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Publicitário ou macaco?

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Quando entrei na publicidade, em 2006, a galera que trabalhava em agência tinha uma visão do “freelancer” como um “macaco”: aquele cara que pula de galho e galho, roubando clientes, prostituindo o mercado oferecendo um serviço duvidoso por um preço beeem mais baixo que uma agência normalmente cobraria.

Nessa época ficavam todos enfiados na agência, com horário para chegar, sem horário para sair, tendo uma nutrição baseada em pizza, café e Redbull. Estava tudo errado, mas todos — de alguma maneira — eram hipocritamente felizes. Hoje vejo essa felicidade como uma (in)consciência coletiva — mais para o “Imbecil Coletivo” do Olavo de Carvalho — onde o publicitário tinha que se adequar a essa cultura sem questionar.

Por muito tempo esse conceito de “macaco” me assombrava. Eu queria romper com o que a publicidade havia se tornado, e a maneira de fazer isso era seguindo carreira solo, plantando e colhendo frutos que analogicamente aprendi com a mesma galera da publicidade.
Quando, em 2010, assumi meus testículos, decidi seguir carreira solo. E percebi que de macaco eu não tinha nada. Claro, meus preços eram menores, mas eram adequados a meus custos. Podia atender clientes cara-a-cara, me envolver de verdade com as estratégias de seus negócios, não conhecia a empresa apenas através de um briefing, mas podia vivenciar mais as expectativas, frustrações, anseios e visões.

Percebi que tanto faz ser uma agência, ou um freelancer. Nos dois casos conheci medíocres, gananciosos, egoístas, displicentes, que não cumpriam prazos, arrogantes e vaidosos. Mas também pude conhecer uma minoria que me inspirava de relevantes, preocupados, diligentes, humildes, que pediam desculpas por prazos atrasados e se comprometiam de verdade com resultados.

Hoje de “freelancer” tenho assumido cada vez mais o papel de “consultor”, e isso é um modelo de negócios tão autêntico quanto uma tradicional agência. Mas o engraçado é que esses publicitários, visionários e cheio de ideias, ainda eram incapazes de compreender como estavam estagnados e viviam em modelos engessados pela própria “fórmula da criatividade”.

Tão inovadores para criar conceitos para clientes, mas incapazes de pensar fora dessa caixa de pandora, preconceituosos, tentando justificar a si mesmos que o que valia mesmo era estar numa agência, que o bom é não ter tempo para a vida, que ser relevante era estar enfiado em brainstormings, alterações, busca de imagens, layouts e mais layouts.

Nessa época o bom publicitário era o estrela que mal comparecia a eventos sociais porque estava ocupado demais com coisas mais importantes.

Isso foi em 2006.

Saí desse meio, e o meio também saiu de mim. Acredito que tenho contribuído muito mais com a publicidade, que quando estava com a bunda quadrada. Tenho trazido visão a clientes que normalmente uma agência descartaria logo de cara. Acredito que clientes pequenos não são aqueles de receitas baixas, mas aqueles que, mesmo com altas receitas, ainda pensam muito, mas muito pequeno.

Hoje eu espero, com aquela esperança infantil, que isso tenha mudado. Que o ambiente criativo de uma agência seja mais mente aberta que era há 9 anos. Aprendi muito com esses meus amigos. Mas confesso que tive que aprender mais a “não fazer o que faziam”. Tive mais inspirações negativas que positivas, e os dois impulsionaram meu crescimento. Uns com a cenoura na frente, outros com a cenoura atrás.

(Essa história da cenoura fica para a próxima).

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Escrito por Do Leitor

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