    – contribuição na inteligência?
    – algum outro valor que não seja apenas vender e ter mais lucro, ser mais lembrado, ser o primeiro a ser lembrado?

    O problema maior é que ninguém se importa… estamos tão anestesiados com o que é o objetivo do mercado e da propaganda que não nos importamos em criar outros valores, dizemos, ouvimos e repetimos: "a propaganda não precisa de outra ética senão a de vender, fazer lembrar, mostrar, demonstrar e… eu já disse vender?"

    O que está em jogo aqui não é o valor de cinco pacotes e de um relógio, mas a ética da Bauducco, do Mcdonalds, Habbibs, e outras tantas marcas que visam o público infantil sem questionar sobre sua postura dentro do ethos.

    Não acho que se trata apenas de "criar uma experiência lúdica adicional"… é um pouco menos do que isso em termos de valores sociais. Na minha opinião.

  14. só consigo imaginar o mcdonalds respondendo a milhares de processos devido os brindes do mclanche feliz

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