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A carta de suicídio que Virgínia Woolf deixou para seu marido

 

Virgínia Woolf foi uma escritora britânica, conhecida como uma das mais relevantes figuras do modernismo. No ano de 1941, com o início da Segunda Guerra Mundial, a destruição de sua casa em Londres e a fria recepção da crítica à sua biografia, Virgínia caiu em uma depressão profunda.

Virgínia era casada com Leonard Woolf, que além de marido, era seu amigo e editor. Era Leonard quem editava os livros de Virgínia e, como ela nunca acabava de revisar suas obras, o marido “roubava” os livros e os mandava para a impressão sem avisá-la. Virgínia continuava editando, até que Leonard chegava e lhe dizia: “Pode parar de revisar. O livro já está sendo impresso. Está pronto há semanas!”. Ela não gostava, mas depois lhe agradecia, pois assim podia começar um livro novo.

No dia 28 de março de 1941, aos 57 anos, Virgínia vestiu um casaco, encheu seus bolsos de pedras e se afogou no Rio Ouse. Seu corpo foi encontrado somente três semanas mais tarde, em 18 de abril de 1941, por um grupo de crianças perto da ponte de Southease.

Em sua última carta para o marido, Virginia escreveu:

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“Meu Muito Querido:
Tenho a certeza de que estou novamente enlouquecendo: sinto que não posso suportar outro desses terríveis períodos. E desta vez não me restabelecerei. Estou começando a ouvir vozes e não consigo me concentrar. Por isso vou fazer o que me parece ser o melhor.
Deste-me a maior felicidade possível. Fostes em todos os sentidos tudo o que qualquer pessoa podia ser. Não creio que duas pessoas pudessem ter sido mais felizes até surgir esta terrível doença. Não consigo lutar mais contra ela, sei que estou destruindo a tua vida, que sem mim poderias trabalhar. E trabalharás, eu sei. Como vês, nem isto consigo escrever como deve ser. Não consigo ler.
O que quero dizer é que te devo toda a felicidade da minha vida. Fostes inteiramente paciente comigo e incrivelmente bom.
Quero dizer isso — toda a gente o sabe. Se alguém me pudesse ter salvo, esse alguém terias sido tu. Perdi tudo menos a certeza da tua bondade. Não posso continuar a estragar a tua vida.
Não creio que duas pessoas pudessem ter sido mais felizes do que nós fomos.
V.”

Leonard e Virgínia Woolf

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Escrito por Paula Romano

Jornalista freelancer interessada em arte, tecnologia, cultura e sempre em busca de novas histórias. Uma pessoa que adora viajar, descobrir novidades, aprender, filosofar e que fica feliz com a companhia de um chá, um felino e um bom livro no colo.

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8 Comments

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  1. “Se alguém me pudesse ter salvo, esse alguém terias sido tu.”

    meio pesado para alguém que vai ter que conviver com isso, não?
    Não estou julgando uma carta de suicidio. Na verdade estou falando sobre o marido de Virginia Woolf…

    • Ela quis dizer que ninguém conseguiria salvá-la desta vez. Nem o marido que seria o mais indicado a fazer o mesmo. Essa frase foi um das minhas favoritas , “Fostes em todos os sentidos tudo o que qualquer pessoa podia ser….Se alguém me pudesse ter salvo, esse alguém terias sido tu.” Ninguém era capaz de salva-lá, mas se alguém fosse, esse alguém seria ele. 🙂

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