Você sabe ler 2.0?

A espinha dorsal da filosofia do Updater (você!) é o auto-aprendizado (Informal Learning, Auto-Didatismo, Self-Development, qualquer um desses se aplica). E uma parte importante nesta aquisição de informação é transformá-la de fato em conhecimento e, eventualmente, em sabedoria.

Existem várias maneiras de se adquirir informação e conhecimento mas a maioria delas está relacionada à leitura.

Outro dia assisti uma entrevista na TV Futura com um Professor de novas mídias que dizia que a coisa mais importante que podemos passar aos nossos filhos para que estejam prontos para o futuro é criar o hábito da leitura (tá em extinção). Parece mesmo que muito do nosso “Update or Die” cotidiano passa através dos olhos.

O problema é que para dar conta da quantidade de textos que se acumularam no planeta desde Gutemberg seria preciso viver muitas vidas, o que infelizmente não dispomos, ainda. O negócio então é caprichar no QUE ler. Não sei se por hábito cultural, a maioria de nós aprendeu a ter uma atitude bastante passiva em relação aos escritos: começamos lá no alto a esquerda e seguimos até lá embaixo, como numa descida para a praia pela Imigrantes. E temos a tendência a acreditar em coisas impressas, sem muito questionamento, um certo respeito inconsciente.

Mas a internet tem nos ensinado uma outra maneira de ler, uma leitura com scan, que vasculha a página e decide onde e quando reduzir ou aumentar a velocidade. Textos são absolutamente frágeis no mundo digital (você ainda está aqui?) e se não estiver agradando é sumariamente deixado para trás. Nossas bolinhas oculares estão ficando bombadas, muito mais ativas do que antes. E essa nova habilidade adquirida diante das telas de computador parece começar a provocar mudancas interessantes também na leitura off-line de livros e revistas. É uma forma de interatividade com o papel escrito.

Com essa quantidade insana de livros (lembrando que estamos falando de não-ficção neste post), minha postura diante de um livro é sempre a do desafio: ele precisa me agarrar, e logo, senão a fila anda. Nada de gastar semanas para concluir que o livro era uma bomba. Uma leitura do tipo fio-a-pavio tem que ser conquistada e o livro deve ser scanneado e investigado antes, para não cairmos em ciladas do maravilhoso mundo do jargão. Abaixo, algumas dicas recolhidas por aí, de como “ler” um livro, sem necessariamente ler todas as páginas (serve até para usar na própria livraria, antes de comprar):

* Leia sempre a introdução do livro (eu nunca lia, agora sempre leio). A idéia central está alí.

* Leia o índice (nossa, esse então, eu não lia mesmo). Dá uma noção da abrangência e o nível de detalhamento.

* Leia a primeira sentença de cada parágrafo. Você mata um capítulo em poucos minutos.

* Folheie o livro e páre em tudo que estiver em destaque (bold, gráficos, etc). Descubra o critério do autor e a que ele dá importância.

* Veja se há algum resumo sobre o livro na Internet. O resumo não é para substituir, mas é bacana porque primeiro você pega o “todo” e, depois, se achar interessante, se aprofunda. Parece um detalhe, mas a maioria dos autores enrolam pra caramba até começar a falar o que realmente importa. Livros de negócios tem muito teaser até chegar no filé, contextualizam demais.

* (agora vão me matar): rabisque o livro! Compre caneta marca-texto, mini post-its, faça anotações. É assim que faço. Quando volto no livro, tempos depois, a leitura fica mágica. E o meu fiho um dia vai decobrir alguns raciocínios meus, mesmo que eu não esteja mais aqui ou já esteja muito gagá para isso.

* Leia livros complementando com mini-pesquisas a internet. Mas atenção: foco é fundamental. Decida que neste mês você vai estudar, sei lá, finanças, e fique neste assunto. Não misture

Estes são alguns truques que não tem o objetivo de sugerir a substituição de uma leitura completa, mas que pode diminuir muito o risco de se gastar tempo precioso com bobagem.

E você? Como você fareja seus livros?

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Wagner Brenner
Fundador e editor do Update or Die.

26 Comments

  1. Gostei do seu texto, mas o que fazer com um livro que você lê e durante a leitura, não gosta mais?

  2. Boas dicas. Farejo assim mesmo. Sempre grifei, anotei e dei a devida importância para as orelhas, introdução e índice, o que faço ainda na livraria ou, se online, buscando algum resumo do livro e comentários sobre. Outra dica é, ainda na livraria, abrir num capítulo que chamou a atenção pelo índice para ler um trecho e fazer o mesmo com páginas aleatórias. Sempre funciona 🙂

  3. Posso usar marca texto no IPad? …rsrsrs….

  4. Olá Wagner,

    Cheguei aqui pelo twitter da Adriana Salles Gomes.

    Muito bom seu post. Eu rabisco muito, anoto, sublinho. E tento, depois de terminar o livro, escrever sobre ele, fazer um post. Geralmente é 20% do tempo de leitura e dobra o aprendizado.

    Eu também leio introdução e indice. E muitas vezes não termino. E pular umas partes é bom também, o mais caro do livro é o seu tempo lendo. O livro tem que ser muito bom, para me manter do começo ao fim.

    Eu uso, em muitos casos, mapas mentais, em papel ou no computador.

    E tenho duas expressões que não são minhas, mas uso muito, para falar dos meus livros. Esse aqui faltam 6 páginas para começar. E a outra é: Infinite pile of books, sobre a minha lista de livros a serem lidos, impressos ou no Kindle.

    Parabéns! Grande abraço, Miguel

    PS: O escritor também pode ajudar, com tópicos, negrito, sublinhado, etc. E parágrafos curtos. O seu primeiro paragrafo desse post quase me perdeu 🙂

  5. Sou um pouco resistente a rabiscos, mas às vezes os faço.
    Sempre leioa introdução e o índice. 😉

  6. Sou um pouco resistente a rabiscos, mas às vezes os faço.
    Mas o que sempre faço mesmo é ler a introdução e o índice. 😉

  7. Grande sacada! Mudou o jeito de ler mesmo, dessacralizou. Tb sou da turma que rabisca, acho que essa é a conversa do leitor com o livro (olha o "livro como pessoa" da Andrea…). E além de ser hard user de sumários, eu também vou pulando páginas com olhadas, deixando que algo me "pegue" para eu continuar ali. Ah! Muitas vezes começo pelo fim (não em ficção, claro).

  8. Bem, eu não gosto muito de riscar livros. Só faço isso nos técnicos e olhe lá. É ruim porque quando você quer trocar o livro por um outro no sebo, eles normalmente pagam menos se o livro estiver riscado. Aliás, uma simples dedicatória ou assinatura já "deprecia" o livro.

    Se a idéia for de ficar com o livro para sempre, estou com a @Mari. É bem legar ver anotações e rabiscos feitos há anos por aquela pessoa que costumava ser… você. :^)

  9. Adorei o post, Wagner! Muito bom!
    Mas só de pensar em riscar, marcar ou dobrar livros eu já estou aqui me contorcendo. rsrsrs Ô neura! 🙂

  10. Sou contra rabiscos ou anotações no próprio livro. Tenho mania de fazer anotações em pads separados, então coloco as anotações no final do livro ou entre páginas. Mas rabiscar jamais.

  11. Ler,rabiscar,dobrar,marcar.A-D-O-R-O livros e sempre leio de tudo um pouco e mais de um por vez,rsrsrs.Claro que não temos mais tempo sobrando para se perder por paginas sem fim, mas acho que livros são como pessoas :alguns mais interessantes ou mais inteligentes ou divertidos… mas sempre tem algo bacana.Não consigo abandonar um livro tão rápido, posso dar atenção a outros, enrrolar mas acabo lendo. Otimo post, parabéns!

  12. post delícia e eu sou a favor de riscar livros também e dobrar orelhinhas. Farejo lendo a orelha mesmo… capas geralmente me atraem muito também! se não me agarra, eu tento uns 2 capítulos, sabia? mas largo meio decepcionada. às vezes leio 2 ao mesmo tempo, e aí o piorzinho não vinga.

  13. Eu herdei a biblioteca do meu avô – que era escritor – e os livros estão todos riscados, anotados, consumidos. Toda vez que pego um deles é como se eu ainda conseguisse conversar com meu avô. Suas opiniões e impressões estão lá, agora lado a lado com as minhas – que também sou um riscador. Ótimo post.

  14. Carolina Ribeiro (Lo
    Carolina Ribeiro (Lo

    Muito interessante este post, Wagner!!!! Nossa eu acho que sou a única, mas me recuso a grifar livros! Nunca gostei, mas anoto trechos, frases, idéias em um papel à parte (geralmente post-it) que compilo no final de cada capítulo, isso se o livro for didático. Se não for, eu anoto tudo num caderno pessoal…tenho lá vários trechos de vários livros…queria ter começado antes. Agora, outra coisa que eu acho que vai influenciar na mudança da leitura são os leitores digitais. Aqui em Londres eu vejo muita gente nos ônibus e metrôs com estes aparelhos…será que muda?

  15. Muito bom o texto. Nunca tinha parado pra pensar nessa possibilidade, da mudança na leitura. Tens razão… Hoje, as pessoas têm dificuldade em interpretar a informação. O futuro é a interpretação, o raciocínio (mais rápido ainda!) e tags!
    Esse post vai lá pro blog!

  16. Muito bom o texto. Nunca tinha parado pra pensar nessa possibilidade, da mudança na leitura. Tens razão… Hoje, as pessoas têm dificuldade em interpretar a informação. O futuro é a interpretação, o raciocínio (mais rápido ainda!) e tags!

  17. Excelente texto Wagner, realmente muito bom. Ainda não tinha notado isso, a leitura de fato está mudando, além de estarmos adquirindo esse "scan automático" estamos nos tornando mais críticos quanto às fontes e as verdades trazidas pelos textos.

    Talvez isso seja um dos motivos para leitura estar em extinção, essa meninada por aí precisa de mais livros dentro dessa realidada, se a leitura não prende, já era.

  18. WB, eu costumo achar alguma palestra ou entrevista com o autor. Se perceber que o cara se garante sem os editores, e vai alem daquilo que está escrito, ganha minha atenção!

  19. Outra coisa boa da "leitura 2.0" é pegar um livro na biblioteca e aproveitar a colaboração dos outros. Dependendo do caso, vale a pena uma segunda opinião.

  20. Puxa, quantos rabiscadores, que bom, não estou sozinho. Essa idéia de taguear capítuos é bem boa, tipo, escrever umas duas ou tres palavras que resumam todo o capítulo. Imagino a facilidade de "relembrar" o livro inteiro. Outra coisa boa é que, assim tagueado, dá para "enxergar" o todo do livro de um jeito bem mais fácil. Muitos livros já trazem o "resumo do capítulo", mas quanto mais minimalista melhor.

  21. Há algum tempo passei a grifar, rabiscar e até mesmo taguear meus livros. No início da leitura, quando ainda não nos conhecemos muito bem – eu e o livro – apenas grifo o que me interessa. Em um segundo momento, já mais próximos, passo a acrescentar as minhas idéias pelos cantos… E a intimidade total vem quando consigo criar tags para cada parte grifada, e relembrar o livro inteiro só através de uma breve passada de olho por essas anotações.

    Hoje, quando encontro um dos livros que li e não criei essa proximidade, sinto-me um desses estranhos que dá oi sempre que passa, mas não é amigo de verdade. Então, trato logo de reler

  22. Essa parte de rabiscar aprendi com meu chefe hehe. Apesar de sentir a dor por estar danificando um livro, é bom marcar seus raciocínios para consultas posteriores. O importante é conhecer que materiais podem danifica-los, por exemplo canetas e grifadores, com o passar dos anos, podem até furar os livros, o bom mesmo é ficar com os lápis.

  23. Engraçado, semana passada tive que ler outra vez um livro básico que tinha lido no começo da faculdade. E pra minha surpresa o livro tava todo rabiscado. Por um lado foi interessante ver os raciocínios que eu construí a partir daquela leitura há 4 anos, mas tive que apagar tudo porque dessa vez tive uma percepção diferente e a leitura tinha outro foco. Mas é legal isso de marcar livros.

  24. pois é, já rabisquei alguns livros sublinhando o que considero importante pra facilitar depois… e ajuda muito mesmo!
    show de bola o post!

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