Por mais sofá e menos balada na sexta à noite

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Nesse fim de semana me veio à mente a frase absoluta que paira entre os jovens (e não tão jovens assim): o que você vai fazer na sexta à noite? A questão pode se estender para sábado à noite também.

Posso me classificar na categoria dos “não tão jovens assim” e me lembro como se fosse hoje que essa pergunta me causava uma angústia sem fim. Nunca gostei de ir para balada, mas no auge dos 17, 18 anos não era forte o suficiente para revelar tal fraqueza diante de todos. E lá ia eu ser engolida pelas noites e madrugadas vazias ao lado de meus pseudo-amigos que se perdiam nas multidões. Qual era nosso principal objetivo nessas saídas? Uns diziam que saíam para se divertir, para dar risada, para ficar feliz… Outros (me encaixo nesse grupo) iam simplesmente para satisfazer os outros ou então, para quem sabe, em algum tênue momento encontrar essa felicidade que os outros já diziam ter.

Isso vale para outras coisas que fazemos à deriva, sem nos dar conta, simplesmente por estarmos imersos na sociedade. Um professor descreve muito bem essa busca pelo prazer e pelo descanso, imagine só: domingo ensolarado… Até Gil e Caetano já sublinharam que é dia de parque. Voltemos: domingo ensolarado, parque, bicicletas por toda parte, filas de carros tentando arrumar uma vaga, causando assim, o famoso congestionamento, que nem de longe é sinônimo de prazer. Para o professor, esse cenário traça uma ironia:

“a busca pela felicidade e pelo descanso torna-se uma visita ao inferno.”

A noção da busca pela felicidade se torna exaustiva, maçante… Mas afinal, para que serve essa busca pela felicidade senão apenas para exaltar nosso narcisismo através das fotos postadas em nossas redes sociais?

Qual o problema de dizer para os curiosos colegas de trabalho na segunda-feira que você ficou em casa no fim de semana e que mesmo assim, você gargalhou até a barriga doer? Pragmatizar seu dia para fazer algo diferente a cada meia hora não é sinônimo de prazer e felicidade. Apesar da efemeridade ser a característica principal dos nossos dias, acho que é válido dizer que às vezes é bom não ter metas e nem compromissos, principalmente em dias de descanso. Às vezes, é possível encontrar o prazer no sofá nosso de cada dia.

De acordo com o utilitarista inglês, John Stuart Mill (2000):

“Felicidade não significa uma vida de arroubo, mas momentos de êxtase numa existência constituída de poucas dores transitórias.”

Para ele, o homem não deve ter expectativas, ou seja, nós não devemos esperar da vida mais do que ela é capaz de nos conceder. Às vezes essa felicidade que a gente tanto quer, passa por entre os dedos das nossas mãos e vai embora, isso porque, enquanto ela passava, a gente estava preocupado, procurando o que fazer para encontrá-la, em meio a acontecimentos fantásticos que justifiquem uma bela selfie.

 

Nathalie Hornhardt

Coordenadora do curso de Rádio, TV e Internet da FAAP; professora dos cursos de comunicação da FAAP; doutoranda em Comunicação e Práticas de Consumo pela ESPM-SP; mestre em Mídia e Religião pela PUC-SP; autora do livro "Quando o santo é forte: uma análise sobre a insuficiência humana a partir do documentário de Eduardo Coutinho; dramaturga e radialista.

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