Reunião de condomínio: um estudo fiel do Homo Sapiens

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[su_heading size=”24″ align=”left” margin=”0″]Por acaso você já foi a alguma reunião de condomínio? Tive o “prazer” de participar de uma nessa semana. Elas são maravilhosas, uma verdadeira pesquisa empírica do que, de fato, é a natureza humana. [/su_heading]

Quer entender mais sobre ética e moral? Esses encontros são um prato cheio. Na verdade são um prato cheio para entender que o indivíduo contemporâneo tem dificuldades terríveis para se adaptar ao convívio com os outros, com o bando, com seu “mini reino”.

A começar pela convocação que deve ser entregue a todos com 15 dias de antecedência. Ou seja, se tiver que incluir algo até o dia evento, não pode. A burocracia é maior do que a que você passa para conseguir bolsa de mestrado ou doutorado. Além disso, você deve colocar dois horários diferentes para início da reunião. O primeiro só valerá se tiver mais de dois terços de condôminos participantes. Ou seja, quem chega no primeiro horário fica durante uma hora conversando sobre amenidades com seus vizinhos queridos: “Rolou o maior barraco no 32, meu vizinho de porta, acho que ele está com outra”; “A infeliz que mora em cima do meu apartamento chega em casa com o dia amanhecendo, todos os dias!” E assuntos como esses seguem por essa hora demorada. Quando finalmente, o ponteiro acusa a hora do segundo horário, a reunião começa com todas as formalidades possíveis: presidente de mesa,  tópicos a serem seguidos, etc.

Sobre os tópicos: – Votação sobre colocação de persianas. Afinal, estaria alguém, de fato, interessado nisso? Respondo: todos que estavam presentes. Parecia que essa era a última decisão a ser tomada antes do mundo acabar. Todos os presentes extremamente exaltados, ou seria excitados? Todos lutando com unhas e dentes pelo melhor de todos. Ledo engano. Todos lutando enfurecidos pelo melhor de cada um. Uma luta individualizada.

Jeremy Bentham, jurista e filósofo do século XVIII, foi criador do utilitarismo: uma doutrina que visava o bem estar coletivo. Por meio de variáveis que deveriam ser seguidas pelo povo, Bentham acreditava que chegaria à felicidade, ao bem-estar de todos. Se pensarmos no mundo atual, na sociedade contemporânea, ou nessa simples reunião de condomínio, vemos que esse bem-estar coletivo se esvai por entre as mãos dos homens. O ser humano é naturalmente egoísta, ele busca seu próprio prazer antes de qualquer outra coisa. Voltando ao tema da moral: é mais fácil amar e ter piedade pelos que passam fome na África do que se convalescer e ajudar seu próprio vizinho.

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Nathalie Hornhardt
Professora de Comunicação da FAAP; mestre em Cinema, Filosofia e Religião pela PUC-SP; dramaturga e radialista.
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