Você viveu os últimos 10 anos? Mesmo?

[su_quote cite=” Charles Baudelaire”]O tédio, fruto infeliz da incuriosidade[/su_quote]

Dez anos. Já?

Há dez anos o presidente da Câmara dos Deputados era Severino Cavalcanti. Hoje o presidente da Câmara dos Deputados é o Eduardo Cunha – cadê o fundo do poço que não chega nunca? Nesse período, fomos do Mensalão ao Pixuleco, com muitas escalas de corrupção ativa, passiva e bem-dotada.

Os Strokes gravaram “Last nite”, os Racionais, “Negro drama” ao vivo, David Bowie, “Where are we now?”, e os Hermanos, “O vencedor”. Obama, Lula, Papa Francisco e Kim Jong-un chegaram lá, mais ou menos democraticamente. Flamengo foi campeão brasileiro pela sexta vez, no Maracanã. Plutão e Vasco foram rebaixados.

Ocuparam Wall Street e o Complexo do Alemão – mas um e outro seguem com os mesmíssimos problemas. Legalizaram a maconha em Washington e no Colorado, e os green doctors receitam maconha medicinal pelas praias da Califórnia. No Brasil, o número de presos por tráfico aumentou 339% na última década.

Milhares de furacões, terremotos, secas, enchentes e outras catástrofes naturais aconteceram. Milhares de guerras, assassinatos, desmatamentos, atentados e outras catástrofes artificiais, feitas à mão, aconteceram. Morreu um monte de gente boa e um monte de gente ruim, não necessariamente na mesma proporção.

Nasceu muito mais gente. Passamos de 6,4 bilhões de terráqueos girando em torno do Sol a 107 mil quilômetros por hora para os 7,3 bilhões de hoje. Minha família fez sua parte, crescendo com a chegada da Mari, do Dani, da Marina e do Rodrigo – olha, o mundo ganhou um upgrade com esses quatro por aqui.

O Facebook se tornou a maior rede social do planeta. De 2005 pra cá, inventaram o You Tube, o Google Maps, o Waze, o iPhone, o WhatsApp, o streaming da Netflix, o Uber e o Airbnb. Todos já tão familiares e incorporados ao dia a dia, que parecem existir desde que descemos das árvores.

O vento derrubou a maior tipuana da minha rua. Fast fashion e slow food viraram trending topics, o que deve ter mantido constante a velocidade média do mundo. O dia em que a Terra parou (pelo menos na minha cabeça) foi 27 de setembro de 2008: eu disse “sim”, ela disse “sim” e foi lindo demais.

Mergulhamos na bonança e na crise econômica, que são como a felicidade e a tristeza de Tom & Vinicius: crise não tem fim, bonança sim. Startups e falências, primeiro beijo e último adeus, separação e amor sem fim. Encontros, desencontros e reencontros. Não faltou nada disso nos últimos dez anos.

Não faltou nada.

Tédio? Só se a vida passou e você não viu. Piscou.

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Se for mesmo inevitável, Fernando Luna prefere morrer de vodca do que de tédio. É jornalista, sócio e diretor editorial da
Trip Editora, onde cria e desenvolve conteúdo para tevê, eventos, digital e revistas.

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Fernando Luna
Sócio e Diretor Editorial da Trip Editora, onde é responsável por publicações impressas e digitais como TPM, Trip, Gol, Audi, Itaú, C&A, Pão de Açúcar, Natura e Ambev, entre outras. Antes trabalhou na Editora Abril, nas redações de Veja, Elle e Capricho.
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