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O Lado Negro dos Drones

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Os drones (veículos aéreos não tripulados) estão cada vez mais acessíveis no mercado. Eles são usados de diversas maneiras e para diversos fins. Grandes marcas já utilizam esses veículos para fazer filmagens incríveis e captar imagens que nunca foram possíveis por sempre necessitar de mais espaço físico ou de uma presença humana. Um exemplo é o trabalho dos nova-iorquinos Da Drone Boys, que fazem filmes de alta qualidade para empresas através de drones e estão conquistando uma fatia do mercado de propaganda institucional de empresas americanas e estrangeiras, como o caso do vídeo abaixo feito para o portal style.com na New York Fashion Week 2015.

Acontece que essa tecnologia não traz só soluções e um paradoxo entra na jogada. Questões morais como privacidade, vigilância e lei entram em pauta e alguns graves problemas começam a surgir. O sociólogo Zygmunt Bauman escreveu em 2013 juntamente com David Lyon o livro Vigilância Líquida para tratar exatamente dessas questões. Logo no primeiro capítulo, ele dedica seus estudos às questões dos “drones e redes sociais”, provocando o leitor sobre até que ponto um drone pode vigiar qualquer pessoa em qualquer lugar nesse planeta e em até que ponto aceitamos determinadas vigilâncias em troca de uma exposição narcísica aceita em um contrato de uma rede social, por exemplo. Nas palavras do autor, “o medo da exposição foi abafado pela alegria de ser notado”.

Os maiores problemas são a perda de controle dessas ferramentas e a ideia que o indivíduo tem em se aproveitar de um anonimato que o controle remoto dos drones os proporciona para causar algum mal ou escapar de uma prova criminal.

Em fevereiro deste ano, os EUA anunciaram que iriam começar a vender drones armados para países aliados. Claro que há uma tentativa e uma preocupação com a lei e a ética por parte do governo, mas até que ponto guerras via “controle remoto” resolverão problemas globais e protegerão vidas de soldados que no fundo, acham que só querem acabar com o terrorismo no mundo? Outros casos são de drones que caem contra veículos em movimento em vias públicas e acabam ferindo o condutor e os tripulantes. Mesmo sem dolo, alguém tem que pagar no caso de um acidente. Como a lei contornará isso?

Neste dia 16 de julho, foi divulgado um vídeo de um drone caseiro portando uma pistola automática e atirando durante um voo. Esse tipo de ação parece ter uma preocupação mais urgente do que um detetive que coloca esse aparelho na sua janela para captar uma conversa com um amante.

Outro exemplo é o tráfico de drogas via drones, como o caso da metanfetamina encontrada amarrada em um drone que colidiu no México no início desse ano.

As leis de privacidade e controle desses aparelhos, tanto no Brasil, quanto no mundo, ainda são muito frouxas e se a sociedade não começar a pensar no caminho moral que a tecnologia proporciona aos seres, a coisa pode desandar. Entre a beleza e a tristeza, a tecnologia nunca pode ser a culpada. Nós, seres incessantes em nossos desejos, que devemos criar “freios” para que o nosso “admirável mundo novo” não acabe em ruínas.

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Escrito por Tiago Souza

Professor de Marketing da Universidade Belas Artes de São Paulo e pesquisador do mundo digital e do comportamento na sociedade pós-moderna.

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