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O enigmático universo de Marina Abramovic

Marina Abramovic começou sua carreira no início dos anos 70 e é considerada por muitos uma das artistas mais polêmicas da atualidade. Seu trabalho figura em numerosas coleções públicas e privadas, além de contar com participações nas mais importantes mostras de arte internacionais.

Suas obras são em sua maioria recheadas de imagens fortes e uma temática nitidamente ligada ao sexo e aos limites do corpo humano. Carinhosamente, Marina Abramovic é conhecida hoje em dia como “a avó da arte de performance”.

A artista iugoslava teve uma relação turbulenta de mais de 12 anos com Uwe Layseipen, o rapaz que aparece na foto aí ao lado. Por sentir que havia finalmente encontrado em Uwe seu parceiro artístico e amoroso, Marina se juntou a ele e começou a produzir performances artísticas pelos vários anos que se seguiram.

“A arte de performance ou performance art é uma modalidade de manifestação artística interdisciplinar que – assim como o happening – pode combinar teatro, música, poesia ou vídeo, com ou sem público.”

Doze anos depois, quando Marina e Uwe perceberam que a relação tinha chegado ao fim, cada um decidiu andar 2.500 milhas a partir de cada uma das extremidades da Muralha da China. Os dois se encontraram no meio do caminho, bem no meio da muralha, para dizer adeus um ao outro e seguirem a vida em caminhos separados.

Aos 65 anos, ela não dá nenhum sinal de sequer pensar em parar de produzir arte.

Em maio de 2010, Marina fez uma performance ao vivo no MoMA, em Nova Iorque, chamada “The Artist Is Present”.

Durante 3 meses e por várias horas do dia, Abramovic sentava-se silenciosa em uma cadeira, de frente para uma segunda cadeira que ficava vazia. Um a um, os visitantes do museu sentavam à sua frente e olhavam para ela por um longo período de tempo. O máximo que conseguissem.

“This is about limit. Even for me.”

Marina Abramovic

Algumas pessoas não aguentavam olhar para ela por muito tempo – e começavam a chorar. Em uma época onde tudo é motivo para se criar um Tumblr, surgiu o Marina Abramovic Made Me Cry, um blog que registra as fotos de algumas dessas pessoas que enfraqueceram ao olhar para a artista por muito tempo seguido.

Nos últimos anos, Marina Abramovic comprou um teatro em Hudson, NY, e montou a Fundação Marina Abramovic de Preservação da Arte de Performance. A ideia é utilizar o espaço para desenvolver ideias com vídeo e equipamento de pós-produção, além de um prédio para abrigar outros artistas residentes.

Essa minha vontade em revisitar a obra de Marina Abramovic surgiu quando eu vi, há alguns dias, o trailer de um documentário sobre a obra da artista iugoslava.

A proposta do filme é mostrar um pouco da trajetória dessa artista cuja carreira tem sido questionada desde seu início, além de contar com depoimentos de pessoas que viajam o mundo todo acompanhando seu trabalho.

Confira o trailer abaixo:

As imagens são fortes e me incomodam bastante. A serenidade nos olhos da artista também me incomoda. E se incomoda, vale o registro aqui no blog dos que se incomodam.

O documentário estreia em julho, no Reino Unido.

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Escrito por Fabricio Teixeira

é designer e trabalha para deixar sua vida mais fácil.

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